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Cinema

Faltou coragem e criatividade em 'Bate Coração' ao combinar humor e religião

Sem soar preconceituoso, o filme diverte ao comentar o universo trans

Bate Coração

  • Quando Estreia na quinta (7)
  • Elenco Aramis Trindade, André Bankoff, Heloisa Jorge
  • Produção Brasil, 2019
  • Direção Glauber Filho

“Bate Coração” é como um prato que perde sabor devido ao excesso de ingredientes. Seria melhor se fosse mais simples, menos cumulativo.
 
Depois de sofrer um ataque cardíaco durante uma festa, Sandro (André Bankoff) precisa de um novo coração. O órgão que vai salvar a vida do rapaz vem da transexual Isadora (Aramis Trindade), que morreu depois de ser atropelada.

Ao lembrar a trajetória de Isadora como sócia de um salão de beleza em Fortaleza, a comédia dirigida pelo cearense Glauber Filho ganha algum fôlego. Sem soar preconceituoso, o filme diverte ao comentar o universo trans, muito por conta do talento de Aramis. 

 

 
O ator pernambucano tem alternado trabalhos no cinema, na TV e no teatro. Nos três meios, assume, em geral, papéis coadjuvantes. “Bate Coração” dá um espaço mais generoso para ele, que exibe um ótimo timing para o humor. 
 
Sem a ambição de se aprofundar no tema, a abordagem da doação de órgãos aparece bem costurada às histórias dos protagonistas. 
 
Bastariam esses elementos para compor uma comédia leve e despretensiosa. Mas o filme desanda ao contemplar um pano de fundo espírita —Glauber Filho já tinha dirigido dramas em torno desse tema, como “Bezerra de Menezes” (2008) e “As Mães de Chico Xavier” (2011).
 
O roteiro assinado por Glauber, Daniel Dias e Ronaldo Ciambroni é inspirado em duas peças de Ciambroni, “Acredite, Um Espírito Baixou em Mim” e “O Coração Safado”.  
 
Claro que é possível combinar humor e religião, mas a dobradinha só funciona se houver coragem e criatividade, qualidades vistas apenas pontualmente em “Bate Coração”. O que poderia ser uma comédia eficiente ganha, ao final, ares de uma monótona ladainha religiosa, como acontece nas aparições de um espírito, que dá conselhos a Isadora.
 
Isadora e suas amigas são bem mais divertidas sem as bênçãos da religião.

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