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'Midway' exala testosterona ao recriar batalha cheia de galãs e destruição

Filme de Roland Emmerich mostra conflito entre Estados Unidos e Japão durante a Segunda Guerra Mundial

São Paulo

Destruição, grandes sequências de ação e um herói bem-apessoado, destemido e gente como a gente salvando o dia são constantes na filmografia de Roland Emmerich.

O diretor foi o responsável por longas como “Independence Day”, de 1996, em que um jovem Will Smith combatia uma ameaça alienígena, e “O Dia Depois de Amanhã”, de  2004, em que Jake Gyllenhaal tentava manter seu grupo protegido durante um cataclisma na cidade de Nova York.

A fórmula, que exala testosterona, se repete agora em “Midway - Batalha em Alto-Mar”, que recria um dos principais conflitos da Segunda Guerra Mundial, no oceano Pacífico, na metade do caminho entre Estados Unidos e Japão.

Aqui, os heróis se multiplicam. Na parada militar de galãs que é o filme, desfilam nomes como Nick Jonas, Darren Criss e Luke Kleintank, em pequenos papéis. Suas subtramas desviam o foco do conflito principal, com linha de frente formada por Luke Evans, Patrick Wilson, Woody Harrelson, Dennis Quaid e o pouco conhecido Ed Skrein.

É ele quem guia boa parte da ação, iniciada pelo soar dos alarmes de Pearl Harbor. A partir do ataque à base militar, que pôs os Estados Unidos no tabuleiro da Segunda Guerra, a Marinha americana começa a preparar uma represália contra o Japão, confiando a missão aos tripulantes de seus porta-aviões.

“A ideia para o filme surgiu há 20 anos, quando eu assisti a um documentário sobre a batalha de Midway”, conta Emmerich. Muito tempo depois, ele usaria, então, “Belonave” (do original “The Fighting Lady”, de 1944), que acompanha a rotina a bordo do USS Yorktown, como fonte de pesquisa para o seu longa-metragem.

“O documentário mostra basicamente o estilo de vida que os soldados levavam na época da batalha de Midway. Nós tiramos tanta informação dele, você nem imagina”, diz. “Ele foi filmado em Technicolor, com cores muito vibrantes, o que ajudou, por exemplo, nos figurinos do nosso filme. Nós até meio que imitamos algumas cenas, como quando um avião tenta aterrissar na embarcação e cai.”

Esse tipo de sequência povoa os 138 minutos de projeção de “Batalha em Alto-Mar”, que, apesar de não ter agradado a crítica estrangeira, superou expectativas na bilheteria americana em sua semana de estreia —ficou à frente do terror “Doutor Sono” e do romance natalino “Uma Segunda Chance para Amar”, que decepcionaram.

O apelo da trama para o público pode estar em seu tom patriótico e na popularidade dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. “Eu diria que esse conflito é retratado tantas vezes no cinema porque os lados estão muito bem definidos: há o fascismo e os democratas, aqueles que lutam pela liberdade”, diz Emmerich.

“E agora, mais do que nunca, as pessoas precisam saber que, em determinado ponto da história, o mundo queria ir para o fascismo. O Trump diz que está tornando a América grande novamente. Ele não faz isso, quem fez foram esses caras [os soldados que lutaram na Segunda Guerra]”, diz o diretor alemão, como se fosse um orgulhoso americano.

Salas e horários

Midway - Batalha em Alto-Mar

  • Classificação 14 anos
  • Elenco Patrick Wilson, Ed Skrein e Woody Harrelson
  • Produção EUA/China, 2019
  • Direção Roland Emmerich
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