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Cinema

'Frozen 2' pode até parecer desnecessário, mas cumpre papel de conto de fadas familiar

Trilha sonora é inferior em relação ao original e falta um momento catártico como o de 'Let It Go', mas filme encanta

Frozen 2

  • Quando Estreia em 2/1
  • Produção EUA, 2019
  • Direção Chris Buck e Jennifer Lee

Em 2013, “Frozen: Uma Aventura Congelante” seguiu a fórmula de sucesso das animações lançadas pela Disney ao longo da década de 1990. Combinou um conto de fadas a grandes números musicais e recebeu uma avalanche de elogios, prêmios e dinheiro.

Com um sucesso tão avassalador, era natural que a animação logo se desdobrasse em centenas de produtos derivados. “Uma Aventura Congelante” deu origem a área em parque temático, musical na Broadway, curta-metragem, bonequinhos e, finalmente, a uma continuação, “Frozen 2”.

E assim como as continuações de clássicos ilibados como “A Bela e a Fera” (1991) e “O Rei Leão” (1994), “Frozen 2” passa longe do brilhantismo de seu seminal —mas nem por isso deixa de ter seu encanto.

Após o embate sororal que dita a trama de “Uma Aventura Congelante”, “Frozen 2” mostra as irmãs Anna e Elsa vivendo em harmonia com seus súditos, na fictícia Arendelle. Mas a última parece incomodada por não conhecer a origem de seus poderes e, ao ouvir um chamado misterioso, embarca em uma jornada para conhecer o passado de seu reino.

Mesmo que o novo filme pareça desnecessário, um caça-níquel para repetir a bilheteria bilionária de seu antecessor, sua trama surge para esclarecer uma ponta solta: como foi que Elsa começou a disparar raios de gelo?

A pergunta guia a animação, auxiliada pelo inabalável carisma de seus personagens principais —basta Olaf dizer suas primeiras falas para sermos lembrados do porquê de “Uma Aventura Congelante” ter caído no gosto do público.

Com pitadas de humor bem distribuídas, a trama cativa o espectador sem esforço. Contribui para isso seu belíssimo visual, que escancara os motivos que levaram a Disney a se tornar referência na animação.

Outro fator decisivo para o sucesso do primeiro “Frozen” foi a premiada trilha sonora de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez —em 2013, o mundo se despolarizou para cantar “Let It Go” em uníssono.

As canções agora são notavelmente inferiores e é uma pena não haver no longa uma performance catártica como o solo de Elsa. A trilha ficou mais pop, acompanhada de cenas que mais parecem clipes do que grandes números teatrais —a própria animação tira sarro disso, parodiando as baladas românticas dos anos 1980 e 1990 em uma cena que não consegue se acomodar ao ritmo da história.

Essa quebra de fluidez aparece em outros momentos, mas por causa do roteiro, não das partituras. Na tempestade de problemas que vão surgindo, novos personagens e mistérios são apresentados, sem que sejam devidamente explorados.

Mas, no final desse emaranhado, existe ali, como em “Uma Aventura Congelante”, uma mensagem bonita, que aliada ao espírito aventureiro, bem-humorado e fantasioso de “Frozen 2”, o torna mais uma ótima diversão em família para um estúdio justamente criado com essa intenção.

Mesmo franzino em relação a outros títulos da Disney, o longa encontra força em elementos como o carisma dos personagens, a magia inerente à história e o visual primoroso. “Frozen 2” propicia diversos momentos de surpresa e encantamento —como um bom conto de fadas deve fazer.

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