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Nova série 'The Witcher' luta, mas não conquista o trono de 'Game of Thrones'

Henry Cavill protagoniza épico de fantasia da Netflix baseado em série de livros polonesa e game

The Witcher

  • Quando Estreia nesta sexta (20)
  • Classificação 16 anos
  • Elenco Henry Cavill, Freya Allan, Anya Chalotra e Joey Batey
  • Produção EUA/Polônia, 2019
  • Direção Lauren Schmidt

O sucesso nas bilheterias da trilogia “O Senhor dos Anéis”, lançada entre 2001 e 2003, revelou uma plateia global sedenta por um gênero considerado, até então, de segunda linha: a fantasia, a etiqueta que Hollywood cola em obras povoadas por dragões, gigantes e outros seres imaginários.

O filão redescoberto rendeu inúmeros frutos. O mais bem-sucedido foi “Game of Thrones” (HBO), baseada nos livros de George R.R. Martin. Mas a série terminou em maio passado, deixando um vácuo no coração de seus fãs.

“The Witcher”, cuja primeira temporada estreia nesta sexta (20) na Netflix, tenta preencher este vazio. O programa também tem origens literárias: sua matriz é “Wiedźmin”, uma série de sete livros do polonês Andrzej Sapkowski, lançada no Brasil como “A Saga do Bruxo Geralt de Rívia”.

Fenômeno de vendas no Leste Europeu, as aventuras de Geralt só se tornaram conhecidas nos EUA depois que o editor americano rebatizou o protagonista como “witcher” —um neologismo cuja tradução mais aproximada é “bruxo”— e uma coleção de videogames e jogos de RPG popularizou o personagem.

As histórias de Sapkowski foram adaptadas na Polônia para um filme e um seriado de TV, ambos mal recebidos por público e crítica. A série da Netflix, gravada em inglês com locações na Hungria,
na Polônia e nas Ilhas Canárias, é a primeira grande produção internacional baseada na franquia.

O papel de Geralt de Rívia coube ao britânico Henry Cavill, o atual intérprete do Superman no cinema, em filmes como “O Homem de Aço” e “Liga da Justiça”. O ator esteve recentemente em São Paulo para promover a série.

Conhecido pela alcunha Lobo Branco, o enigmático Geralt não é fácil de ser transposto à tela.

Cavill tem o “physique du rôle”, o tipo físico necessário, mas resvala na canastrice ao dar ao feiticeiro uma voz exageradamente grave.

Geralt de Rívia passou por mutações genéticas voluntárias para adquirir poderes extraordinários, capacitando-o a lutar contra os diversos monstros que apavoram o Continente —o mundo fictício onde se desenrola sua história. Mas o bruxo não toma partido na luta entre o tirânico Império Nilfgaardiano, do sul do Continente, e os reinos independentes do norte, do qual Cintra é o mais resplandecente.

No primeiro episódio de “The Witcher”, Cintra é conquistado pelo Império, mas a princesa Cirila (Freya Allan) consegue escapar. Dona de habilidades misteriosas, ela é perseguida por inimigos enquanto tenta encontrar Geralt.

Em paralelo, é apresentada a personagem mais interessante, Yennefer (Anya Chalotra). Nascida com deformidades na coluna e na mandíbula, ela é vendida pelo pai a uma mulher misteriosa, que percebe o potencial da garota. Treinada nas artes ocultas e submetida a dolorosas cirurgias, Yennefer se transforma em uma bruxa poderosa.

Ela e Geralt só cruzam seus caminhos no quinto episódio de “The Witcher” (a Netflix liberou à imprensa apenas os cinco primeiros, de um total de oito). Essa demora faz com que a série pareça meio perdida, sem uma trama principal, que cenas de extrema violência e outras com alguma nudez não conseguem disfarçar.

Apesar do alto orçamento (cerca de US$ 80 milhões, ou R$ 324 milhões), “The Witcher” passa a sensação de uma produção de segunda classe. Cenários, figurinos, efeitos e até mesmo o elenco estão bem aquém do padrão imposto por “Game of Thrones”.

Nos melhores momentos, a série lembra a novela “Deus Salve o Rei” (Globo). Nos piores, os folhetins bíblicos da Record. O espectador menos exigente não vai reclamar, mas o fato é que o trono de “GoT” continua vago.

Erramos: o texto foi alterado

O autor do livro que deu origem à série chama-se Andrzej Sapkowski. O texto foi corrigido.

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