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Cinema

Sexo transborda de dançarino gay no filme 'E Então Nós Dançamos'

Entre clichês e cenas bem feitas, longa sobre descoberta da sexualidade é permeado por sequências de coreografia

E Então Nós Dançamos

  • Quando Estreia nesta quinta (19)
  • Classificação 14 anos
  • Elenco Levan Gelbakhiani, Bachi Valishvili e Ana Javakishvili
  • Produção Suécia/Geórgia/França, 2019
  • Direção Levan Akin

Merab, o personagem central de “E Então Nós Dançamos”, é um dançarino, assim como seu irmão mais velho, sua mãe, seu pai e sua avó. Treina balé georgiano desde criança. Essa é uma dança toda feita de movimentos precisos e que simulam uma luta, mesmo quando feita em um par formado de um homem e uma mulher.

Magro e vigoroso, Merab tem um estilo próprio e alterna movimentos firmes e seguros com outros mais flexíveis. Por isso, seu treinador diz que ele é “muito solto”. A dança georgiana não tem lugar para a delicadeza e a sensualidade. Segundo o mesmo treinador, “não há sexo no balé da Geórgia”, todo másculo.

Mas é o sexo que permeia toda a trama. Mary, parceira de dança de Merab, tem a impressão de que os dois formam um casal, e em uma cena mostra a ele uma camisinha e o convida para ir a um mato atrás de onde estão. Merab recusa, dizendo que a primeira vez é muito especial para acontecer de maneira tão improvisada.

Ele fica incomodado com a chegada na companhia de um novo dançarino, Irakli, que é diferente dos outros meninos da academia. Insolente, responde para o treinador e parece criar suas próprias regras. Ele dança há menos tempo que Merad, mas corrige o protagonista. Tem um talento natural, mas também treina muito. Desperta em Merab a competitividade, mas também a curiosidade, que com o tempo se transforma em desejo.

“E Então Nós Dançamos” é dirigido pelo cineasta sueco Levan Akin e estreou em Cannes. Foi o escolhido da Suécia para tentar uma vaga em melhor filme internacional no Oscar, mas ficou de fora da lista.

O longa-metragem tem muitas qualidades, entre elas a de fazer o espectador brasileiro mergulhar em um mundo distante como o da classe média da Geórgia e de seu balé.

Merab é filho de pais separados, mora com a avó, a mãe e seu irmão indisciplinado, que frequentemente perde os ensaios de dança porque bebeu muito na noite anterior. O protagonista não estuda, só treina e trabalha à noite como garçom, serviço pelo qual ganha muito pouco.

As sequências de dança são bem executadas e bem captadas, e o filme todo tem um pulsar, alguma câmera na mão e ótima fotografia. Mas os personagens secundários deixam a desejar. Construídos de maneira superficial, fazem com que as subtramas sejam menos interessantes.

As cenas que mostram a atração de Merab por Irakli esbarram em clichês, como quando o protagonista encontra uma camisa do colega no vestiário e a cheira. Mas o despertar da sexualidade do dançarino vai além da atração que sente pelo colega, e essa jornada é bem construída e emocionante.

Pode não haver sexo no balé tradicional da Geórgia, mas há sexo transbordando de dentro do protagonista.

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