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Dilma comemora indicação de documentário: 'A verdade não está enterrada'

'Filme é corajoso, por mostrar o jogo sujo que resultou no meu afastamento do poder', disse a ex-presidente

São Paulo | UOL

A ex-presidente Dilma Rousseff comemorou a indicação de "Democracia em Vertigem", ao Oscar 2020 de melhor documentário, feita pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na manhã desta segunda (13). 

 

No comunicado, publicado em seu site oficial, Dilma diz que o "filme é corajoso, por mostrar o jogo sujo que resultou no meu afastamento do poder e como a mídia venal, a elite política e econômica brasileira atentaram contra a democracia no país, resultando na ascensão de um candidato da extrema direita em 2018". 

Ela encerra a nota afirmando que "a verdade não está enterrada" e que "a história segue implacável" contra aquilo que define como "golpistas".

A fala foi semelhante à de Lula, que finalizou uma postagem sobre a nomeação no Twitter com "a verdade vencerá". O ex-presidente, que aparece no documentário esbanjando simpatia em momentos de descontração, também saudou a produção “pela seriedade com que narrou esse período na nossa história”.

"Democracia em Vertigem", dirigido por Petra Costa e distribuído pela Netflix, concorre com "Indústria Americana" (produzido pelo casal Barack e Michelle Obama), "The Cave", "For Sama" e "Honeyland".

Em "Democracia em Vertigem", Costa faz um retrato pessoal do processo que tirou Dilma da presidência do Brasil, em 2016, a partir de um ponto de vista pessoal, misturando sua história familiar com a trajetória política do país. A história começa a ser contada a partir do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e segue analisando a posterior crise política no Brasil.

Na época de seu lançamento, no ano passado, uma das críticas mais frequentes ao documentário era de que só falava a convertidos.

Agora, com o anúncio do Oscar, essa mesma polarização voltou com força. Assim, se os comentários de Dilma e Lula foram positivos, Roberto Alvim, atual secretário especial de Cultura, e o PSDB ironizaram a presença do longa no páreo.

Alvim afirmou à coluna de Mônica Bergamo que a nomeação estaria correta “se fosse na categoria ficção”. E o PSDB entrou na onda e ironizou a notícia no Twitter, onde parabenizou à diretora pela “indicação de melhor ficção e fantasia”.

Em entrevista ao UOL, por telefone, Costa disse que não esperava a indicação, e comemorou a surpresa. A diretora mineira ainda se diz honrada por concorrer em uma categoria que traz mais diretoras mulheres (dos cinco títulos indicados, quatro são dirigidos ou codirigidos por mulheres e quatro são de fora dos Estados Unidos) e mais diversa.

"A categoria de documentários está representando o feminino de uma forma impressionante e também representando o cinema estrangeiro. Isso reflete um passo muito importante que a Academia tem dado para incluir mais membros estrangeiros e mais mulheres entre os votantes", diz ela. "Estou feliz pelo Brasil e pela América Latina em um ano que não tem nenhum latino-americano indicado como melhor filme estrangeiro e nenhuma mulher indicada como melhor diretora. É muito importante estar representando nessa categoria", completa.

Leia o comunicado, na íntegra:

A verdade não está enterrada.

A história do golpe de 2016, que me tirou da Presidência da República por meio de um impeachment fraudulento, ganha o mundo pelas lentes de Petra Costa no documentário "Democracia em Vertigem". E, para surpresa de alguns, ganhou hoje indicação ao Oscar.

O filme é corajoso, por mostrar o jogo sujo que resultou no meu afastamento do poder e como a mídia venal, a elite política e econômica brasileira atentaram contra a democracia no país, resultando na ascensão de um candidato da extrema direita em 2018.

Parabéns a Petra e à equipe do filme pela indicação ao Oscar. A verdade não está enterrada. A história segue implacável contra os golpistas.

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