Descrição de chapéu Livros

Ídolo de Bolsonaro, Ustra foi premiado durante o governo de Médici

General gaúcho, que comandou o país de 1969 a 1974, é tema do próximo volume da Coleção Folha

São Paulo

No final dos anos 1960 e no começo dos anos 1970, o Brasil estava em guerra. Não contra outro país. Os inimigos a serem destruídos eram os militantes de esquerda envolvidos na luta armada. 

Essa era a avaliação do terceiro presidente da ditadura militar, Emílio Garrastazu Médici, e do seu ministro do Exército, Orlando Geisel (irmão de Ernesto Geisel, que assumiu o Planalto em 1974).

Para Médici, os integrantes de grupos como a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) eram “pseudobrasileiros”. O general gaúcho, que governou o país de outubro de 1969 a março de 1974, é tema do 19º volume da Coleção Folha. O livro chega às bancas no próximo domingo, dia 19.

Emílio Garrastazu Médici, o terceiro presidente da ditadura militar - Acervo Última Hora/Folhapress

O plano de segurança de Médici e Orlando Geisel se baseava na instalação de unidades do Centro de Operações de Defesa Interna (Codi) e do Destacamento de Operações de Informações (DOI).  

Com bastante autonomia, o DOI promovia sessões de tortura sistematicamente. “Criou-se um sistema de
recompensas para os torturadores mais eficientes”, escreve o historiador Dirceu Franco Ferreira, autor do livro.

Entre os torturadores condecorados, estava o major Carlos Alberto Brilhante Ustra, ídolo do presidente Jair Bolsonaro. Ustra comandou o DOI de São Paulo de 1970 a 1974, período em que há registros de 502 casos de tortura, de acordo com a Comissão Nacional da Verdade

Maria Amélia e César Augusto Teles estiveram entre as vítimas do major. Em 1972, o casal de militantes do PC do B foi agredido diversas vezes para que contasse o que sabia sobre a guerrilha do Araguaia. 

Como eles não falaram, Ustra mandou que seus auxiliares do DOI sequestrassem os filhos do casal Teles para que as crianças vissem os efeitos dos choques elétricos nos corpos dos pais.

Em 2008, mais de três décadas depois desse episódio, Ustra se tornou o primeiro oficial condenado por sequestro e tortura.

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