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Cinema

O ano de 2019 foi ótimo para a Disney, mas péssimo para Hollywood

Sem contar os filmes do estúdio, restam poucas boas bilheterias no ano que passou

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São Paulo

Dizem que os números não mentem, mas eles podem dar uma bela enganada. Numa primeira olhada, a impressão é de que 2019 foi bom para Hollywood. Cerca de US$ 11,3 bilhões, ou R$ 45,5 bilhões, foram deixados nos cofres dos cinemas americanos, superando pelo quinto ano consecutivo a marca de US$ 11 bilhões (o recordista ainda é 2018, com US$ 11,89 bilhões, ou R$ 47,9 bilhões).

No entanto, com uma espiada mais atenta é possível dizer que só há um estúdio fazendo festa com os resultados do ano que acabou de terminar: a Disney. A empresa emplacou nada menos que sete títulos entre as dez principais bilheterias do ano, uma supremacia que não encontra paralelo nas últimas cinco décadas —a própria Disney alcançou a marca de seis títulos em 2016. 

Mais. As seis maiores bilheterias de 2019 são da Disney, graças, inclusive, ao recém-lançado “Star Wars: A Ascensão Skywalker”. E “Vingadores: Ultimato”, o campeão da temporada, se tornou a segunda maior arrecadação de todos os tempos com seus US$ 858,3 milhões, ou R$ 3,4 bilhões, só nos Estados Unidos. Se não é monopólio, dá para dizer que a Disney tem, no mínimo, uma pequena oligarquia.

Os intrusos no ranking foram “Homem-Aranha: Longe de Casa”, da Sony (que acabou de perder o sexto lugar para “Star Wars”), e “Coringa” (nono) e “It - Capítulo 2” (décimo), ambos da Warner. E vale lembrar que “Longe de Casa”, grande hit da Sony, tem um dedinho da Disney —um acordo de valor não revelado fez com que o herói aracnídeo se aproveitasse de todo o boom causado pelo tal Universo Cinemático Marvel. Sim, a Marvel é da Disney.

Se tirarmos os filmes do estúdio do Mickey da equação, o ano não foi tão bom assim. Na verdade, foi temeroso. Várias apostas das principais casas de Hollywood naufragaram miseravelmente nos cinemas.

Um dos grandes flops de 2019 foi “X-Men: Fênix Negra”, da Fox (também adquirida pela Disney, mas ainda no comando de suas operações na temporada que terminou). O filme de US$ 200 milhões, ou R$ 806 milhões, de orçamento arrecadou apenas US$ 65,8 milhões, ou R$ 265,2 milhões, o que deve deixar a franquia um tempinho na geladeira. E olha que tinha como protagonista Sophie Turner, no auge da popularidade como a Sansa Stark de “Game of Thrones”. Mas não havia dragão ou zumbi de gelo capaz de salvar “Fênix Negra”.

Também da Fox, “Alita” somou US$ 85,7 milhões, ou R$ 345,3 milhões, o que representa só metade de seu custo. Inspirado em um mangá, o longa de Robert Rodriguez tinha potencial para continuações. Não mais.
O principal sucesso da Fox no ano foi o postulante a prêmios “Ford vs. Ferrari”, com honestos US$ 106,6 milhões, ou R$ 429,6 milhões, o que o leva à 27ª bilheteria de 2019.

Outra franquia enterrada até segunda ordem é a de “Exterminador do Futuro”. Arnold Schwarzenegger não vai voltar. Seu “Destino Sombrio”, da Paramount, reuniu o produtor James Cameron e a atriz Linda Hamilton, e praticamente passou uma borracha em tudo que aconteceu na série desde “Exterminador 2”. 

Não deu certo. Faturou US$ 62,1 milhões, ou R$ 250,2 milhões, um terço de seu dispendioso orçamento. James Cameron, de “Avatar” e “Titanic”, não é mais o rei do mundo. 

Já a Sony viu ruir outra tentativa de reconstruir uma franquia bem-sucedida com a nova versão de “As Panteras”. A produção até era modesta para os padrões hollywoodianos —custou só US$ 48 milhões, ou R$ 193,4 milhõe). Em tempos de MeToo, o filme se cercou de boas-intenções.

O elenco jovem era liderado por Kristen Stewart e tudo parecia no lugar para uma longa vida nas telas. No entanto, o filme foi uma das principais decepções de 2019, com US$ 17,7 milhões, ou R$ 71,3 milhões.

Também tem tragédia de Natal: “Cats”, da Universal. Ser um dos grandes musicais da Broadway não ajudou. Com atores de prestígio e até Taylor Swift no elenco, o longa teve US$ 18,9 milhões, ou R$ 76,1 milhões, de faturamento, e não deve fazer mais de US$ 20 milhões, bem menos que seus US$ 95 milhões, ou R$ 382,2 milhões, de orçamento.

Mas talvez o maior fracasso do ano tenha vindo do gênero animação (especialidade da Disney). “Playmobil - O Filme” tentou seguir o sucesso das versões animadas da concorrente Lego. A produção europeia custou € 63 milhões, ou pouco mais de R$ 282,1 milhões. No mercado americano, a pequena STX entrou como parceira na distribuição; somou US$ 1 milhão, ou R$ 4 milhões. Saiu de cartaz em duas semanas.

E a Disney tem algum fracasso no ano? Claro que tem. Pequenos. “Dumbo” e “Malévola: Dona do Mal” deixaram nas bilheterias US$ 114,8 milhões, ou R$ 462,6 milhões, e US$ 113,3 milhões, ou R$ 456,6 milhões, respectivamente. O primeiro custou US$ 170 milhões; o segundo, uns US$ 185 milhões.

Mas “Dumbo” estava em cartaz quase ao mesmo tempo que “Capitã Marvel”; e um mês depois de “Malévola 2” já estreava “Frozen 2”. Ou seja, os pequenos fracassos foram rapidamente suplantados por ostensivos sucessos.  

Apesar da supremacia, será difícil repetir o êxito na temporada que está começando, quando a Disney não parece ter fichas tão pesadas. Em 2020 não há “Star Wars” ou “Vingadores”, apenas o primeiro filme solo da Viúva Negra, novamente com Scarlett Johansson. “Os Eternos”, mais um do portfólio Marvel, terá de fazer muita força para alcançar os números de “Vingadores”.

Já a principal refilmagem do estúdio a ser lançada é “Mulan”. Espera-se um bom resultado, mas a animação que a inspira não tem o mesmo apelo de “O Rei Leão” ou “Aladdin”, hits do ano passado. Pode ser uma chance para Paramount, Sony, Universal ou Warner voltarem a ser de fato grandes.

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