PSDB diz que admiração por nazismo não é só de Alvim e o compara a Lula

Após secretário de Bolsonaro copiar discurso nazista, partido relembra entrevista em que Lula disse admirar o ditador

São Paulo

Em meio à demissão do secretário de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, Roberto Alvim, após ele ter copiado o ministro da Propaganda da Alemanha nazista em um discurso, a conta oficial do PSDB relembrou nesta sexta-feira (17) uma entrevista de 1979 em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou admirar Hitler.

O partido compartilhou reportagem da Folha que cita a entrevista. A declaração de Lula foi dada à revista Playboy e preocupou o comando da campanha presidencial do PT daquele ano. 

Acompanhado da reportagem, o PSDB escreveu: "A admiração pelo nazismo não é exclusividade de alguns da cúpula desse governo...", em referência à gestão Bolsonaro.

Na época, quando questionado pela Playboy sobre quais líderes admirava, Lula citou figuras como Tiradentes, Gandhi, Che Guevara, Fidel Castro e Mao Tsé-tung.

Sobre Hitler, disse que "mesmo errado", tinha aquilo que ele admirava em um homem: "O fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer".

Questionado pela Folha em 1994, Lula disse desconhecer a entrevista na Playboy.

Na manhã desta sexta-feira, a Secretaria Especial da Cultura informou por sua assessoria de imprensa que o secretário Roberto Alvim foi demitido do cargo.

A exoneração acontece após Alvim parafrasear um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, em um vídeo divulgado no dia anterior sobre o lançamento do Prêmio Nacional das Artes.

"A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional [...], ou então não será nada", afirmou Alvim.

Em maio de 1933, Goebbels, então ministro da Propaganda da Alemanha nazista, disse: "A arte alemã da próxima década será heroica, [...] será nacional [...], ou então não será nada".

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também se manifestou nas redes sociais: "Lamentável que nos dias de hoje alguém faça apologia ao nazismo", escreveu. "Uma vergonha e deplorável, sobretudo por vir de um representante público", completou.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificou a fala de Alvim como inaceitável: “O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo”.

Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, também condenou o discurso de Alvim, considerando-o "acintoso, descabido e infeliz".

Depois que a exoneração do secretário de Cultura veio a público, Bolsonaro afirmou em redes sociais que Alvim fez um "pronunciamento infeliz" e, "ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência".​

Reunidos para um encontro do PT nesta sexta-feira (17) em São Paulo, os principais dirigentes da legenda preferiram ignorar a provocação do PSDB na rede social.

Assessores de Lula disseram que os tucanos buscavam apenas aparecer à custa do nome do ex-presidente, com base em uma comparação esdrúxula. A orientação foi desconsiderar a mensagem tucana e deixá-la sem resposta.

Nenhum dos parlamentares e líderes presentes à reunião, em um hotel na região central da capital paulista, foi às redes sociais defender Lula do ataque.

Questionada pela Folha na saída do evento, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, rebateu a alfinetada e disse que "o PSDB é oportunista e ressentido".

"É oportunista por usar essa situação que não tem nenhum lastro com a verdade, e ressentido porque deu o golpe [impeachment de Dilma] e acabou. Quem é o PSDB hoje?", afirmou a deputada federal.

Sobre a fala de Alvim associada ao nazismo, Gleisi disse que não basta a demissão do secretário do governo Bolsonaro e que é necessário "tirar esse governo".

"Não adianta demitir. Demitir não é suficiente. Esse é o DNA do governo. Seus ministros, seus apoiadores pensam desse jeito. É que esse [Alvim] externou demais, ficou muito feio, aí tiraram. Mas é o que esse governo pensa", afirmou.

"A necessidade era realmente a gente tirar esse governo, ter eleição e ter um governo democrático para conduzir o Brasil", completou.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do informado, a entrevista com Lula ocorreu em 1979, e não em 1994

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