Descrição de chapéu Televisão

TV paga aposta no ao vivo para manter audiência e concorrer com o streaming

Pela primeira vez em mais de dez anos, o canal mais bem posicionado no ranking de mais vistos não é infantil

São Paulo

Com uma perda média de 166 mil assinantes de televisão por mês em 2019, se dão por felizes os canais que oscilaram 0,01 ponto na audiência nos últimos dois anos no ranking dos dez mais bem posicionados na televisão paga. 

São os casos do SporTV e da GloboNews —esta manteve a sétima posição de 2018 para 2019, caindo de 0,18 para 0,17 ponto (mesmo índice de 2017, quando esteve em décimo lugar).

A pequena alta de 2018 na GloboNews é atribuída pela Globo ao calendário de eleições, quando os noticiários tiveram maior audiência.

Jair Bolsonaro assiste ao discurso do presidente americano, Donald Trump, sobre os conflitos com o Irã, em live veiculada nesta quarta (8) no Facebook
Jair Bolsonaro assiste ao discurso do presidente americano, Donald Trump, sobre os conflitos com o Irã, em live veiculada nesta quarta (8) no Facebook - Reprodução
 

Pela primeira vez em mais de dez anos, o canal mais bem posicionado na TV paga brasileira não é infantil.

O topo hoje está com o Viva e com o SporTV. Mas, se há dois anos Discovery Kids e Cartoon Network lideravam esse ranking empatados com 0,41 ponto, os novos ocupantes estão posicionados com bem menos: 0,29 cada um.

Os dados se referem às médias dos canais obtidas nas 24 horas de cada dia do ano, segundo o PNT, o Painel Nacional de Televisão, do Kantar Ibope, que mede as 15 regiões metropolitanas de maior consumo do país.

Presidente do Instituto Locomotiva (ex-Data Popular), especializado em comportamento e consumo, Renato Meirelles avalia que os conteúdos ao vivo são o maior trunfo mantido pela TV, o que explica que o nicho das chamadas “hard news”, o das notícias quentes, ainda seja um dos pontos mais relevantes para quem mantém a assinatura de televisão.

“Tudo que for ao vivo vai bem. Ter TV por assinatura para ver série, filme ou infantis já não é tão atrativo e não é só pela Netflix. Há um movimento forte com a Amazon, a própria Globoplay e uma ampliação de 
plataformas sob demanda.”

Meirelles cita ainda a questão comportamental. “A TV por assinatura funcionava na centralidade da TV na sala, e ver TV na sala com a família reunida é cada vez mais raro.”

Muitos degraus abaixo da GloboNews, mal localizada no lineup das operadoras, a BandNews caiu de 38º para 40º lugar na lista, mas também oscilou 0,01 ponto de 2017 para cá, com vantagem em 2018, ano eleitoral.

“O segmento de ‘hard news’ ainda tem uma força muito grande, mesmo em um cenário em que as pessoas infelizmente começam a duvidar do jornalismo”, diz, citando o questionamento do ofício puxado pelo bolsonarismo.

Na madrugada de terça (7) para quarta-feira (8), por exemplo, a GloboNews liderou a audiência da TV paga com uma transmissão ao vivo de quase quatro horas dos ataques do Irã às bases americanas no Iraque. Até o presidente Jair Bolsonaro foi visto assistindo ao canal.

A grande zebra desse diagnóstico que exclui o entretenimento da linha de frente na TV paga é o Viva, sustentado por produções antigas da Globo. O canal caiu de 0,28 ponto em 2017 para 0,18 em 2018, ressurgindo como o  maior crescimento do setor em 2019, a ponto de fechar o ano com 0,29.

Ironicamente, seu maior concorrente passou a ser, desde o último semestre, a Globoplay, que passou a oferecer dezenas de novelas antigas.

De modo geral, a TV paga perdeu 10% de audiência de 2018 para 2019. No bolo das TVs abertas, a fatia que cabe aos canais pagos no universo de TVs ligadas caiu de 18,3% para 16,5% na média das 24 horas de cada dia do ano do PNT.

O total de TV ligadas se manteve em 37%, o que endossa a força da TV aberta, segmento que vem envelhecendo.

Estudo recente do Instituto Locomotiva aponta o público acima dos 50 anos (que corresponde a cerca de 54 milhões de pessoas) como o maior consumidor do país e o mais fiel à TV, especialmente a paga.

De acordo com a pesquisa, 75% dessas pessoas assistem à TV diariamente e 47% assinam TV. “É um público habituado à ditadura da grade de programação”, explica Meirelles.

Nas demais faixas, é irreversível a busca pelos serviços sob demanda, com a sensação de quem não tem mais de pagar por canais indesejáveis. “Mesmo que você venha a gastar mais, pelo menos estará pagando pelo que quer.”

A TV paga fechou novembro de 2019 com 15,92 milhões de assinantes, segundo os dados mais recentes da Anatel.

Os canais pagos mais vistos de 2019

SporTV e Viva
0,29 ponto

Discovery Kids
0,28 ponto

Cartoon Network
0,27 ponto

AXN
0,2 pontos

Megapix
0,19 ponto

Discovery Channel, GloboNews e TNT
0,17 ponto

Dados do PNT, que abrangem as 15 principais regiões metropolitanas do Brasil na média das 24 horas de cada dia do ano. Cada ponto equivalia, em 2019, a 711.081 indivíduos

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