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Cinema

'Um Espião Animal' tem piadas infantis, mas parodia '007' muito bem

Nova animação da Blue Sky se distancia de filmes da Disney, apesar de agora integrar portfólio da empresa

Um Espião Animal

  • Quando Estreia nesta quinta (23)
  • Classificação 10 anos
  • Produção EUA, 2019
  • Direção Nick Bruno e Troy Quane

Às vezes é difícil olhar para os lados no ramo da animação, um gênero no qual a Disney se faz tão presente —e isso já há tanto tempo— que, ao menos para adultos, é raro se dar ao trabalho de assistir a produções animadas vindas de outros lugares.

Mas, para além de Mickey Mouse e de sua subsidiária Pixar, o gênero vem ganhando cada vez mais espaço nos estúdios hollywoodianos, que viram nos desenhos uma boa fonte de renda. Warner, Sony e Universal são exemplos de gigantes que passaram a olhar com mais carinho para o gênero e que conseguiram criar bons filmes recentemente.

Fortificada com os frutos da saga “A Era do Gelo”, a Blue Sky já abasteceu esse universo com títulos razoáveis —e outros nem tanto. Agora, lança um divertido acerto: “Um Espião Animal”.

A ironia, no entanto, é que o estúdio pertencia à Fox, que por sua vez foi comprada pela Disney, que agora tem outra subsidiária animada sob suas orelhas redondas.

Isso faz de “Um Espião Animal” uma animação do Walt Disney Animation Studios? Oficialmente, não —e nem mesmo informalmente. O filme tem uma voz própria, se distanciando absurdamente da Disney, principalmente por sua estética.

Com seus personagens de quadris finos e mãos avantajadas, o longa acompanha um espião americano que, após falhar em uma missão, se vê preso à armação de um vilão e perde o apoio da agência para a qual trabalha.

Sua única opção é recorrer a um jovem inventor, que ele próprio havia demitido. O garoto, então, o transforma em um pombo para que ele consiga reaver sua reputação. A premissa pode parecer besta, mas é trabalhada de forma criativa e engenhosa.

Logo no início de “Um Espião Animal”, os elegantes créditos iniciais já fazem um aceno à franquia “007”, que será parodiada ao longo de todo o filme. Suas cenas de ação, inclusive, são muito bem feitas e aparecem aliadas a pitadas de humor.

Humor esse que nem sempre funciona —e que às vezes recorre a piadas infantilizadas, distanciando o público adulto da história.

Mas por outro lado, há elementos intrínsecos à trama que a trazem mais para perto dos tempos atuais. A presença de tecnologia é constante, graças ao drone que é o centro dos problemas do herói, e há ainda diversidade no elenco e menções à recente invasão cultural sul-coreana pelo mundo —o inventor Walter é obcecado pelas novelas daquele país.

Tudo isso costurado por ótimas cenas de ação e por diálogos um tanto fracos, que certamente poderiam ser mais lapidados. Pouco lapidados são também os personagens figurantes, cujas feições muitas vezes parecem vazias e genéricas por causa da falta de detalhes.

Essa é uma pequenina e quase imperceptível característica, mas que mostra o porquê da supremacia Disney nas animações (o filme já estava praticamente finalizado quando o estúdio comprou a Fox), pelo menos do lado de cá do globo terrestre.

Mesmo assim, é bom ver o gênero evoluindo para além das fantasias musicadas de Mickey Mouse.

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