Corte de vagas nos cursos artísticos do Theatro Municipal de SP gera protestos

Projeto prevê redução de 600 para 450 vagas na escola de música da fundação e de 372 para 240 na de dança

São Paulo

A proposta para nova gestão do complexo do Theatro Municipal de São Paulo têm sido criticada em uma consulta pública lançada pela prefeitura na última segunda-feira (17) e foi alvo de abaixo-assinado.

Em dois dias, o abaixo-assinado intitulado "Contra o Desmonte da Escola Municipal de Música" reuniu mais de 32 mil assinaturas até o final da tarde desta quarta.

Fachada do Theatro Municipal de São Paulo à noite
Fachada do Theatro Municipal de São Paulo à noite - Divulgação


A maioria dos posicionamentos é em protesto ao fechamento de vagas para alunos e cursos nas escolas municipais de dança e de música. Segundo o projeto, está previsto na escola de música uma redução de 600 vagas para 450, enquanto que na de dança deverá despencar de 372 para 240.

Após receber sugestões, a Secretaria de Cultura deve publicar o edital no dia 9 de março e pretende assinar contrato com a gestora do complexo até abril deste ano.

Atualmente o orçamento do complexo, conforme publicado na consulta pública, consome R$ 110 milhões por ano da prefeitura para o Theatro Municipal e mais R$ 14 milhões para a formação de artistas.

O texto também extingue cursos de instrumentos como flauta doce e cravo, além de não citar a continuidade do coro adulto e da orquestra infanto-juvenil.

Haverá um limite de permanência por seis anos nas escolas de dança e de música. Atualmente ambas oferecem curso com duração entre 9 e 12 anos e sem limites de idade para se matricular.

Na nova gestão, o aluno deverá ser aceito a partir dos 12 anos. Com algumas exceções os talentos extraordinários, como descreve o texto, poderão começar mais cedo.

​No curso de piano e violino, é possível iniciar a partir dos 10 anos. Há uma estimativa de 50 vagas para crianças de 9 e 11 anos no curso de iniciação musical.

“Com 39 anos de carreira musical, fui aluno desta instituição. Há que preservar aquilo que funciona”, postou Ruy Deutsch, no abaixo-assinado intitulado 'Contra o desmonte da Escola Municipal de Música'.

“Querem desmontar a história de 50 anos de excelência do ensino musical”, afirmou Regina Kinjo.

Na consulta pública há relatos como o da professora Arlene Vicente Fátima, “onde está a flauta doce? O único instrumento antigo, vocês querem extinguir? E o cravo? Um absurdo total. Vocês não tem noção nenhuma de cultura”.

Jhonatas Aguiar Costa, que se apresenta como aluno de saxofone desde 2018, pede explicações sobre a redução de vagas para o curso deste instrumento, “tendo em vista a alta demanda”.

Murilo Junqueira se manifestou contra a diminuição de matrículas para crianças. “A escola é fonte de esperança e oportunidade de um futuro melhor.”

O contrato entre Secretaria de Cultura, Fundação Theatro Municipal e a organização social terá duração de quatro anos. São três acordos, uma para o teatro, um para escola de dança e o outro para escola de música.

A Secretaria Municipal de Cultura disse, em nota enviada à Folha, que as mudanças fazem parte de um projeto de reestruturação e garantiu que os atuais alunos não serão desligados.

“A diminuição do número de vagas de 16,7%, na Escola de Música (de 600 para 500 alunos) e de 14%, na Escola de Dança (de 372 para 320) visa ajustar o novo projeto e as melhorias que serão introduzidas à lei orçamentária já aprovada para 2020. Não há corte de recursos”, afirmou a pasta.

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