Descrição de chapéu Livros

Governo Lula teve crescimento, redução da pobreza e mensalão

Petista é tema do 26° volume da Coleção Folha - A República Brasileira

São Paulo

Em junho de 2002, durante a pré-campanha para a eleição à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou a Carta ao Povo Brasileiro, um documento que ganhou peso histórico nos anos seguintes.

Ao longo do texto, a palavra “mercado” aparecia seis vezes, mesmo número de menções a “povo”, uma equivalência que não acontecia por acaso, como se constatou ao longo dos dois mandatos do presidente (2003 a 2006 e 2007 a 2010).

Lula havia perdido três vezes em corridas para o Planalto: para Fernando Collor de Mello, em 1989, e para Fernando Henrique Cardoso, em duas ocasiões: 1994 e 1998. 

Uma das saídas para evitar a quarta derrota consecutiva foi se afastar de uma cartilha mais radical, ampliando o rol de alianças políticas e fazendo acenos ao empresariado e ao mercado financeiro, como ficou demonstrado na Carta ao Povo Brasileiro.

Era a aposta no modelo “Lulinha paz e amor”.

Deu certo. O petista venceu José Serra (PSDB) no segundo turno da disputa e se tornou o primeiro líder de um partido de esquerda eleito para presidir o país.  

No dia 1° de janeiro de 2003, em Brasília, cerca de 150 mil pessoas acompanharam a posse de Lula, tema do 26° volume da Coleção Folha - A República Brasileira. Escrito pelo jornalista Lucas Ferraz, o livro chega às bancas no outro domingo, dia 8 de março.

De acordo com o autor, o êxito da economia e do combate à pobreza nos anos Lula, que levou o presidente a conquistar prestígio mundial, se deve a três fatores principais: 1) o boom das commodities, sustentado sobretudo pela China, onda que beneficiou países emergentes, como o Brasil; 2) a manutenção da bem-sucedida política econômica de FHC, seu antecessor; 3) a adoção de programas sociais capazes de diminuir a desigualdade social no país. 

“O arquiteto [Lula] foi um ex-líder operário capaz de orientar o Estado na direção das necessidades dos mais pobres sem causar convulsões e sem deixar que os mais ricos continuassem a ser beneficiados”, escreveu Ferraz. 

Por outro lado, não foram poucos os casos de corrupção que pipocaram ao longo do primeiro mandato do petista. O maior deles, revelado pela Folha em junho de 2005, foi o mensalão, um esquema de pagamentos a parlamentares para que votassem pelas propostas do governo federal.

O escândalo não impediu, porém, que Lula fosse reeleito em outubro de 2006. Em 2010, ele deixou o Planalto como o presidente mais bem avaliado da história do Brasil.

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