Após surto de coronavírus, museu do Louvre tenta evitar acúmulo de pessoas

Epidemia faz com que turistas e visitantes enfrentem mudanças ao chegar ao espaço

Alex Marshall Constant Méheut
Paris | The New York Times

Muitos boatos circulavam na fila de cerca de 600 pessoas que aguardavam diante do Museu do Louvre na quarta-feira (4); muita gente se questionava se o museu mais visitado do planeta reabriria, depois de três dias de fechamento.

Desde o dia 1º de março, a equipe do Louvre vinha se recusando a trabalhar, por medo de apanhar o coronavírus de algum dos mais de 30 mil visitantes diários que o museu recebe.

“Ninguém explica coisa alguma”, disse Satu Fontanili, de 34 anos, da Finlândia, que estava na fila com o marido e o filho pequeno. “Tudo parece estar normal, mas as portas continuam fechadas.”

“Não acho que vamos ficar aqui no frio por mais uma ou duas horas”, ela acrescentou.

Por volta do meio-dia, as portas do museu se abriram, sem alarde, e as pessoas começaram a entrar.

Os empregados do Louvre votaram no domingo (1º) que suspenderiam seu trabalho, devido a preocupações de segurança, o que estão autorizados a fazer, nos termos da lei francesa.

A administração do museu, o médico da instituição e representantes dos trabalhadores realizaram reuniões na terça-feira (3) ​para considerar medidas de proteção contra o vírus para os empregados e, na manhã de quarta-feira (4), os funcionários votaram por aceitá-las, disse Andre Sacristin, empregado do Louvre e representante sindical, em entrevista por telefone.

Os sindicatos que representam os trabalhadores solicitaram que o número de visitantes admitidos fosse reduzido à metade, mas essa solicitação foi recusada, acrescentou Sacristin.

Os trabalhadores também pediram para ser equipados com máscaras e luvas; o museu concordou em lhes fornecer pequenas embalagens de desinfetante para as mãos, em lugar disso, segundo Sacristin.

O museu também aceitou que as vendas de ingressos acontecessem principalmente por meio de máquinas automáticas. Funcionários operarão dois quiosques de ingressos, mas o farão por trás de barreiras de vidro para evitar contato direto com os visitantes. Eles não manusearão dinheiro, apenas cartões de crédito.

Sophie Grange, diretora assistente de comunicação do Louvre, declarou na manhã desta quarta-feira (4) que cerca de 3.500 ingressos para o dia haviam sido adquiridos online. Essa categoria de vendas em geral responde por 50% do total de visitantes, ela disse.

Depois de comprar os ingressos, a maioria dos visitantes deseja ver uma coisa: a "Mona Lisa", exibida na Salle des États. Christian Galani, empregado do Louvre e representante sindical, disse em entrevista por telefone que havia um acordo para que os guardas não precisassem se movimentar entre as multidões de visitantes à sala para impedir que as pessoas passassem tempo demais diante do quadro e para dispersar grupos grandes que criem gargalos para o movimento na área de exposição.

Por volta das 12h30 da quarta-feira (4), a Salle des États abrigava apenas algumas dezenas de visitantes, que erguiam os celulares para tirar selfies com a "Mona Lisa". Usualmente, centenas de pessoas esperam em fila por um vislumbre da obra-prima, mas a incerteza sobre se o museu abriria ou não levou muita gente a desistir de uma visita.

Quentin Osle-Rudler, um dos seguranças do Louvre, estava posicionado a dois metros do quadro, de guarda. Ele disse que estava incerto do que fazer, por conta da nova ordem de não se deslocar pela sala.

“As pessoas vão se posicionar diante do quadro”, ele acrescentou. “Vai ser uma bagunça”.

Ele disse que estava preocupado com a possibilidade de superlotação na Salle des États, quando as multidões retornarem ao museu, o que aumentaria o risco de transmissão do vírus.

Galani, o representante sindical, disse que novas medidas seriam necessárias. “O problema é que assim que a sala lotar, não vejo como os seguranças poderiam não se expor ao vírus”, ele disse. “Em algum momento, provavelmente teremos de regular o número de visitantes à sala.”

Osle-Rudler, o segurança do Louvre, disse que não considerava que as medidas de segurança de seu museu fossem suficientes e que os empregados poderiam votar por uma nova paralisação, caso se sintam inseguros.

O governo francês estabeleceu neste domingo (8) novas medidas para conter a propagação do Covid-19. Na segunda-feira (9), o museu do Louvre anunciou que restringirá seu acesso a quem comprar um ingresso online ou tenha entrada gratuita, como menores de 18 anos, pessoas com deficiência e professores franceses.

Tradução de Paulo Migliacci

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