Descrição de chapéu Televisão Coronavírus

Audiência de telejornalismo explode durante crise do novo coronavírus

Com grande número de fake news nas redes sociais, pessoas buscam informação qualificada no jornalismo profissional

São Paulo

O número de televisores ligados aumentou com mais gente em casa devido aos alertas contra a expansão do novo coronavírus. Mas um primeiro estudo do Kantar Ibope, que mede o público da TV no Brasil, mostra mais do que isso —em tempos de quarentena, os telejornais viraram campeões de audiência.

O documento ao qual a reportagem teve acesso destaca três pontos —a audiência vem crescendo dia após dia; há um aumento de consumo por jovens e crianças e há um investimento em filmes, realities e jornalismo, o que mais tem rendido audiência às emissoras, abastecendo também os canais de notícias.

Vários canais pagos restritos a pacotes mais caros abriram seus sinais para apoiar a campanha que pede ao público para ficar em casa.

O Globoplay também abriu a não assinantes títulos até então acessados só por quem paga para ver a plataforma.

Enquanto isso, nesta quinta, a Record trocou a série “Casos de Justiça” por uma edição especial sobre o vírus, assunto também programado para o Fala Brasil deste sábado, das 7h às 12h. E até a Globo Internacional anunciou mudanças na grade, ampliando a informação sobre a Covid-19 para brasileiros que moram no exterior, de acordo com o sinal do canal em cada continente.

O Jornal Nacional, noticiário mais visto do país, com edições quase monotemáticas sobre a Covid-19, marcou 37 pontos na Grande São Paulo, onde cada um deles equivale a 203 mil pessoas, no saldo entre a segunda e quarta desta semana.

É sua maior soma em nove anos na região, desde janeiro de 2011. No Rio de Janeiro, onde cada ponto corresponde a 121 mil pessoas, a média do noticiário nos três dias foi de 38 pontos, recorde dos últimos oito anos, desde julho de 2012.

Na média do dia, entre 7h e 0h, a TV Cultura, com programação infantil e de informação, foi a que mais cresceu em termos percentuais na Grande São Paulo, indo de um ponto —média do mês de março até o dia 13— até 1,7 na quarta, com 40% de crescimento entre um período e outro.

Tomando os mesmos parâmetros, a Globo cresceu 21%, somando 19,8 pontos de média nesta semana, ante 16,3 pontos registrados entre 2 e 13 de março. Já a Band, também na TV aberta, teve 8% de crescimento, enquanto todos os canais da TV paga aparecem com 12% de progresso.

Embora a Record tenha tido aumento de audiência nos telejornais, não se registrou, nos últimos dias, crescimento na média diária. Gazeta e RedeTV! também zeraram. O SBT, rede que menos mexeu na programação em função do vírus, teve 7% de crescimento entre um período e outro.

Nesse contexto, o crescimento da GloboNews, canal de jornalismo de maior audiência entre os pagos do segmento, evidencia a valorização da informação produzida por fontes profissionais.

Em razão do gigantesco volume de mensagens que circulam no WhatsApp sobre o coronavírus, boa parte disso com dados e dicas contraditórias, há uma busca por fontes críveis, o que também alimentou as audiências da Bandnews, Record News e de portais de notícias na internet.

Lançada nesta semana, a CNN Brasil não tem dados anteriores que possam mensurar a dimensão do assunto na sua audiência.

Desde domingo, a GloboNews assumiu a liderança isolada no ranking de TV por assinatura do Painel Nacional de TV, o PNT, que mede a audiência das 15 maiores regiões metropolitanas do país e onde cada ponto equivale a 703 mil pessoas. Na média total do ano passado, o canal se dava por feliz com o sétimo lugar, empatado com o Discovery.

Na última terça, dia 17 de março, a GloboNews fez a maior audiência desde o mesmo mês do ano passado, com 19 horas e meia de programação ao vivo, quase toda tomada por informações sobre o novo coronavírus. Calculando que quase 3 milhões de telespectadores tenham passado pelo canal, segundo dados da própria emissora, seu crescimento foi de 94% em relação à média das terças-feiras neste ano.

Todos os telejornais do canal apresentam crescimento expressivo na comparação com a média do ano, alguns chegando ao dobro da audiência média do ano de 2020.

Na TV aberta, o jornalismo da Globo também registra grande avanço nos números. No dia 17, a emissora teve sua maior audiência ao longo do dia todo, das 7h à 0h, com 20 pontos de média —patamar que dá 18% de crescimento em relação ao ano e ao seu maior placar desde julho de 2018, em dias de Copa do Mundo.

Na terça-feira, o Bom Dia Brasil fez 12 pontos no PNT e o Jornal Hoje, 17, um crescimento acima de 30%.

A Band, que abriu horas extras na programação desde o dia 16, plano que já estava previsto havia mais de um mês, intensificou seu volume de informações no momento oportuno. O Primeiro Jornal, que entra no ar às 3h45, obteve 0,4 ponto, o que, para a emissora, representa o dobro da média anterior no horário, até as 5h.

O Bora Brasil, também na nova grade matutina da emissora, rendeu 71% de crescimento à faixa, com média de 1,2 ponto e dois pontos de pico. À noite, o Jornal da Band marcou 5,1 pontos esta semana, indicando 19% de crescimento.

O interesse do público sobre o assunto tem alimentado também os programas de entretenimento na Globo, na Record e na RedeTV!. No SBT, o tema se restringe mesmo aos telejornais ou ao ”Fofocalizando”, quando aparecem artistas com suspeitas de terem contraído a Covid-19 .

Já a Globo derrubou o “Mais Você”, o “Encontro com Fátima Bernardes” e o “Se Joga” para abraçar a cobertura sobre o assunto no Brasil e no mundo.

Pela primeira vez desde que o substituto do “Vídeo Show” foi lançado, a emissora tem batido constantemente o quadro de fofocas da Record, a “Hora da Venenosa”. Com o dobro da audiência antes registrada pelo show de Fernanda Gentil, essa faixa horária na Globo saltou de oito pontos na Grande São Paulo para mais de 15.

O Combate ao Coronavírus, que tomou o espaço de Fátima Bernardes, ultrapassa dez pontos, audiência superior ao ocupante original do horário.

Com home office e aulas presenciais suspensas, a família volta a se encontrar em torno do televisor, um hábito que vinha se desgastando na era do streaming e das telas individuais. Essa inversão de tendência é pautada em especial pelo interesse pela informação sobre um momento absolutamente inédito.

O Kantar Ibope aponta que foi de 12% a participação de crianças de quatro a 11 anos no crescimento da audiência do início desta semana.

Assunto que interessa a todos, no mundo inteiro, o novo coronavírus se mostra inesgotável na demanda do público por informações.​

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