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Como o coronavírus pode atrapalhar a quarta fase do Universo Marvel

'Acho que muitos filmes vão se atropelar, muita coisa vai ser lançada em um período curto', diz Roberto Sadovski

Guilherme Machado
São Paulo | UOL

Era julho de 2019. Em um pavilhão lotado da San Diego Comic Con, o chefão da Marvel, Kevin Feige, anunciava para os presentes e para todo o mundo a tão aguardada quarta fase do Universo Cinematográfico Marvel, conhecido popularmente como MCU.

Uma promessa de filmes e séries que já deixava os fãs mais que eufóricos, com aquela que seria a nova etapa de um verdadeiro império cinematográfico. Menos de um ano depois, tudo mudou: hoje, aquele salão já não estaria mais cheio, por causa da pandemia de coronavírus que se alastra pelo mundo.

A realidade da Covid-19 atingiu em cheio a indústria cultural, com uma série de lançamentos adiados e projetos paralisados. Mesmo com toda a sua força, nem a Marvel resistiu. A produção do filme "Shang-Chi" parou e seu diretor, Destin Daniel Cretton, fez teste para o coronavírus. A série "Falcão e Soldado Invernal" também teve as gravações suspensas e "Viúva Negra", talvez o maior lançamento do estúdio no cinema neste ano, teve sua estreia postergada. Mas o que tudo isso significa para o Universo Marvel?

O efeito mais aparente tem a ver com a própria estrutura do MCU. Desde o começo, Kevin Feige se orgulhou de como os projetos, incluindo os novos seriados que serão lançados para o serviço de streaming Disney+, estão todos interligados e, por isso, seus lançamentos seguem um cronograma preciso. Com os adiamentos, pode ocorrer um efeito cascata, jogando para o futuro diversos projetos.

A série "WandaVision", por exemplo, está fortemente interligada com o filme "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura", assim como outros produtos. Portanto, um depende do lançamento do outro. O efeito dominó em decorrência das paralisações e dos atrasos pode pôr em xeque a ordem perfeitamente calculada do Universo Marvel. E, como sabemos, o estúdio sempre priorizou deixar o público bem abastecido de conteúdo a cada ano.

Roberto Sadovski colunista de cinema do UOL, frisa que "Viúva Negra" é um longa mais fácil de se reagendar, por se tratar de um prólogo para outras histórias que já vimos. Entretanto, os outros títulos poderiam gerar complicações na linha temporal.

Cena do filme ''Homem de Ferro 2'', em que a atriz, Scarlett Johansson, interpreta o papel de Viúva Negra.
Cena do filme ''Homem de Ferro 2'', em que a atriz, Scarlett Johansson, interpreta o papel de Viúva Negra. - Divulgação

"'Os Eternos' pode começar a ser um problema. Daqui até novembro tem muito chão, então eles podem programar 'Viúva Negra' nesse período ou até lançar depois", diz Sadovski.

Existe também o lado econômico: o MCU é um dos carros-chefe de bilheteria da Disney —no ano passado, "Vingadores: Ultimato" se tornou o filme de maior bilheteria da história, arrecadando mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões) internacionalmente. Analistas já estimam que a própria Disney pode ter um prejuízo de de bilhões de dólares.

O site Screen Rant estimou que "Viúva Negra" arrecadaria US$ 115 milhões (R$ 591,5 milhões) nos Estados Unidos em seu lançamento original, que seria no dia 1º de maio. Com a mudança de data, ainda não definida, fica difícil saber de que formas a bilheteira do longa pode ser afetada —ainda mais se considerarmos que os lançamentos e eventos culturais estão todos se amontoando no segundo semestre.

"Tudo agora é uma incógnita. Eu acho que o público ainda vai junto, não importa quando o filme for lançado. Também não acho que 'Viúva Negra' foi desenhado para ser um filme de US$ 1 bilhão, como tudo que eles fazem. As pessoas estão meio ávidas por filmão e vão ficar mais ainda com o tempo que vai levar para esses filmes lançarem", destaca Sadovski.

Neste sentido, ele diz que marca Marvel deve sair ilesa, mas outros filmes individuais com potencial podem ser afogados em meio ao processo.

"É um território completamente desconhecido. Acho que muitos filmes vão se atropelar, muita coisa vai ter que se lançada em um período de tempo mais curto", enfatiza.

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