Coronavírus faz museus e teatros investirem em álcool em gel, luvas e máscaras

Centros culturais tomam medidas para evitar que se tornem locais de propagação do vírus

Julia Jacobs
Nova York | The New York Times

Em alguns teatros, lanterninhas estão usando luvas de borracha. Museus estão instalando recipientes de álcool em gel para mãos como se fossem obras de arte. Visitantes estão sendo instruídos a ficar em casa.

Com o avanço do coronavírus, teatros, museus, salas de concerto e centros culturais estão conscientes de que podem se tornar locais de propagação do vírus —e tentam evitar isso.

No setor de cultura e entretenimento, em que as vendas de ingressos são cruciais para a sobrevivência, as companhias esperam que o surto não piore. Mas os administradores já estão enfrentando diferentes cenários, não só de cancelamentos ou adiamentos de programação.

Tensões trabalhistas e negociações com seguradoras são uma realidade. Sindicatos dizem que vão trabalhar para garantir que seus membros tenham seus empregos protegidos e sejam pagos, mesmo que não possam trabalhar por causa da pandemia.

Muitos museus, teatros, salas de concerto e companhias de dança estão se informando sobre como o novo coronavírus pode afetar seus negócios. As apólices de seguros dessas instituições cobrem doenças infecciosas? Se uma apresentação for cancelada, os artistas precisam continuar a ser pagos? Por quanto tempo?

Outra medida é o material fornecido a funcionários e visitantes. À medida que o número de casos de coronavírus sobe nos estados de Washington, Califórnia e Nova York, alguns museus e teatros até podem continuar a funcionar normalmente –mas com muito mais álcool em gel.

Nesta semana, no museu Whitney de Arte Americana, em Nova York, trabalhadores de manutenção estavam limpando maçanetas, corrimões outras superfícies o dobro de vezes. Nesta quinta-feira (12), contudo, o museu fechou suas portas por tempo indeterminado.

O Museu Hammer, de Los Angeles, instruiu funcionários a abrirem portas para os visitantes, para que estes não precisem tocar coisa alguma. O museu, porém, também irá fechar. Outras instituições colocaram cartazes lembrando espectadores de lavar as mãos.

Enquanto isso, a American Guild of Musical Artists está trabalhando com companhias de dança para que os dançarinos sejam encorajados a ficar em casa quando têm sintomas virais, já que não é possível eliminar o contato físico durante os ensaios.

Homem veste máscara para se proteger de coronavírus em frente ao Museu Guggenheim Bilbao, na Espanha, em março de 2020
Homem veste máscara para se proteger de coronavírus em frente ao Museu Guggenheim Bilbao, na Espanha, em março de 2020 - Vincent West/Reuters

Na região de Seattle, o Museu da História e Indústria, que também foi fechado, adotou nos últimos dias medidas adicionais de limpeza, especialmente limpeza em botões, portas e em um periscópio usado pelos visitantes para olhar a cidade, já que as pessoas encostam o rosto no visor.

Coincidentemente, o museu abrigava uma mostra que registra o fechamento em massa dos teatros da cidade durante a epidemia de gripe espanhola em 1918. Durante o mesmo surto, os teatros da Broadway nova-iorquina ficaram abertos. Desta vez, fecharam.

Tradução de Paulo Migliacci

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