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Gravação de Joesley Batista enfraqueceu governo de Michel Temer

Presidente que deixou o cargo com baixa aprovação é tema do 28º volume da Coleção Folha - A República Brasileira

São Paulo

Os dois anos e meio de Michel Temer (MDB) à frente da Presidência podem ser divididos em duas partes, as reformas que ele e sua equipe conseguiram aprovar e os projetos que foram alardeados pelo governo federal, mas que não seguiram adiante.

Para compreender por que algumas iniciativas morreram pelo caminho, é preciso relembrar dois dias turbulentos da história recente do Brasil, 17 de 18 de maio de 2017.

No dia 17, o jornal O Globo divulgou uma gravação feita pelo empresário Joesley Batista, da JBS, em que surgiram fortes sinais de associação de Temer com atos de corrupção.

No dia seguinte, diante da repercussão do áudio, a bolsa despencou e o dólar teve alta expressiva. O presidente cogitou renunciar ao cargo.

Temer se manteve no Planalto, mas dedicou o restante do seu mandato especialmente à sua defesa.

Temer e Jair Bolsonaro, em seu primeiro ano à frente do governo, são temas do 28º e último volume da Coleção Folha - A República Brasileira. Assinado pelo jornalista Lucas Ferraz, o livro chega às bancas no dia 22.

Com uma trajetória política marcada pela habilidade nas negociações nos bastidores, Temer conseguiu a aprovação no Congresso da PEC (proposta de emenda constitucional) do teto dos gastos públicos.

Manifestantes protestam contra o presidente na av. Paulista em 18 de maio de 2017, logo depois da divulgação das gravações feitas por Joesley Batista
Manifestantes protestam contra o presidente na av. Paulista em 18 de maio de 2017, logo depois da divulgação das gravações feitas por Joesley Batista - Avener Prado/Folhapress

O empresariado apoiou essa PEC assim como aconteceu com a reforma trabalhista, que alterou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) em mais de cem pontos.

O projeto criou o trabalho intermitente, uma prestação de serviços em períodos alternados, e acabou com a obrigatoriedade do imposto sindical, entre outras medidas.

A reforma da Previdência, no entanto, não avançou. “Foi sendo adiada após o escândalo dos grampos da JBS até ser completamente esquecida”, escreve Ferraz.

Vieram outros desdobramentos do chamado Joesley Day. Temer foi o primeiro presidente da história a ser denunciado três vezes pela Procuradoria-Geral da República enquanto no cargo.

Em nenhum momento, ele foi um presidente popular, mas o que era ruim ficou pior a partir dos áudios.
Deixou o cargo com apenas 7% de aprovação. Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda do governo Temer e candidato à Presidência pelo MDB em 2018, conquistou pouco mais de 1% dos votos.

Em 1º de janeiro de 2019, Temer entregou a faixa presidencial ao seu sucessor, Jair Bolsonaro, que “emergiu do chamado baixo clero da Câmara com um discurso de extrema direita”.

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