De 'Lost' a '24 Horas', criadores imaginam como séries veriam o coronavírus

Roteiristas rascunham episódios de seriados famosos ambientados na pandemia

São Paulo

Roteiristas de séries populares nos Estados Unidos imaginaram como seriam episódios de suas criações mais famosas ambientados nesta pandemia de coronavírus, a convite do site Vulture, da revista New York.

Carlton Cuse, criador de "Lost", série encerrada há dez anos depois de seis temporadas, pensou em uma fala do anti-herói Sawyer em que ele se oferece para dar uma ajudinha —possivelmente ilegal— a quem precisar.

"Você se atrasou na sua estocagem para a Covid-19?", pergunta o galã, interpretado na série por Josh Holloway. "Precisa de papel higiênico? Um termômetro ou quem sabe umas pílulas de cloroquina um pouco fora da validade? Vá até GetItFromSawyer.com. Eu devo ter um monte de produtos Dharma de alta qualidade disponíveis."

Howard Gordon, criador de "24 Horas", série que também levou seus últimos episódios ao ar em 2010, imaginou Jack Bauer, papel de Kiefer Sutherland, seguindo estritamente as regras de distanciamento social para o bem maior e aproveitando o mês grátis da plataforma Disney+.

Mas também aventou a chance de o policial dar um jeito de encontrar uma máquina do tempo e se mandar para a cidade chinesa de Wuhan, em janeiro, e salvar o dia "antes que a merda batesse no ventilador". "É claro, ninguém de nós jamais saberia que Jack Bauer salvou o mundo mais uma vez. Mas Jack estaria perfeitamente bem com isso."

Tina Fey respondeu imaginando como personagens de "30 Rock", série encerrada há sete anos, reagiriam à pandemia. O comediante Tracy Jordan, vivido por Tracy Morgan, já teria contraído e se recuperado do vírus —"minhas cobras comem morcegos, e eu uso minhas cobras para praticar beijo técnico, então era inevitável!"— e agora estaria contrabandeando itens ilegais para idosos.

O executivo Jack Donaghy, papel de Alec Baldwin, tentaria convencer a roteirista Liz Lemon, interpretada pela própria Fey, a se refugiar numa ilha secreta no litoral do estado americano de Connecticut. "Serão só os mais altos executivos e mulheres com menos de 40 anos, e sim, [Matt] Lauer [ex-apresentador da NBC demitido por escândalos sexuais] estará lá, mas só porque isso era parte do acordo dele anos atrás."

Liz Lemon recusaria o convite por seu desejo de igualitarismo, mas também porque todo mundo provavelmente estaria descalço. "Passo."

A equipe da recém-encerrada "Veep" escreveu um trecho da biografia da presidente fictícia Selina Meyer, interpretada por Julia Louis-Dreyfus. Segundo o texto, ao receber a informação da epidemia na China, ela fica mais interessada no que poderia fazer em relação a outra tragédia –seu pescoço.

"Mas Meyer sabia que uma pandemia poderia ser mortal, e mais importante, ela não gostava de gente doente", escreve a biografia. "Eles a 'enojavam'. Ela não gostava de gente doente de jeito nenhum. Ou de velhos. 'Ou pessoas feias também', lembrou um assessor."

Em "Parks and Recreation", encerrada há cinco anos, o roteirista Mike Schur garante que a protagonista Leslie Knope, papel de Amy Poehler, já saberia de cor todos os protocolos para distanciamento social e os implementaria em 24 horas na cidade de Pawnee. Também escreveria uma música, inspirada em "Imagine", para todos se lembrarem das regras mais importantes.

Já o rabugento Ron, vivido por Nick Offerman, ficaria feliz porque finalmente há uma razão para que ninguém o incomode.

Outra criação de Schur, "The Office", que foi ao ar entre 2005 e 2013, também tem sido objeto do experimento, mas por causa da criatividade de fãs.

Um usuário do Twitter, por exemplo, imaginou um cenário em que Michael Scott, papel de Steve Carell, não ligaria para a quarentena "porque todos têm que estar juntos num momento como esse", Dwight, personagem de Rainn Wilson, age normalmente porque afirma ter imunidade genética ao vírus e o estranho Creed, vivido por Creed Bratton, é de alguma forma o paciente zero.

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