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Filme 'Selah and the Spades' retrata jovens negros sem clichês cinematográficos

A cineasta Tayarisha Poe fala como é lançar o longa, que estreia nesta sexta (17), em meio à pandemia do coronavírus

Los Angeles

Em janeiro de 2019, termos como "isolamento social" e "pandemia" não faziam parte do uso cotidiano. Foi quando Tayarisha Poe, uma diretora negra de 24 anos, ganhou destaque no prestigiado Festival de Sundance com seu filme de estreia, “Selah and the Spades”.

Um ano e três meses depois, a jovem cineasta vê seu longa estrear em diversos países do mundo pelo serviço de streaming Amazon Prime Video, mas em um período sem precedentes para a indústria moderna do entretenimento.

“É um momento estranho para conversarmos sobre cinema, mas pelo menos é uma distração. Não preciso pensar sobre índices de mortalidade ou desemprego”, acredita a americana. “É uma distração bem-vinda.”

Disponível a partir de agora, “Selah and the Spades” é um drama adolescente com ressonância política e social que usa uma escola interna luxuosa como cenário –cinco facções dividem o poder, mas a veterana Selah, papel de Lovie Simone, precisa encontrar uma substituta para passar o bastão do seu reinado como a fornecedora de produtos ilegais do local. Seu alvo é a novata Paloma, interpretada por Celeste O’Connor.

“Fiz parte de um internato e queria escrever sobre essa parte da minha vida. É uma experiência única, mas só representada nos filmes por personagens brancos. Queria capturar o sentimento de ser uma forasteira ao mesmo tempo em que pertencia aquele mundo”, diz a diretora e roteirista, por telefone de sua casa, em Nova York.

Poe faz parte de uma geração que não espera grandes estúdios para começar a contar a própria história. “Os jovens negros são mostrados de maneiras extremas no cinema. Lidam com traumas seguidos ou são jogados contra a pressão de sobreviver no sistema vigente, então era importante contar essa história no colegial”, conta a cineasta.

Um projeto independente tão pequeno normalmente passaria despercebido no meio de tantos lançamentos semanais dos serviços de streaming. No entanto, com o isolamento da população em casa, o consumo de conteúdo digital está alcançando números inéditos. Segundo a empresa de medição Nielsen, 156 bilhões de minutos de streaming foram vistos nos Estados Unidos do meio para o fim de março, o dobro do ano passado.

Streaming é grande parte da vida dos consumidores agora. Vimos um enorme crescimento do setor nas últimas semanas enquanto a Covid-19 se torna mais prevalente em várias regiões do país”, afirma Scott Brown, chefe da divisão de TV da Nielsen.

E a divulgação dos produtos começa a mudar. Longas independentes ou séries que não teriam nenhuma atenção dos executivos estão sendo promovidos via telefone ou entrevistas virtuais. “Não precisamos gastar dinheiro com viagens para divulgar o filme pessoalmente para a imprensa”, conta Poe. “Em vez disso, investimos em mais publicidade online.”

A Netflix, por exemplo, está mantendo suas campanhas de imprensa televisiva para minisséries como “Hollywood” e filmes como “Sérgio” e “Coffee and Kareem”, mas usando o aplicativo Zoom. O Apple TV+ está fazendo o mesmo para o documentário “Beastie Boys Story”. Já “Mrs. America”, da FX, promove lives online com o elenco.

“Apesar de amarmos o cinema, é importante seguir as orientações das organizações de saúde”, pede a atriz Celeste O’Connor, que também estuda saúde pública em Baltimore. “Acho que serviços como o Amazon Prime Video são incríveis, você pode ver ótimos filmes sem sair de casa em diversas cidades do mundo.”

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