MAM do Rio demite dez empregados em meio à pandemia do coronavírus

Mudanças integram plano de reestruturação da nova gestão, mas ex-funcionários criticam museu por falta de sensibilidade

São Paulo

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM do Rio, demitiu ao menos dez empregados em meio à pandemia do novo coronavírus.

Foram dispensadas seis pessoas da limpeza, duas do educativo, uma do design e uma do administrativo entre o fim de março e o início de abril. Eles representavam cerca de um quinto do corpo de funcionários do museu.

Vista de fachada do MAM-RJ (Museu de Arte Moderna) no Rio de Janeiro em 1987 - Vera Sayão - 1987/Folhapress

As demissões, que tiveram início em fevereiro, com o afastamento de outros dois profissionais, foram justificadas pelo MAM como parte de um esforço de reestruturação do museu por Fabio Szwarcwald, que assumiu o cargo de diretor-executivo no início deste ano.

Em nota, a instituição afirma que "a substituição de quadro não tem qualquer relação com a pandemia" e que as demissões partiram de um "minucioso diagnóstico que avaliou as diversas áreas de atuação do museu".

Ela acrescenta que foram efetivadas 11 novas contratações desde o início do ano, de profissionais cujas habilidades específicas são "mais ajustadas aos novos desafios do museu".

Os empregados demitidos criticam, no entanto, a maneira e o momento que o MAM escolheu para as mudanças de quadro. Enquanto durar a pandemia, eles dizem, suas chances de recolocação profissional são mínimas. Além disso, aqueles que tinham vínculos empregatícios perderam, logo agora, suas coberturas de plano de saúde.

É o caso de Eduardo Gomes Chaves, 43, que trabalhava como tesoureiro do MAM. Ele entrou no museu em 1994, como office boy, e ocupou uma série de outras funções até chegar ao setor administrativo.

Ele conta que, após sofrer um acidente de moto em 2018, teve a mobilidade de uma das pernas prejudicada. Sessões de fisioterapia e acupuntura pagas pelo plano permitiram que ele conseguisse andar de muleta.

Agora, no entanto, Gomes Chaves diz não ter condições de manter o tratamento –ele é o único provedor de uma família de cinco membros.

"O museu não é uma fábrica. O salão de exposição nunca foi uma fonte de renda, ele sobrevive de Lei Rouanet e do patrocínio da Petrobras", diz o ex-funcionário. "Essas demissões são uma questão pessoal dele [Szwarcwald], não é uma coisa para diminuir custos."

Colecionador e egresso do mercado financeiro, Fabio Szwarcwald assumiu a direção-executiva do MAM depois de ser exonerado da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, a EAV, pela Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro em novembro. Ele tinha sido afastado 20 dias antes por supostas irregularidades, mas as investigações constataram que "não houve má-fé por parte do servidor”.

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Fabio Szwarcwald retratado quando era diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage - Guito Moreto - 3.mar.2017/ Agência O Globo

Szwarcwald chega ao museu depois de uma das maiores crises financeiras da história da instituição. No ano passado, o MAM do Rio se viu obrigado a vender uma tela do americano Jackson Pollock, a única numa coleção da América Latina, para pagar as contas. Conseguiu pouco mais da metade dos US$ 25 milhões a princípio almejados.

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