Heroína do polonês 'Guerra Fria' vive crooner na Paris do jazz em série 'The Eddy'

Joanna Kulig é estrela de trama, que estreia nesta semana na Netflix e tem episódios dirigidos por Damien Chazelle

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Berlim

A atriz polonesa Joanna Kulig estava em plena filmagem de “Guerra Fria”, o longa que a tornaria mundialmente conhecida, quando assistiu ao musical “La La Land” no cinema. Gostou tanto que passou a ouvir a trilha sonora do longa nos intervalos das gravações.

Mal poderia imaginar que, em sua primeira produção hollywoodiana, seria comandada justamente pelo diretor de “La La Land”, o americano Damien Chazelle. A atriz é uma das estrelas da série “The Eddy”, estreia desta semana na Netflix, produzida e com alguns episódios dirigidos pelo próprio Chazelle.

"The Eddy", série dramática musical de Damien Chazelle
"The Eddy", série dramática musical de Damien Chazelle - Divulgação

É a história do músico americano Elliott, papel de André Holland, que decide abrir um bar de jazz em Paris. Kulig interpreta a crooner do estabelecimento, a polonesa Maja, que não consegue disfarçar na doce voz a melancolia que sente desde que foi abandonada por Elliott.

Mas os problemas dele são ainda maiores. Ele precisa manter o bar mesmo com pouco movimento, recebe a inusitada visita da filha, que o quer levar de volta aos Estados Unidos, e sofre ainda com a perda de um grande amigo, que foi assassinado.

A ação se passa numa Paris multiétnica e jazzística, com o bar The Eddy como cenário dos acontecimentos. “A cena do jazz em Paris é ainda muito forte, grande mesmo. Mas demoraram anos até achar um patrocinador. ‘The Eddy’ é daqueles projetos difíceis de encontrar quem financie. Tive sorte de entrar nos últimos instantes”, disse Kulig ao repórter, no Festival de Berlim, onde a série teve sessões especiais.

A atriz foi convidada para a série e começou a gravar em pouquíssimo tempo. Maja seria vivida por uma atriz americana, mas quando os idealizadores viram “Guerra Fria” —em que Kulig também tem cenas musicais—, decidiram reescrever o papel, fazendo da personagem uma polonesa.

Ao receber o convite, Kulig fazia a campanha do Oscar de “Guerra Fria”, filme indicado em três categorias, e estava nos últimos meses de gravidez.

“Eu me lembro do primeiro encontro [com Chazelle]. Estava para ter o bebê a qualquer momento, então teve de ser perto de onde era o meu hospital”, diz Kulig, com um jeito expansivo e informal atípico entre estrelas de Hollywood. “Conversamos por duas horas e logo encontramos conexões entre nós. Ele tem uma forma de pensar que é metade americana e metade europeia.”

Na primeira etapa da produção, nos Estados Unidos, a polonesa teve dificuldades de se adaptar ao modo hollywoodiano de filmagem. “São sistemas muito, muito diferentes. Os americanos têm muitos assistentes. Você mal termina uma cena, e já vem gente trazendo orientações. Eu me perguntava ‘quantas pessoas mais vão vir aqui e me dizer o que tenho que fazer?’. Então esse primeiro bloco foi muito difícil pra mim. Mas, quando as filmagens começaram na Europa, me senti em casa.”

Em cena, a atriz surge com uma silhueta bastante diferente da que apresentava em “Guerra Fria”. Está bem mais encorpada —afinal, tinha acabado de ter um bebê. Mas os produtores não exigiram emagrecimento em tempo recorde —acharam até mais adequado explorar a naturalidade do físico da atriz.

“A série tem um estilo meio de documentário. Minha aparência ali é aquela que eu tinha quando estávamos filmando, tudo muito natural. É bom aceitar o nosso corpo. Em geral as pessoas têm que estar em forma, perfeitas nos filmes, mas é por isso que eu gosto dessas séries modernas, em que as coisas precisam parecer reais”, diz a atriz.

"The Eddy", série dramática musical de Damien Chazelle
"The Eddy", série dramática musical de Damien Chazelle - Divulgação

“Me perguntaram se eu conseguiria cantar 14 músicas em inglês e duas em francês para a série, e eu disse ‘claro!’. Saí dizendo ‘sim’ para tudo, só que eu não sabia do que estava falando porque, até então, nunca tinha sido mãe”, conta Kulig, com seu forte —porém charmoso— sotaque polonês.

A língua, aliás, também foi um problema. “Levei a minha babá americana para Paris, foi bom porque ela não falava polonês nem francês, só inglês. Então ela me ajudou muito —tive mais progresso com a língua inglesa em poucas semanas em Paris do que em seis meses em Los Angeles”, conta a atriz.

“Foi um ano louco entre o Festival de Cannes [em que ‘Guerra Fria’ estreou, em 2018] e o fim de ‘The Eddy’. Depois resolvi dar um tempo, cuidar mais do meu filho e limpar a minha cabeça, porque um ator precisa disso para encarar um novo personagem. Então vamos esperar a reação do público. Se gostarem, faremos a segunda temporada, e aí já sei que vou ter de me preparar. Serão seis meses de loucura.”

The Eddy

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