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Televisão Maratona

Novo 'O Nome da Rosa' tem cenas chochas com mamilos gratuitos

Com boa direção de arte, série pode matar as saudades de órfãos de 'Game of Thrones'

Disponível a partir desta quinta-feira (7) na plataforma Starzplay

  • Direção Giacomo Battiato

Refilmar clássicos é a típica faca de dois gumes. Ao mesmo tempo em que a simples menção do nome pode arrastar fãs curiosos para a frente da tela, há também o risco de aborrecer os mais devotados. Aconteceu com “Psicose”, de 1960, por exemplo, que, com o remake de 1998, deixou amantes de Hitchcock mais indóceis que Norman Bates.

O Nome da Rosa”, filme de 1986, já não era a primeira vez em que se contava a história do padre franciscano William de Baskerville. A produção foi baseada no romance homônimo do italiano Umberto Eco e adaptou de maneira bastante fiel a trama criada seis anos antes pelo escritor. Levou prêmios e foi um sucesso.

Pois alguém entendeu que era hora de, de novo, levar o livro para o audiovisual –desta vez, em formato de série. “O Nome da Rosa”, que estreou lá fora no ano passado, chega agora ao Brasil, com estreia na plataforma Starzplay. São oito episódios, que recontam na TV aquilo que já se viu no cinema e na literatura.

John Turturro, de cults como “O Grande Lebowski”, de 1989, e “E aí, Meu Irmão,Cadê Você?”, de 2000, produz e estrela a série no papel que, no cinema, foi de Sean Connery, e que à época lhe rendeu um prêmio Bafta de melhor ator.

Interpretando seu jovem ajudante e aspirante a frade Adso –que um dia já foi vivido por Christian Slater, aos 17 anos– está Damian Hardung, ator alemão, de 21 anos. Juntos, Adson e William de Baskerville tentarão desvendar uma série de assassinatos misteriosos em uma abadia do norte da Itália, em 1327, antes que uma importante cúpula aconteça.

A abadia guarda a maior biblioteca medieval do mundo, um imenso labirinto com armadilhas, emboscadas, áreas e passagens secretas, pelas quais é recomendado à dupla não se aventurar durante os sete dias e sete noites que passarão por lá.

Dirigida por Giacomo Battiato, que desde a década de 1970 produz fervorosamente para a TV, “O Nome da Rosa” tem belíssimas paisagens e esmerosa direção de arte, ambas capazes de matar as saudades de órfãos de “Game of Thrones”, que teve seu último capítulo exibido há um ano.

Se a escolha foi proposital, atender ao público sedento pelo épico, pelo sangue e pelas mulheres nuas, “O Nome da Rosa” precisava ter comido um pouco mais de torta com dedo humano. A cena de abertura, por exemplo, exibe uma batalha quase chocha, e o mamilo da garota pelada do quadro seguinte é mais gratuito que filme dublado na TV aberta.

E por falar em dublagem, a versão oferecida aos jornalistas para avaliação antes da estreia trazia esta como única opção de áudio. O que, além de deixar sofríveis os sotaques de alguns personagens, que agora puxam o “R” como se tivessem nascido no interior paulista, impede a devida apreciação da interpretação dos atores.

Mesmo assim, dá para ver que há salvação por baixo do Turturro tupiniquim. Ainda que o Baskerville de Sean Connery, com seus toques de Sherlock Holmes legítimo, vá ficar para sempre em nossos corações, o americano conduz com bem-sucedido esforço sua versão e faz dela a melhor parte da série. Todavia, ainda fica a dúvida do porquê de refilmar o título e se expor, no mínimo, ao alto risco da redundância.

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