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Podcast de Vinicius Calderoni dá lirismo à agonia da pandemia

'Que Dia É Hoje?', com episódios curtos de cinco a dez minutos, se define como 'crônicas ficcionais do absurdo'

Que Dia É Hoje?

  • Onde Disponível em quediaehoje.libsyn.com e nas plataformas de podcasts
  • Direção Vinicius Calderoni
  • Trilha sonora e edição de som Arthur Decloedt

Vinicius Calderoni se estabeleceu nos últimos anos como um dos mais importantes jovens dramaturgos do país com peças engraçadas, de diálogos abundantes e rápidos, que flertam com o absurdo e com o lirismo, como “Ãrrã” e “Os Arqueólogos”. Agora, ele surge com o podcast “Que Dia É Hoje?”, com episódios curtos —de cinco a dez minutos— de cenas do cotidiano da pandemia.

A primeira temporada tem dez capítulos, que são postados três vezes na semana e dos quais cinco já estão disponíveis. Na apresentação, o programa se define como “crônicas ficcionais do absurdo” e não “um diário da quarentena”.

São situações realistas, como a conversa de um casal com seu filho sobre o cansaço do isolamento, ou surreais, como uma assembleia de panelas, que ganham vida nas vozes de atores como Marat Descartes, Alexandre Nero, Gregorio Duvivier, colunista deste jornal, e Luciana Paes —inesquecível em “Ãrrã” ao lado de Thiago Amaral.

As pequenas pílulas de ficção bem acabadas são ideais para ouvir enquanto se prepara um café pela manhã, para suspender, mesmo que por alguns minutos, as más notícias, ainda que sem escapar de todo da realidade que nos agonia. Ou enquanto se olha pela janela, como faz a personagem de um dos capítulos, que sente saudades de ir ao cinema.

Em outro, um jovem escritor, rabugento e preguiçoso, recebe a visita de Shakespeare, que cobra que, assim como fez o bardo, o moço produza uma grande obra em meio à peste.

É uma espécie de alívio ver a imaginação trabalhando com o que hoje nos é dado de interação com o mundo, seja pela televisão, por conversas virtuais ou só pelo sonho, e sendo capaz de fazer humor com situações enfadonhas que viraram corriqueiras, como a limpeza quase paranoica de tudo e as entrevistas coletivas à imprensa de autoridades de saúde.

Ao final de cada capítulo, é possível sorrir, mesmo que seja um sorriso triste.

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