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Série 'O Nome da Rosa' estreia após aprovação do filho de Umberto Eco

John Turturro produz e protagoniza a trama, que foi encomendada pela emissora italiana Rai

São Paulo

Em 1980, “O Nome da Rosa” catapultou o professor de semiótica italiano Umberto Eco à fama, consagrando o autor tanto entre o público, quanto entre a classe intelectual. Ambientado em um monastério do norte da Itália no século 14, o romance põe o leitor no meio de uma investigação sobre uma série de mortes em circunstâncias insólitas.

Seis anos depois, o livro foi adaptado para o cinema, com Sean Connery no papel de William de Baskerville, o frade franciscano encarregado de desvendar aquele mistério.

Agora, quatro décadas mais tarde, John Turturro ainda vê atualidade na obra e decidiu adaptar mais uma vez a trama —só que agora em forma de minissérie.

“O Nome da Rosa” estreia agora no serviço de streaming Starzplay, que nos últimos meses tem comprado os direitos de exibição de várias produções chamativas na América Latina, a fim de bater de frente com gigantes como a Netflix.

Em termos de sinopse, nada muda nos sete episódios da minissérie, encomendada pela emissora italiana Rai.

Turutrro não só produz a trama, como também veste o hábito de William de Baskerville. Ao seu lado, Damian Hardung assume o papel de Adso, que já foi de Christian Slater. Completa o elenco principal o britânico Rupert Everett.

“Eu não assisti ao filme original quando ele foi lançado e eu não acho que isso teria sido muito útil para mim”, diz Turturro sobre a adaptação de 1986. “Era uma versão de duas horas e meia de um livro de 530 páginas, e para esse projeto eu não queria ter que apagar nada.”

Ele deixa claro que é fã de Sean Connery, mas que não podia deixar de associar seu William de Baskerville a James Bond quando assistiu ao longa. “Eu acho que agora tivemos a chance de pôr muito da filosofia de Eco na trama”, afirma.

Os atores Sean Connery (à esq.) e Christian Slater em cena do filme "O Nome da Rosa" (1986), de Jean-Jacques Annaud
Os atores Sean Connery (à esq.) e Christian Slater em cena do filme "O Nome da Rosa" (1986), de Jean-Jacques Annaud - Divulgação

Turturro é bastante protecionista quanto ao magnum opus de Eco, como se tivesse sido escrito por ele mesmo. E ele não poupa elogios à escrita do italiano.

“Ele é um mestre em pôr temas em camadas, em abordar conceitos complexos enquanto mantém a leitura muito prazerosa. Ela nunca parece pesada. Eu criei uma admiração imensa pela escrita do Eco enquanto trabalhava no roteiro da minissérie.”

E, apesar de o autor ter morrido há quatro anos, Turturro se orgulha de ter conquistado a aprovação de seu herdeiro para a série. “Eu sei que seu filho, Stefano, gostou muito dessa adaptação.”

Mas, entre o público e a crítica estrangeira, os elogios não chegaram exatamente aos montes. No agregador de críticas online Rotten Tomatoes, “O Nome da Rosa” alcançou 57% de aprovação desde que estreou em terras estrangeiras, há cerca de um ano. Bem abaixo dos 74% alcançados pelo filme.

A discrepância entre a opinião da família Eco e do público faz sentido, se considerado que o escritor italiano nunca foi fã da adaptação cinematográfica de seu trabalho. E o que surge como principal contraste entre as duas versões é o que Turturro chama de uma “confiança nas palavras de Eco”, na “riqueza da história do livro”.

“O Nome da Rosa” é certamente menos cinematográfica que sua antecessora das telonas, com ritmo mais lento do que o proposto pelo protagonista de Sean Connery, um ator que, afinal, se consagrou pelos filmes de ação.

Críticas e preferências à parte, Turturro gosta de pensar que a relevância da história narrada por Eco nos dias de hoje é o que realmente importa.

“A história vem de um ótimo livro que, infelizmente, ainda é muito pertinente hoje e no mundo em que vivemos, em termos de poder e política”, diz o ator. “As pessoas ainda tentam se destruir, pegam ideias e as subvertem em prol de interesses pessoais. O William de Baskerville surge como uma figura contra o absolutismo, contra as pessoas que têm medo do conhecimento.”

“Em qualquer tipo de ditadura ou governo demagogo, os primeiros a morrer são os intelectuais, escritores, poetas, médicos. E os livros são banidos, queimados porque fazem perguntas às pessoas. Demagogos não perguntam, eles só dão respostas."

The Name of the Rose

  • Onde Disponível na Starzplay

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