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Televisão Maratona

Série sobre Jeffrey Epstein mostra rede que deu suporte a pedófilo

Produção escancara como acordo entre homens poderosos esconde crimes e silencia mulheres

Jeffrey Epstein: Poder e Perversão

  • Onde Disponível na Netflix
  • Direção Lisa Bryant

Um pedófilo, estuprador e traficante de menores que se passa, durante anos, por um bilionário boa-pinta e filantropo cheio de amigos influentes não consegue tal imagem sozinho.

Mais do que mostrar a trajetória de crimes e trambiques de Jeffrey Epstein, o grande trunfo do novo seriado documental da Netflix é evidenciar a rede de apoio e de consentimento de homens poderosos que possibilitou que Epstein se safasse por tanto tempo, silenciando e destruindo mulheres pelo caminho.

O ricaço jantava com prêmios Nobel, viajava de jatinho para sua ilha privada no Caribe com um ex-presidente americano e um príncipe inglês como convidados e, enquanto isso, aliciava adolescentes e as estuprava, por vezes emprestando as meninas a seus camaradas para o mesmo fim. Seu poder, seu dinheiro e seus amigos garantiram que dispusesse de jovens garotas como se dispõe de mercadorias.

Ao explicar toda a história do estuprador em série, de jovem que forjou um diploma a milionário que fez fortuna com trapaças e morreu na prisão, ouvindo jornalistas, ex-patrões, investigadores e advogados, a série consegue traçar o perfil do criminoso arrogante e autoconfiante que se vê acima da lei.

Ao dar amplo espaço para os relatos das sobreviventes, permite que o espectador não só fique enojado ou revoltado com como tudo isso pôde acontecer sob as barbas de tanta gente, mas que tome contato com o lado muitas vezes apagado de histórias como essa.

Escutando mulheres comuns, muitas delas à época adolescentes, descrevendo a complicada teia de medo, privação, impotência, deslumbre e engano na qual se enredaram, é possível um vislumbre de todo o sistema que permite que aconteçam os abusos.

Nos anos 2000, uma repórter descobriu que duas irmãs haviam sido molestadas por Epstein, mas seu editor evitou que o caso, só a ponta do iceberg, viesse a público.

Poucos anos depois, uma investigação policial tentou jogar luz sobre os crimes, mas um acordo na justiça deixou que ele só dormisse por alguns meses numa cadeia cheia de benesses e que suas vítimas fossem tratadas por prostitutas.

Ao construir a narrativa em camadas temporais, porém, o seriado confunde o espectador, que se esforça para guardar nomes, rostos e datas em meio a tantos vaivéns.

Quando começaram as surgir as primeiras acusações contra Harvey Weinstein, foi possível notar que, como bonecas recortadas em papel dobrado —imagem sugerida por uma das sobreviventes na série—, uma mulher que fala puxa outra.

No caso Epstein não foi diferente. Sem surpresa, os dois confraternizaram diversas vezes. E com eles, muitos outros. ​

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