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'Bruxa de Blair' de ficção científica, 'A Vastidão da Noite' é uma joia indie

Diretor, roteirista e atores desconhecidos do grande público lançam o imperdível filme no Amazon Prime Video

A Vastidão da Noite

  • Onde Disponível na Amazon Prime Video
  • Elenco Sierra McCormick, Jake Horowitz, Gail Cronauer
  • Produção EUA, 2020
  • Direção Andrew Patterson


Num momento em que o medo coletivo é de um vírus, que obriga as pessoas a ficarem trancadas em suas casas, um ótimo filme independente surge para relembrar outra época de pânico em sociedade, nos Estados Unidos dos anos 1950, em que um ataque soviético parecia uma questão de quando e não de se. Na cultura, embalada pelo início da corrida espacial que levaria o homem à Lua, esse medo foi traduzido para o perigo da invasão de alienígenas.


"A Vastidão da Noite", disponível no Amazon Prime Video, homenageia aquela época, a ficção científica e seus programas clássicos de TV. Faz pelo gênero o que "Bruxa de Blair" fez duas décadas antes pelo terror, renovando o estilo. Assim como aquele, foi rodado com baixo orçamento e equipe totalmente desconhecida. Só que com cenas mais centradas em closes nos atores e tendo diálogos ou monólogos como fios condutores da trama.


Três são antológicos. Um entre o apresentador de rádio de uma cidadezinha no Novo México de menos de 500 habitantes e uma curiosa estudante de 16 anos. A conversa inicial dos dois, os protagonistas do filme, lembra a abertura de "O Jogador", de 1992, de Robert Altman, pela profusão de acontecimentos narrados de uma só vez, além da rapidez e da qualidade da conversa. Outro diálogo fundamental é de um veterano de guerra negro que conta sua história ao radialista ao vivo, no ar. E o terceiro é um monólogo arrepiante de uma personagem mais velha sobre uma criança, seu filho.

O longa começa botando o espectador imediatamente no clima retrô –uma tomada de uma TV dos anos 1950 em que se passa um programa tipo "Além da Imaginação", que se abre e vira o filme que vamos assistir. Estamos na cidadezinha de Cayuga, e quase toda a população está assistindo a um importante jogo de basquete da escola. Parece que só Everett, o radialista, e Fay, a adolescente, estão pensando em outra coisa. É entre eles que acontece o primeiro diálogo fundamental.

Eis que então coisas estranhas começam a ocorrer. O programa de Everett no rádio é interrompido por uma transmissão misteriosa que soa mais ou menos como um barco alienígena. Um ouvinte que reconhece o som liga para a rádio e conta uma longa história sobre um trabalho secreto do governo no deserto. Chamadas telefônicas para Fay, que é a telefonista da cidade, começam a cair sem motivo aparente. Algo bizarro está acontecendo.

É esperta a decisão de botar a história nos anos 1950, antes que os OVNIs invadissem a cultura pop. A grande sacada da trama é acompanhar Everett e Fay perceberem gradualmente o que se passa. E não, não são os comunistas.

Com a cidade inteira no jogo de basquete, os protagonistas ficam isolados pelas ruas de Cayuga e pegam bicicletas e carros de outras pessoas conforme aparecem necessidades. Sem dar muitos spoilers, vale dizer que o que faz o filme funcionar não é o seu clímax —bom e assustador, talvez um pouco modesto por limitações de orçamento—, mas a dinâmica entre os dois protagonistas.

Everett e Fay começam a história como dois jovens que se acham mais espertos que as outras pessoas e deixam isso claro ao espectador. No meio do filme, estão unidos e tentando desvendar um quebra-cabeça que não para de aumentar e se aproximar do desconhecido. Nas cenas finais, são as únicas pessoas que sabem o que está acontecendo.

"A Vastidão da Noite" não é uma história de amor, os protagonistas não se apaixonam, mas se percebem em uma nova era de conspiração, segredos e paranoia justificada. É uma trama tensa do começo ao fim, uma joia do cinema independente.

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