Carta em que Gauguin e Van Gogh falam de ida a bordel é leiloada por R$ 1,2 milhão

Segundo fundação que a arrematou, ela traz um panorama visionário do que seria o futuro da arte moderna

Bart Meijer
Amsterdã | Reuters

Uma carta escrita pelos artistas Vincent van Gogh e Paul Gauguin em que descrevem visitas a bordéis e discutem suas práticas foi vendida num leilão parisiense por € 210,6 mil, cerca de R$ 1,2 milhão, nesta terça (16).

A carta foi comprada pela Fundanção Vincent Van Gogh, que pretende mostrar suas páginas no museu dedicado a Van Gogh que administra em Amsterdã.

Carta escrita pelos pintores Vincent van Gogh e Paul Gauguin na véspera da sua venda num leilão da casa Drouot, em Paris - Christophe Archambault/AFP

A organização afirmou que o objeto é o mais importante documento sobre o holandês ainda não catalogado por um museu, já que é a única carta que Van Gogh escreveu junto com Gauguin.

Segundo os compradores, a correspondência constrói "um panorama visionário da cooperação artística entre os dois artistas e do que seria o futuro da arte moderna".

Datado de novembro de 1888 e endereçado ao pintor francês Émile Bernard, o texto narra os primeiros dias em que os dois artistas conviveram na chamada Casa Amarela, em Arles, no sul da França. O café com quartos alugados foi imortalizado pelo próprio Van Gogh numa tela a óleo.

Na carta, os pintores discorrem sobre o andamento dos próprios trabalhos, comentando técnicas e interesses.

"Agora, algo que o interessará —fizemos algumas excursões a bordéis, e é possível que passemos a frequentá-los para pintar", diz um trecho. "Nesse momento, Gauguin tem uma tela em progresso do mesmo café noturno que eu pintei, mas com as figuras que vimos nos prostíbulos. Promete ficar belo."

Ainda no texto, Van Gogh descreve Gauguin como uma "criatura desacostumada aos mimos que tem os institutos de uma fera selvagem". "Com Gauguin, sangue e sexo são mais importantes do que a ambição", acrescenta.

Gauguin conviveu com Van Gogh por cerca de dois meses em Arles. O plano era que a colaboração entre eles fosse um primeiro passo em direção ao sonho do holandês de estabelecer uma espécie de colônia utópica de pintores, que seria liderada por Gauguin.

A relação dos dois azedou rapidamente, no entanto. Gauguin se mudou de Arles pouco antes do Natal, depois que Van Gogh cortou parte da orelha durante um surto. Um ano e meio depois, o holandês se suicidou num campo no vilarejo de Auvers-sur-Oise, perto de Paris.

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