Bienal de São Paulo adia edição deste ano para 2021 por causa do coronavírus

Com isso, o evento volta a acontecer em anos ímpares, como quando foi fundado em 1951

São Paulo

A Fundação Bienal de São Paulo anunciou, nesta quarta (1º), que adiará a sua 34ª edição para o ano que vem por causa da pandemia do novo coronavírus. Ela agora acontecerá no período entre 4 de setembro e 5 dezembro de 2021.

A decisão levou em conta as restrições de viagens esperadas no pós-pandemia, afirmou o presidente da Fundação Bienal, José Olympio da Veiga Pereira. Elas impactariam não só a montagem da exposição principal, dificultando o trânsito de artistas e o empréstimo de obras, como a visitação do público, uma vez que tanto o turismo doméstico quanto o internacional não terá voltado ao normal.

A resolução também foi tomada antes que a fundação começasse a ter perdas financeiras mais significativas, adicionou o presidente. "O adiamento gera um desafio principalmente orçamentário, mas que não é insuperável", disse.

Segundo Veiga Pereira, o maior obstáculo agora tem a ver com a perda de receitas por causa da pandemia, em especial aquela obtida com o aluguel do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no parque Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer.

A decisão de agora vem depois do anúncio, em março, de mudanças bem menos radicais na programação. Então, a organização da mostra havia adiado a sua abertura de 5 de setembro para 3 de outubro deste ano.

Além disso, exposições individuais da paulista Clara Ianni e da fotógrafa americana Deana Lawson que antecederiam o evento principal no Pavilhão nos meses de abril e de junho também haviam sido suspensas –um desses solos previstos, da peruana Ximena Garrido-Lecca, chegou a acontecer em fevereiro.

Com as substituições de agora, no entanto, os maiores efeitos devem recair sobre a estrutura pensada pelo curador da edição, Jacopo Crivelli Visconti, e seu time.

Intitulada "Faz Escuro mas eu Canto", a Bienal pretendia se espalhar por 25 museus e instituições de arte da cidade ao expôr nelas obras dos mesmos artistas participantes da mostra principal, no Pavilhão.

Assim, afirmou Crivelli Visconti numa entrevista à Folha no ano passado, o público entraria em contato com a poética individual desses artistas ao mesmo tempo em que poderia, em outro lugar e contexto, ver como essa produção se articularia numa exposição mais temática.

Agora, no entanto, a ideia é que esse "coro", nas palavras do curador, se torne um "poema escrito pouco a pouco", de acordo com a disponibilidade de cada um dos espaços parceiros. Desse modo, as exposições individuais que aconteceriam ao mesmo tempo que a mostra coletiva provavelmente irão antecedê-la ao longo deste e do próximo ano.

"Começaremos esses diálogos em outros termos", diz Crivelli Visconti. "De nossa parte, há um esforço enorme para que as coisas se mantenham o mais próximo do original possível. Mas entendemos que insistir no que estava planejado seria errado à luz de tudo o que está acontecendo. Temos que estar abertos para mudanças."

Crivelli Visconti ainda anunciou que a Bienal tem planos de realizar, ainda este ano, uma mostra menor para introduzir os temas que eles pretendem abordar no evento oficial, com obras de cerca de 20 dos 31 artistas que já foram anunciados.

Já a lista completa de participantes, que deve somar em torno de 90 nomes, será divulgada entre março e abril do ano que vem.

Apesar desses anúncios, o curador ressaltou que o cenário, por enquanto, é de muitas indefinições. "São ações que ainda estão sendo avaliadas. Mas queremos mostrar que estamos engajados em fazer essa Bienal acontecer com reformulações."

Esta é a segunda vez na história do evento, criado em 1951 e considerado o mais importante do calendário de artes plásticas do país, em que ele é adiado em um ano.

Isso também aconteceu com a 22ª edição da mostra, mas por razões mais simples —programada para 1993, ela foi transferida para 1994 para que passasse a ser realizada sempre em anos pares e, assim, não coincidisse com a Bienal de Veneza. Como a tradicional mostra italiana também foi adiada, no caso para 2022, as duas bienais continuarão a acontecer em anos distintos.

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