Descrição de chapéu
Televisão Maratona

'Silêncio na Floresta' é a melhor adaptação de Harlan Coben das 3 disponíveis na Netflix

Série gravada na Polônia com mistério que se alterna em 25 anos supera qualidade de 'Safe' e 'Não Fale com Estranhos'

Safe

  • Elenco Michael C. Hall, Amy James-Kelly, Amanda Abbington
  • Produção 2018; EUA e França
  • Direção Julia Ford, Daniel O'Hara e Daniel Nettheim

Não Confie em Estranhos

  • Elenco Richard Armitage, Siobhan Finneran e Hannah John-Kamen
  • Produção 2020; Reino Unido
  • Direção Daniel O'Hara e Hannah Quinn

Silêncio na Floresta

  • Elenco Grzegorz Damięcki, Agnieszka Grochowska e Hubert Miłkowski
  • Produção 2020; Polônia e EUA
  • Direção Leszek Dawid e Bartosz Konopka

A adaptação de romances policiais para o cinema e a TV é muito frequente e se transformou em um dos subgêneros mais antigos, ora chamado de "thriller" ora de "noir" ou mesmo de "policial", dependendo do período. Raymond Chandler, Dashiell Hammett, Agatha Christie, para ficar apenas em três clássicos, tiveram boa parte de suas obras levada às telas.

Embora não esteja no mesmo panteão do trio acima, o escritor americano Harlan Coben pode ser considerado o autor de policiais por excelência para a geração Netflix. Tanto que três adaptações de seus 31 livros estão disponíveis nesse momento na plataforma. São "Safe", "Não Fale com Estranhos" e, mais recentemente, "Silêncio na Floresta".

O escritor se envolve diretamente na criação das séries baseadas em seus livros. Ele às vezes escreve todos os episódios, às vezes supervisiona o roteiro, outras vezes ganha crédito de produtor-executivo e, de vez em quando, faz uma aparição como ator coadjuvante em um ou mais capítulos.

Foi assim com "Safe", produção de 2018 da Netflix em que assina como criador e produtor. O programa mantem o suspense do primeiro ao oitavo episódio, todos com cerca de 40 minutos de duração, com a história do médico Tom Delaney (Michael C. Hall), que vive em um condomínio de casas com suas duas filhas e, numa manhã, descobre que a mais velha, adolescente, não voltou para casa depois de uma festa.

Ele passa a fazer uma investigação paralela à da polícia e a trama fica mais complexa a cada passo que dá. O namorado da menina também não volta para casa depois da mesma festa, mas seu destino é logo descoberto.

Michael C. Hall (de "A Sete Palmos" e "Dexter") está ótimo como o protagonista da série, dá ao papel central uma força e uma profundida que compensam a mediocridade do resto do elenco.

"Não Fale com Estranhos", produção da Netflix lançada neste ano que também tem oito capítulos de cerca de 40 minutos cada, é talvez a mais fraca. Aqui, o autor do livro assina como roteirista, mas sem detalhamentos de em quais episódios trabalhou.

No enredo, uma mulher jovem, bonita e misteriosa (Hannah John-Kamen) se aproxima de pessoas que levam uma vida aparentemente normal e revela segredos que ameaçam ou acabam de vez com a normalidade da rotina.

De cara, ela destrói o casamento de Adam Price (Richard Armitage), e faz com que sua mulher desapareça sem deixar sinais. Depois, entra na história da detetive Johanna Griffin (Siobhan Finneram), uma mulher recém-divorciada e prestes a se aposentar que planeja uma viagem com sua melhor amiga, Heidi Doyle (Jennifer Saunders, de "Absolutely Fabulous"). Dessa vez, a consequência do segredo é ainda mais terrível. A tal amiga é assassinada dentro do café de que é dona.

Há ainda a narrativa de um adolescente que aparece nu segurando a cabeça decepada de uma alpaca depois de uma festa. O problema aqui é que o suspense por trás da personagem misteriosa, a tal que revela os segredos, é fraco e demora demais a ser revelado. Quando isso acontece, não dá muito para continuar investindo na série.

O que justifica todo esse frisson atual em torno do nome de Harlan Coben é a melhor série entre essas três, e a mais recente, "Silêncio na Floresta". Nela, o escritor aparece como produtor-executivo e assina apenas um episódio como roteirista. São seis no total, de quase uma hora cada.

Toda filmada na Polônia e falada em polonês, se passa em dois momentos. Em 1994, o protagonista, Pawel Kopinski, é adolescente e precisa lidar com as consequências do desaparecimento de dois jovens, entre eles a sua irmã, e a morte de outros dois em um acampamento em que trabalha como monitor.

No tempo atual, Pawel é um promotor em Varsóvia que tenta superar a morte da mulher quando descobre o corpo de um homem assassinado que acredita ter ligação com o sumiço de sua irmã. Se o outro jovem estava vivo até agora, conclui ele, talvez sua irmã também esteja.

Ele passa então a investigar o destino das pessoas com quem esteve conectado a partir do trágico acampamento e vai encontrando obstáculos e pistas pelo caminho. São os episódios mais bem acabados entre os três programas.

Vale a pena assistir em polonês, com legendas. Só assim é possível acompanhar a precisão das interpretações dos personagens, sutis e competentes. Essa é uma minissérie que vicia, mas assistir sem pressa é o melhor caminho.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.