Cinemas do Rio reabrem com clássicos na programação, mas sem grandes títulos

Redes já com salas abertas afirmam que volta das praças de SP e do RJ são fundamentais para os lançamentos mais aguardados

São Paulo

Os cinemas no Rio de Janeiro, que formam uma das principais praças do Brasil, estão autorizados a funcionar e, nesta quinta-feira (1º), com a autorização de abertura das bonbonnières, as redes começam suas atividades com os novos protocolos sanitários e consumo de bebidas e pipoca restrito às salas.

Mas, além das novas regras de higienização, as marcas tiveram que pensar a adaptação da programação depois que a pandemia alterou todo o calendário de grandes lançamentos de 2020. A aposta das redes são em filmes clássicos, blockbusters e lançamentos de distribuidoras independentes. Já os títulos mais importantes devem começar a aparecer para o fim de outubro.

"Não temos grandes lançamentos [atualmente] porque os distribuidores precisam aguardar um pouco mais para ver como vai ficar o mercado", explica Luiz Antonio Silva, diretor de programação da UCI Cinemas, que já tem salas abertas em Manaus, Fortaleza e Belém.

Sala da unidade do JK Iguatemi, em São Paulo, da rede Cinépolis, em simulação dos protocolos sanitários na sala para reabertura
Sala da unidade do JK Iguatemi, em São Paulo, da rede Cinépolis, em simulação dos protocolos sanitários para reabertura - Divulgação

Aparecem na programação da rede, por exemplo, os filmes "Bloodshot" e "Maria e João", que estavam em cartaz antes dos cinemas fecharem. "Naquela ocasião, eles tiveram um resultado médio, e agora as pessoas estão os procurando. Está dando uma sobrevida ao produto." Títulos como "Harry Potter e a Pedra Filosofal", de 2000, e "Matrix", de 1999, também compõem a grade.

"A gente percebe que os títulos de terror têm performado mais que os demais. Os casais não estão muito seguros para ir ver um romance, as crianças não tem como ir com a família ainda. Há filmes de ação que estamos procurando colocar, mas o que está realmente ditando o momento nas salas de cinema são os gêneros de terror", diz Silva.

Sem contar com a reabertura do Rio de Janeiro, cerca de 42 salas da rede estão abertas, o que representa 15% da UCI. "Esse número, dependendendo do investimento que o filme tenha, é complicado para viabilizar o lançamento. É importante que praças como o Rio de Janeiro e São Paulo voltem", afirma o diretor.

Eduardo Chang, diretor de programação do Cinépolis, afirma que, apesar de também abraçarem títulos clássicos na grade da rede, os filmes inéditos são o principal atrativo para o retorno das atividades, segundo as pesquisas de marketing internas da marca.

Títulos como "O Segredo", com uma "mensagem positiva", segundo Chang, "A Maldição do Espelho" e "Scooby! O Filme" estão na programação do Cinépolis, que já reabriu em Belém, Fortaleza, Manaus e São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

"A gente já sabia que não tendo esses dois estados [SP e RJ] e com essas mudanças dos filmes grandes, que foi mais para outubro, novembro, teríamos que trabalhar com distribuidores independentes", conta.

Concorda com ele Ricardo Difini Leite, presidente da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas) e um dos representantes do movimento #JuntosPeloCinema, que está por trás do De Volta para o Cinema, festival que estará em salas de cinema do país com uma seleção de clássicos e blockbusters.

"Em algumas pesquisas ficou constatado que o que motivaria as pessoas a voltar ao cinema, primeiro, é a tranquilidade da higienização das salas, e, em segundo lugar, os filmes novos. As pessoas querem, na verdade, assistir a novos filmes", explica Leite.

O diretor de programação da UCI afirma que lançamento de títulos importantes ficaram para 2021, mas que ainda há filmes de peso para serem vistos ainda em 2020 nos cinemas.

É o caso de "Tenet", de Christopher Nolan, que entrou no circuito americano durante a pandemia e deve chegar na segunda quinzena de outubro. "Viúva Negra", no fim de outubro, e "007 — Sem Tempo Para Morrer", em novembro, também são esperados para aquecer a programação.

Em São Paulo, a maior praça do país, os cinemas serão autorizados a abrir na fase verde —a prefeitura assinou os protocolos para a reabertura dos equipamentos culturais da cidade na última quinta-feira (24).

André Sturm, que comanda o Petra Belas Artes, diz que o cinema também programa festivais com clássicos para reabertura, previstos para as duas primeiras semanas de funcionamento.

"A nossa ideia é assim que tiver a clareza de quais os filmes que vão ter pra lançar, organizar uma programação [com os lançamentos]", explica.

Enquanto a agenda está incerta, o cinema passará filmes em 35 milímetros, títulos dos cineastas Stanley Kubrick e Ingmar Bergman, e terá uma mostra de filmes que ficaram mais de um ano em cartaz no Belas Artes, como o brasileiro "Filosofia na Alcova" e o argentino "O Filho da Noiva".

De acordo com o presidente da Feneec, o setor não está preocupado em ficar sem lançamentos para os próximos meses, mesmo com produções de filmes interrompidas durante a crise sanitária.

"Como temos muitos títulos que foram represados pela pandemia, nós vamos ter uma oferta muito grande de filmes principalmente a partir de janeiro", explica Ricardo Difini Leite. "Haverá esse momento em que vamos exibir filmes que já estavam prontos e vai dar tempo para que, enquanto isso, os demais filmes sejam finalizados. Nós não acreditamos em um período de falta de produto por causa da pandemia", diz.

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