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Idris Elba e astro de 'Stranger Things' são caubóis urbanos no Festival de Toronto

'Concrete Cowboy' faz sua estreia mundial no evento e acompanha uma conflituosa relação entre pai e filho

São Paulo

Idris Elba vestiu as botas e o chapéu de caubói e montou em seu cavalo para chegar ao Festival de Toronto. Não na vida real, mas em cena, no filme “Concrete Cowboy”, que ele estrela e que integra a seleção oficial do evento deste ano.

Dirigido pelo estreante Ricky Staub, o drama familiar é centrado na relação entre pai e filho de Harp, personagem de Elba, e Cole, vivido por Caleb McLaughlin, uma das crianças da série “Stranger Things” —que hoje, na verdade, já tem um elenco principal formado por adolescentes e adultos.

Aos 18 anos, McLaughlin vive, em “Concrete Cowboy”, um jovem problemático que, após ser expulso de mais uma escola, é entregue aos cuidados do pai, um homem distante e solitário. Farta do comportamento do filho, a mãe dirige por mais de 900 quilômetros só para o deixar na porta do antigo companheiro.

Harp não dá muitas explicações sobre sua ausência na vida do filho. Treinador de cavalos, ele prefere a companhia dos equinos e passa os dias nos estábulos onde trabalha.

Cole não tem muita escolha e, apesar do constante estranhamento com o pai, fica por lá mesmo. Até que reencontra um amigo de infância, que ele descobre estar vendendo drogas. E é aí que precisa escolher entre se reconectar com o pai e aprender sobre a vida de caubói urbano que ele leva ou se render aos anseios da sua juventude.

Em conversa com jornalistas no domingo (13), Elba falou sobre como foi construir o vínculo de pai e filho com McLaughlin diante das câmeras e também lembrou seu relacionamento com o próprio pai.

“Há vários componentes que usamos para contar uma boa história. Você quer deixar o público imerso na história e você alcança isso com diversos recursos. Mas, quando falamos de dinâmicas familiares, é mais complicado, porque cada um de nós tem uma visão diferente em relação a isso”, diz o ator.

“Meu pai sempre esteve presente na minha vida. Nós tínhamos uma relação ótima, mas nós não conversávamos tanto quanto eu gostaria de ter conversado. Então eu lia o roteiro de ‘Concrete Cowboy’ em lágrimas, porque eu gostaria de ter tido aqueles momentos e as conversas [de Harp e Cole] com o meu pai.”

Durante a entrevista coletiva, Elba não poupou elogios a McLaughlin, que, apesar da fama conquistada com "Stranger Things", tem em “Concrete Cowboy” seu primeiro papel de peso no cinema.

“Esse é o primeiro filme de Caleb e eu fiquei muito orgulhoso de ver a atuação dele, porque esse é um grande personagem. Eu sou fã dele no seriado e ele era meu fã, então nós usamos isso para nos conectarmos. Nós falávamos sobre nossas relações pessoais com nossos pais, sobre nossas vidas e isso ajudou”, conta Elba.

Ao ser questionado se ficou intimidado por contracenar com Elba, McLaughlin respondeu que, assim que os dois estabeleceram uma relação, foi fácil ficar confortável. “Eu sinto que eu aprendi muito com esse filme, estando nesse set de filmagem”, diz o jovem ator.

“Eu acho que nós criamos uma conexão pessoal e isso ajudou a cultivar o sentimento que vemos no filme.”

Outra relação importante para “Concrete Cowboy” é a dos personagens e seus cavalos. Também na vida real, foi preciso construir um laço com os animais, o que Elba diz ser mais complexo do que parece.

“Vai além de aprender a andar a cavalo, porque você tem que ter um relacionamento com esses animais. Eles sabem quem é você. Eles o entendem e você os precisa entender”, conta. “Quando escolhem um cavalo para você, você precisa treinar com aquele mesmo animal.”

“Eu dava a eles petiscos, conversava com eles, fazia carinho”, complementa McLaughlin, falando sobre sua tática para tornar a experiência diante das câmeras mais fácil e real.

“Concrete Cowboy” é uma adaptação do livro “Ghetto Cowboy”, de Greg Neri, e sua première mundial acontece neste domingo (13), em sessão presencial no Festival de Toronto.

A trama, apesar de ficcional, mergulha no universo verdadeiro do Fletcher Street Urban Riding Club, uma associação na Filadélfia que é parte de uma antiga tradição de caubóis negros, homens e mulheres que se dedicam a cuidar de animais e a promover a interação entre eles e a comunidade onde vivem.

Segundo Elba, descobrir essa subcultura foi especial e ele agora espera poder mostrar isso ao resto do mundo. Durante a pandemia, reforça ele, é importante que as pessoas entendam a importância de se relacionar com as comunidades onde vivem —e também com a família, que, afinal, é o grande tema de “Concrete Cowboy”.

“Você não consegue ver, mas eu desenrolei um tapete vermelho aqui embaixo”, brinca Elba, ao falar sobre a necessidade de ter que apresentar esse filme de forma remota, sem estar presencialmente em Toronto.

“Mas essa situação mostra o quão inovadores nós somos, como nós sempre achamos um caminho. Você não pode parar uma boa história, então eu aplaudo o time do festival por permitir que ele acontecesse em um formato distinto”, diz.

“São tempos diferentes, mas há uma estranha satisfação nisso, em poder contar uma história como a de ‘Concrete Cowboy’ mesmo durante uma pandemia. E, nesse momento, as pessoas vão olhar para esse filme de uma forma muito diferente, elas vão poder refletir graças à relação desses personagens e suas comunidades."

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