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É Tudo Verdade premia documentários sobre ditadura e direitos humanos

'Libelu - Abaixo a Ditadura', de Diógenes Muniz, levou prêmio de melhor documentário brasileiro

São Paulo

O documentário "Libelu - Abaixo a Ditadura", de Diógenes Muniz, foi o vencedor da competição de longas brasileiros do festival É Tudo Verdade, o mais importante do gênero documental no Brasil. Os prêmios foram entregues, neste domingo (4), em uma cerimônia online.

Aqui, o longa trata da Libelu, organização política de estudantes contra o regime militar, que surgiu em 1976 e foi extinta em 1985.

Já a menção honrosa foi dada para dois longas "Segredos do Putumayo", de Aurélio Michiles, sobre Roger Casement (1864-1916) que é considerado o pai dos inquéritos sobre a violação de direitos humanos, e "Fico te Devendo Uma Carta Sobre o Brasil", de Carol Benjamin, que trata de três gerações de uma família que passou pela ditadura brasileira.

Na competição internacional, o vencedor foi o longa "Colectiv", de Alexander Nananu, que aborda a corrupção no sistema de saúde da Romênia que foi descoberto por jornalistas e é costurado a partir de um incêndio numa boate que causou a morte de 37 pessoas.

Nesta categoria, a menção honrosa foi para "O Espião", de Maite Alberdi, que trata de um homem que é convidado a interpretar um espião que precisa se infiltrar num asilo onde, supostamente, um residente está sofrendo maus-tratos.

Entre os curtas, os premiados foram o brasileiro "Filhas de Lavadeiras", de Edileuza Penha de Souza. A obra narra histórias de negras que, graças ao trabalho árduo de suas mães, puderam ir para a escola e refazer os caminhos trilhados por suas antecessoras.

O polonês "Meu País Tão Lindo", de Grzegorz Paprzycki, foi eleito o melhor curta-metragem internacional. O filme fala de duas forças que representam visões de mundo diferentes, a perspectiva esquerdista de país contra a Polônia homogeneizada construída pela extrema direita.

Durante a cerimônia, os diretores de filmes que participaram do festival apresentaram um manifesto contra os rumos da política cultural no país e o abandono da Cinemateca Brasileira.

"O governo de extrema direita de Jair Bolsonaro age, desde o início, para atacar e silenciar os brasileiros que fazem da cultura e da arte seu ofício", disseram. "A atividade audiovisual está paralisada, desde março de 2019, com a suspensão de todos os recursos públicos de filmes e séries, que tem provocado uma taxa crescente de desemprego e a ameaça de paralisia total do setor."

Confira a lista completa de premiados abaixo.

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Melhor longa ou média-metragem brasileiro
"Libelu - Abaixo a Ditadura", de Diógenes Muniz (vencedor)
"Segredos do Putumayo", de Aurélio Michiles (menção honrosa)
"Fico te Devendo uma Carta sobre o Brasil”, de Carol Benjamin (menção honrosa)

Melhor curta-metragem brasileiro
"Filhas de Lavadeiras", de Edileuza Penha de Souza (vencedor)
"Ver a China", de Amanda Carvalho (menção honrosa)

Melhor longa ou média-metragem internacional
"Colectiv", de Alexander Nanau (vencedor)
"O Espião", de Maite Alberdi (menção honrosa)

Melhor curta-metragem internacional
"Meu País Tão Lindo", de Grzegorz Paprzycki (vencedor)
"Saudade", de Denize Galiao (menção honrosa)

Prêmio Aquisição Canal Brasil de Incentivo ao Curta-Metragem
"Filhas de Lavadeiras", de Edileuza Penha de Souza

Prêmio EDT, da Associação de Profissionais de Edição Audiovisual
Adalberto Oliveira, por "Metroréquiem"
André Finotti e Raimo Benedetti, por "A Ponte de Bambu"

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