Descrição de chapéu Coronavírus

Museus, Sescs, cinemas e centros culturais reabrem em São Paulo com a fase verde

Após anúncio desta sexta, setor cultural pode voltar seguindo protocolos de higiene e distanciamento social

São Paulo

A capital paulista chegou à fase verde do Plano São Paulo. A mudança foi anunciada pelo governador João Doria em entrevista coletiva nesta sexta-feira (9). Isso significa que, a partir deste sábado (10), museus, teatros, casas de show, bibliotecas e galerias podem reabrir suas portas.

Mas a vida cultural paulistana ainda deve demorar a voltar ao normal. Isso porque os espaços culturais devem seguir uma série de protocolos já assinados pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas. A mudança vale até 16 de novembro, quando será feita uma requalificação.

Obrigatoriedade do uso de máscaras, rotinas de conscientização e educação dos funcionários, desinfecção dos espaços, medição de temperatura dos visitantes, triagem rápida de colaboradores para identificar possíveis casos, distanciamento social, ocupação de 60% da capacidade máxima —tudo isso passa a fazer parte do dia a dia da cultura.

Por ora, eventos só serão permitidos se contarem com, no máximo, 600 pessoas —exceto se conseguirem autorização especial da Secretaria Municipal de Licenciamento. Eventos com mais de 2.000 pessoas ficam proibidos em quaisquer circunstâncias —festas, boates, grandes shows com público em pé e outras atividades que gerem aglomeração continuam proibidos.

Nos teatros, os espectadores deverão ocupar assentos de forma intercalada, deixando dois lugares livres entre as pessoas. Se o local do espetáculo for ocupado por mesas, as cadeiras deverão ter distância de um metro entre si.

Já os locais em que o público fica em pé deverão contar com marcações no chão, para garantir o distanciamento. Os camarins deverão ser utilizados individualmente.

Coisa parecida acontecerá com os cinemas, que terão funcionamento limitado a oito horas e a obrigatoriedade de um metro e meio de distância dentro e fora das salas, o que também interdita algumas poltronas dentro das salas. Os espaços devem se empenhar para evitar que filas se formem.

Segundo Frederico Eckschimidt, epidemiologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, os níveis da doença na cidade, justificam a progressão para a fase verde, mas não se pode esquecer que ela ainda existe. “Vários lugares que abriram acabaram voltando atrás porque as pessoas acabam se descuidando. O que tem que ficar claro é que o problema não acabou e os cuidados tem que ser mantidos. O que muda é a organização dos serviços, mas quem puder ficar em casa deve ficar”, diz.

O que abre em São Paulo

Museus e centro culturais

O Masp reabre na terça-feira (13). O museu prevê um público menor do que a sua média histórica para os próximos meses, levando em conta a limitação de público e a crise econômica que assombra os brasileiros. O museu passa a funcionar de terça-feira a sexta-feira, das 13h às 19h, e, aos sábados e domingos, das 10h às 16h. A reabertura contará com as exposições "Hélio Oiticica: A Dança na Minha Experiência", "Brown: Coreografar a Vida" e "Senga Nengudi: Topologias".

O Centro Cultural Fiesp reabre na quinta (15), com a exposição "Destinos – O Homem Inventa o Homem", que reúne 69 trabalhos, quase todos inéditos, de José Roberto Aguilar. Além disso, volta com as exposições "Retratos de Mulheres por Mulheres", com fotografias de Claudia Andujar, Maureen Bisilliat e Chros Bierrenbach, e "Conexões Urbanas", sobre o universo pop e a cultura urbana do século 20.

A Pinacoteca —incluindo as unidades Luz, Estação Pinacoteca e o Memorial da Resistência de São Paulo— abrirá as portas na quinta (15), com a exposição "Osgêmeos: Segredos".

O Itaú Cultural vai retomar as atividades presenciais na terça-feira (13). O primeiro passo será reabrir exposições inauguradas poucos dias antes da suspensão das atividades. Voltam as mostras "Sandra Cinto: das Ideias na Cabeça aos Olhos no Céu", "Ocupação Rino Levi", além da exposição permanente das coleções Brasiliana e Numismática. Os dias e horários de funcionamento serão reduzidos, de terça a domingo, das 13h às 19h.

Segundo Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, a palavra-chave do pós-pandemia será “hibridismo”. “Adotaremos atividades presenciais de forma integrada com as ações virtuais que cresceram consideravelmente nesse período”, diz, em nota.

O Museu de Arte Moderna anunciou a reabertura de seu espaço físico na próxima terça (13). O público poderá realizar visitas com entrada gratuita, com agendamento prévio pelo site. Na retomada, haverá três mostras inéditas —"Antonio Dias: Derrotas e Vitórias", "Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM - 20 Anos" e "Projeto Parede". A biblioteca do museu terá atendimento por canais digitais e as visitas serão agendadas. O período de permanência no espaço da biblioteca será controlado.

O Museu da Imagem e do Som reabre na semana que vem, na sexta (16), com a exposição "John Lennon em Nova York por Bob Gruen", que foi suspensa temporariamente cinco dias após a sua inauguração, em março.

O Instituto Tomie Ohtake reabre a partir do sábado da semana que vem, dia 17, funcionando inicialmente de sexta a domingo, das 12h às 17h. A reabertura trará duas mostras inéditas e retoma duas interrompidas pela pandemia. Serão inauguradas as exposições dos selecionados do 7º Prêmio EDP nas Artes e do 2º Prêmio de Design Instituto Tomie Ohtake Leroy Merlin. Voltam as individuais de Mariana Palma e de Tomie Ohtake.

O Instituto de Arte Contemporânea segue o mesmo caminho e reabre na terça (13) com a exposição "Luzes da Memória", que comemora a abertura da nova sede da instituição e ficará aberta para visitação de terça a domingo, das 11h às 17h.

O Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo prevê a retomada ainda em outubro, mas sem uma definição de data até o momento. Durante o período em que esteve fechado, o centro cultural deu início a algumas reformas e manutenções no espaço do teatro e do cinema, que devem ser finalizadas na primeira quinzena de outubro.

A Japan House deve reabrir as portas a partir do dia 20 de outubro, com possibilidade de agendamento. A casa passa a operar de terça-feira a domingo, das 11h às 17h. O planejamento da retomada conta com consultoria do Hospital Santa Cruz. Em cartaz, estão as mostras "O Fabuloso Universo de Tomo Koizumi", que apresenta 13 looks do designer, e "Japonésia", com o trabalho do fotógrafo Naoki Ishikawa.

Memorial da América Latina reabre, na terça (13), o Salão de Atos e a biblioteca, além das áreas externas.
O Pavilhão da Criatividade estará em reformas até o final do ano.

A Casa das Rosas reabre na quarta (14), com a exposição "Arteletra em Trânsito" e passa a funcionar de quarta-feira a sábado, das 12h às 16h.

O Museu do Futebol reabre na quinta (15), com a exposição "Pelé 80 - O Rei do Futebol", das 13h às 19h.

O Museu da Casa Brasileira reabre na sexta (16) com a exposição "Casas do Brasil: Conexões Paulistanas e Urbanismo Ecológico 2020", das 11h às 15h.

O Museu Afro Brasil reabre no dia 20 de outubro, com as exposições "Heranças de um Brasil Profundo" e "150 anos do Poema Navio Negreiro".

O Instituto Moreira Salles reabre o IMS Paulista na terça (13). As visitas deverão ser agendadas. O local reabrirá com três exposições em cartaz, sendo uma delas inédita —"Paz Errázuriz: Coleções Fundación Mapfre". Será possível também frequentar o café Balaio, a livraria da Travessa e acessar a escultura "Echo", do artista Richard Serra. O restaurante Balaio já estava aberto. O funcionamento será de terça-feira a sexta-feira, das 12h às 16h. Sábados, domingos e feriados das 13h às 17h.

As unidades do Sesc na capital paulista reabrirão primeiro suas exposições. A partir de quinta (15), o Sesc Bom Retiro abre a exposição "Caipirismo - José Antônio da Silva e Jocelino Soares". Na outra semana, no dia 20, o Sesc Pompeia abre "Farsa - Língua, Fratura, Ficção: Brasil - Portugal" e "Kader Attia - Irreparáveis Reparos".

Mas, ainda que possam, nem todos os espaços culturais pretendem reabrir imediatamente. “O fato de ter a liberação não significa que a gente já possa imediatamente reabrir”, diz Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo. Os teatros e salas de cinema da instituição ainda devem demorar para reabrir.

“De um lado a gente quer abrir tudo o mais rápido possível. Por outro lado, temos que ter os cuidados necessários para dar garantia de segurança a todos os usuários", diz o diretor.

O Centro Cultural São Paulo deve permanecer fechado pelo menos até a próxima quinta (15), em cumprimento de um decreto da prefeitura que suspende prazos no âmbito da administração pública. Por ser um equipamento sem portas ou catracas, o principal desafio relatado pela instituição tem sido pensar em logísticas que permitam a todos acessar o espaço com segurança.

No IMS Paulista, o cinema também não reabrirá por enquanto.

Cinemas

A direção do cinema Petra Belas Artes afirma que vai abrir já no sábado (10). Das seis salas de exibição, apenas as quatro maiores serão retomadas neste primeiro momento, com horário reduzido e com maior espaço de tempo entre as sessões. Obedecendo aos protocolos, a ocupação máxima será 60% —sendo que a média, aos finais de semana, por exemplo, era de 85%, segundo Juliana Brito, diretora executiva.

O Espaço Itaú de Cinema reabre no sábado (10). A rede Cinesystem afirma estar pronta, mas ainda não definiu as datas. Os cinemas da Centerplex devem ficar fechados por pelo menos mais uma semana.

O gigante Cinemark deve reabrir aos poucos na capital paulista, começando pelo Market Place.

A reabertura vem após um longo período de pressão dos cinemas. Já em julho, o governo estadual indicou a possibilidade de reabertura desses espaços naquele mês, quando completasse quatro semanas na fase amarela do Plano São Paulo, mas a ideia foi adiada para a fase verde.

As empresas exibidoras ficaram sabendo da mudança pela imprensa, o que azedou a negociação. Em agosto, o sindicato das empresas exibidoras reclamou novamente da falta de diálogo com a prefeitura e protocolou um ofício solicitando uma reunião com a gestão Covas.

Teatros

O Teatro Bibi Ferreira retomará as atividades na próxima semana, no sábado (17), com espetáculos infantis —"Os 3 Porquinhos, O Musical", às 16h15, e "Uma Aventura na Neve e o Aniversário de Anna", às 17h30. No dia seguinte, o local trará encenações de "Peter Pan & Sininho na Terra do Nunca", às 16h15, e "Chapeuzinho Vermelho e o Lobo", às 17h30. O Teatro Porto Seguro permanece fechado até o final do ano.

Em meio a uma crise envolvendo sua entidade gestora, o Theatro Municipal cancelou todas as suas apresentações de 2020.

Já a Sala São Paulo reabre na quinta (15), com apresentações da Temporada Osesp, que terão duas sessões no mesmo dia —quintas e sextas às 19h e 21h15, sábados às 15h15 e 17h30.

O Theatro São Pedro reabre no primeiro dia de novembro. O local já vem sendo usado desde agosto para ensaios e gravações em vídeo de apresentações da orquestra do Theatro, de música de câmara de artistas convidados e dos grupos artísticos ligados à Escola de Música do Estado de São Paulo.

Alguns espaços simplesmente não conseguem funcionar sem aglomeração. É o caso do Espaço Satyros, na praça Roosevelt. O local não reabrirá enquanto não houver “controle absoluto dessa pandemia”, segundo Ivam Cabral, fundador da Cia. Satyros. “Até março a gente não reabre”, diz.

“Se a gente fosse criar uma saída de acordo com os protocolos da prefeitura, a gente não teria condições de trabalhar. Somos um elenco muito grande, são 14 pessoas fixas, mais dezenas e dezenas de atores convidados. Nossas peças sempre têm públicos muito grandes, então a gente não consegue. Só poderemos abrir as portas quando a gente tiver controle absoluto dessa pandemia, ou seja, quando aparecer a vacina", afirma.

“A determinação da prefeitura pouco significa para nós. Há uma pressão dos produtores, dos outros teatros, que é legítima. Estamos falando de reabertura, mas não estamos de público. Será que esse público vai encarar essa parada?”

O Teatro Oficina segue a mesma linha do Satyros e só deve reabrir em março de 2021. O comunicado diz que a retomada envolve questões complexas. ​"As peças produzidas pela companhia têm grande quantidade de elenco e coro, além de terem longa duração. Para reabrir, o teatro precisa de condições financeiras para a contratação de funcionários para a reabertura, como bilheteria, limpeza, segurança etc.”

Casas de shows

Entre as casas de shows, confirmaram abertura na fase verde a Audio, o Espaço das Américas, que pretende inaugurar uma série com a plateia organizada por mesas, o Tom Brasil, que deve reabrir na primeira quinzena de novembro, e o Blue Note, que tem o retorno dos shows previsto para 5 de novembro —com programação de shows já definida até dezembro.

Algumas casas de shows e boates adotaram a estratégia de reabrirem funcionando como restaurantes, que foram a autorizados a voltar a funcionar em julho. O Bourbon Street, que já funcionava como bar e restaurante com música ao vivo antes, já havia marcado sua reabertura para a próxima quinta (15), antes da fase verde ser anunciada.

Outra casa que prepara programação para a fase é o Villa Country, que já havia voltado com os eventos ainda em setembro. Nas redes sociais, a casa já posta fotos em que só funcionários aparecem usando máscara.

A Casa Natura Musical não voltará a funcionar agora, e o Cine Joia deve retomar gradualmente apenas em dezembro.

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