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Nicole Kidman e Hugh Grant vivem casal abalado por assassinato em 'The Undoing'

Minissérie da HBO é mais uma produção televisiva estrelada e produzida pela atriz

São Paulo

A voz doce de Nicole Kidman surge entoando uma versão suave de “Dream a Little Dream of Me”. Mas o sonho sobre o qual ela canta logo se torna pesadelo no primeiro episódio de “The Undoing”, quando uma das personagens da minissérie é brutal e misteriosamente assassinada.

Imersa num conto de fadas em todos os aspectos da sua vida —o marido é um romântico, o filho é educado e amoroso, ela é referência em seu trabalho, a conta bancária é volumosa—, a terapeuta Grace Fraser acorda e vê tudo o que ela construiu com a família ruir da noite para o dia.

Depois do estrondoso sucesso e de dois prêmios Emmy —um como atriz e outro como produtora— conquistados com “Big Little Lies”, Kidman parece ver na televisão um terreno fértil. Ela não só protagoniza “The Undoing”, como repete a dobradinha da minissérie anterior e assina ainda como produtora executiva. Também obra da HBO, o drama estreia agora, envolto em expectativa.

Isso por causa da equipe parruda diante e atrás das câmeras. Quem está a seu lado em “The Undoing” é Hugh Grant, que tem a companhia de Donald Sutherland, Edgar Ramírez, Lily Rabe e Noma Dumezweni —premiada como a Hermione da continuação teatral de “Harry Potter”.

Na criação da minissérie está David E. Kelley, vencedor de nada menos que 11 prêmios Emmy, incluindo um por “Big Little Lies”, enquanto a dinamarquesa Susanne Bier, de “Amor É Tudo o que Você Precisa” e “Bird Box”, dirige.

“Quando eu me envolvi no projeto, o David já tinha escrito o piloto e ele criou o papel principal para a Nicole Kidman. Minha contribuição foi sugerir Hugh Grant como Jonathan Fraser. Eu achei que os dois formariam um ótimo casal, sexy, divertido e realista”, diz Bier por videoconferência.

“Como atriz, a Nicole parece de outro mundo, porque ela tem uma habilidade incrível para acessar os personagens que faz. Mas aí ela sai do set e vai para a função de produtora, na qual ela é muito solidária. Ela resolve os problemas com elegância e sem se impor.”

Nas telas, o relacionamento fofo de Kidman e Grant logo tem seu tapete puxado, nas palavras do ator, cauteloso para não entregar muito do enredo. Este é, afinal, um suspense em que cada episódio tem seu próprio plot twist —uma mudança radical de rumo.

“É difícil participar dessas entrevistas sem entregar spoilers”, diz o ator. “Nós descobrimos muitas coisas ao longo dos episódios e há um dilema para nós, atores, porque nós precisamos ser fiéis aos nossos personagens, mas ao mesmo tempo esconder suas reais intenções, para que o ‘quem matou’ funcione.”

Galã de comédias românticas, o britânico de sotaque e sorriso charmosos encara agora uma trama bem mais sombria do que costuma fazer. Ele reitera, no entanto, que o processo de criação de seus personagens é o mesmo.

“Hoje em dia me oferecem muitos papéis sombrios, parece que as pessoas descobriram o meu eu verdadeiro. É um alívio, na verdade. Eu não preciso mais fingir ser bonzinho ou romântico”, brinca.

Além do estilo de personagem que tem vivido, outra coisa que mudou na vida do ator foi a sua opinião sobre a TV. Mesmo depois de várias aparições nas telinhas, Grant não esconde a vaidade e a preferência pelo cinema.

“Eu sempre fui esnobe em relação a isso. Eu dizia que não ia fazer televisão porque sou um astro do cinema. Mas eu reconheço que há trabalhos incríveis, brilhantes e de muita classe na TV atualmente”, afirma. “Há uma cornucópia de roteiros por aí, então é uma época de bonança, com muita coisa acontecendo, e eu acho que isso é saudável.”

Ele também diz não ser chegado a novas tecnologias e confessa não entender sobre as engrenagens que ditam a batalha entre TV e streaming —“mas me explicaram que a HBO é o Rolls-Royce da TV”.

Susanne Bier, que agora dirige um desses carros, confirma que a dimensão e a expectativa em torno de “The Undoing” tornaram seu trabalho mais complicado, mas por outro lado a permitiram inserir na narrativa acenos a diversos assuntos que, ela diz, precisam de atenção.

“Quando você faz uma série grande como essa, você precisa ser meticulosa em relação a tudo”, afirma a diretora. “Como é um suspense, eu sou cautelosa para não revelar demais. Mas há uma parte da história que fala sobre machismo, que toca nos privilégios dos homens, principalmente nos dos homens brancos.”

Logo nos primeiros minutos de “The Undoing”, fica escancarada a desconexão entre os mundos do casal formado por Kidman e Grant e o da morta que dá a largada na trama. O crime mancha a estética edificante e pasteurizada na qual os protagonistas estão embrulhados, mostrando que aquilo é puro faz de conta.

“Sem dúvida há certo comentário sarcástico sobre as classes abastadas ao longo de toda a minissérie. E isso para provocar a discussão de que, se você é privilegiado, você consegue se livrar de muita coisa. Esse é um ingrediente muito importante dessa narrativa, mas não é sua característica principal”, pondera Bier.

“A questão central de ‘The Undoing’ está mais no nível psicológico. É uma minissérie que faz questionar se você realmente conhece as pessoas próximas a você, em quem você pode confiar.”

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Nicole Kidman na produção

"Big Little Lies"
A atriz começou sua bem-sucedida cruzada pela TV com a série da HBO, pela qual levou dois troféus Emmy —um de atuação e outro como produtora

"The Undoing"
A nova minissérie é uma das principais apostas da HBO para o ano e traz Kidman colaborando, mais uma vez, com David E. Kelley, criador de "Big Little Lies"

"Nine Perfect Strangers"
Adaptação para a TV de "Nove Desconhecidos", da mesma autora de "Big Little Lies", Liane Moriarty; a criação é mais uma vez de David E. Kelley

"The Expatriates"
Dizem que a adaptação para a TV do livro homônimo de Janice Y. K. Lee terá Kidman como produtora —mas, desta vez, ela provavelmente não estará no elenco

The Undoing

  • Quando Estreia neste domingo (25), às 22h, na HBO e na HBO Go

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