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Baby Yoda em 'The Mandalorian' devolve a inocência de 'Star Wars'

Série criada pelo diretor Jon Favreau chega ao Brasil pela Disney+, mas passa antes na Globo

O pequeno Yoda em 'The Mandalorian'

O pequeno Yoda em 'The Mandalorian' Divulgação

O desejo por trás da aquisição da Lucasfilm pela Disney, em 2012, era ressuscitar “Star Wars” nos cinemas e aproveitar o potencial da marca para estabelecer a franquia para a nova geração.

A ideia parecia que daria certo quando “O Despertar da Força”, três anos depois, rendeu cerca de US$ 2 bilhões nas bilheterias e abriu caminho para dois filmes diretos e dois derivados –"Rogue One" e “Solo”. A franquia, no entanto, entrou em declínio financeiro e criativo.

“A Ascensão Skywalker”, do ano passado, longa mais recente da série, foi massacrado por fãs, críticos e pela bilheteria, que mal cruzou a marca do bilhão —algo impensável para a Disney se considerarmos o apelo e o custo de produção.

Rumores sobre a demissão da executiva Kathleen Kennedy, presidente da Lucasfilm, começaram a pipocar em Hollywood. Filmes dados como certo naquele universo foram cancelados ou adiados. Até Kevin Feige, presidente dos Marvel Studios, foi chamado para produzir um filme “Star Wars” e tentar manter o trem nos trilhos.

Mas foi outro artífice do chamado Universo Cinematográfico Marvel que mudou os rumos da Força –Jon Favreau, diretor de “Homem de Ferro”, de 2008, e o homem que definiu o tom visual e narrativo da Marvel nos cinemas.

Ao comandar “The Mandalorian” para o Disney+, o showrunner e roteirista não só criou a primeira série televisiva em live-action de “Star Wars”, mas resgatou o clima de diversão, inocência e simplicidade das antigas matinês que inspiraram George Lucas a criar a saga, em 1977, e que tinha sido trocado por tramas sem lógica e derivativas nos longas recentes.

Da mesma forma que Lucas, Favreau bebe em antigos filmes de faroeste e de samurais para conceber a série de oito episódios por temporada –ela chega ao Brasil, pela Globo nesta segunda (16), às 22h45, e no streaming pela Disney+, no terceiro capítulo do segundo ano. O personagem principal é um caçador de recompensas mandaloriano, povo guerreiro que segue uma cartilha antiga e nunca pode tirar o capacete em público.

Ele busca suas presas num universo “Star Wars” onde o Império foi derrotado há alguns anos pelos Rebeldes, mas existe um vácuo no poder em diversos planetas —se passa entre “O Retorno de Jedi”, de 1983, e “O Despertar da Força”, de 2015. “Adoro a ideia de um lado mais sombrio e estranho de ‘Star Wars’, um aspecto meio ‘Mad Max’”, disse Favreau, em entrevista à Hollywood Reporter. “É algo pequeno e com novos personagens.”

Esse ângulo não poderia ser mais certeiro. Ao se livrar de toda a bagagem que vem com cavaleiros Jedi, adoradores da Força, sabres de luz e Lordes Sith, o cineasta fez uma mala enxuta e organizada para uma viagem deliciosa e com um ritmo lento para quem estava acostumado com os filmes.

A premissa da primeira temporada não podia ser mais simples. Mando, o ator Pedro Pascal, de “Narcos”, é contratado por um cliente, papel de Werner Herzog, para encontrar uma criatura, mas o guerreiro se apega à presa, um bebê da mesma raça do mestre Yoda, chamada apenas de “A Criança”.

Aos poucos, o Baby Yoda, que virou febre entre os fãs, vai deixando de ser só o elemento de reconhecimento fácil. Usando uma mistura de bonecos com algumas tomadas de computação gráfica, o personagem ganha vida e se incorpora à trama sem a prejudicar. Algo proposital, tanto que sua presença não foi revelada pelos criadores até a estreia —a Disney topou perder alguns milhões de dólares ao não ter brinquedos imediatamente.

Mesmo que Favreau lembre “Breaking Bad” e “Game of Thrones” como referências, “The Mandalorian” está distante de ser algo tão intrincado. O que é um alívio. De certa forma, a trama em passos vagarosos é um refresco bem-vindo para lembrar certos fãs radicais de que estamos falando de uma franquia infantojuvenil sequestrada por marmanjos raivosos em busca de um passado que não volta mais.

A série se tornou o carro-mestre do Disney+ e uniu as tribos. O showrunner chamou diretores diferentes para o ajudar a obter uma visão mais diversa. Entre os escolhidos, há Taika Waititi, de “Thor: Ragnarok”, Deborah Chow, de “Mr. Robot”, Rick Famuyiwa, de “Um Deslize Perigoso”, a atriz Bryce Dallas Howard, em sua estreia como diretora de ficção, e Dave Filoni, braço-direito de Favreau e animador especialista em “Star Wars”.

Filmada no Manhattan Beach Studios, em Los Angeles, a série já levou dois prêmios Emmy, um deles de efeitos especiais. A honraria é visível na telinha. Em vez de fundos verdes, a equipe usa uma mistura de realidade virtual e controle de câmera com fundos gigantes de LED pré-concebidos, como se os atores andassem em cenários projetados. O que é chamado de “produção virtual” tem elementos de videogames e traços da tecnologia usada em “Mogli”, de 2016, e “O Rei Leão”, do ano passado.

Essa inovação deverá ser adotada por grandes produções hollywoodianas, como “The Batman”, já que barateia os custos e entrega um resultado espetacular. Nada em “The Mandalorian” parece barato ou claustrofóbico. E ela fica mais ambiciosa com o passar dos episódios e, principalmente, na virada de temporada.

A segunda temporada finalmente põe Favreau na direção já no primeiro episódio, mas é no segundo que temos o perfeito exemplo de como “Star Wars” ainda pode ser encantador. Sob a batuta de Peyton Reed, de “Homem-Formiga”, o capítulo é uma grande corrida espacial com direito a aranhas de gelo, humor sacaninha, ação desenfreada e vários "easter eggs". O roteiro agora se concentra na busca por outros mandalorianos, mas sem pressa ou saudosismo.

Da mesma forma que na Marvel, Jon Favreau virou a salvação de “Star Wars".

The Mandalorian: Uma História de Guerra nas Estrelas

  • Quando Segunda (16), às 22h45, na Globo; a partir de terça (17) no Disney+
  • Classificação 14 anos
  • Autor Jon Favreau
  • Elenco Pedro Pascal, Carl Weathers e Gina Carano
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