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'Industry' lembra 'Grey's Anatomy' e 'Succession', mas falta o charme

Nova série da HBO acompanha jovens competindo por uma vaga num banco de investimentos em Londres

Industry

  • Onde HBO Go
  • Classificação 17 anos
  • Autor Mickey Down e Konrad Kay
  • Elenco Myha'la Herrold, Marisa Abela, David Jonsson
  • Produção EUA e Reino Unido, 2020

Um local de trabalho agressivo e competitivo pode dar origem a ótimas tramas. É só pensar nas séries "Succession", "Grey's Anatomy", "Billions" e nos longas-metragens "Wall Street - Poder e Cobiça", "O Lobo de Wall Street", entre muitos outros.

Em "Industry", nova série da HBO, a história acontece no Pierpont & Co, poderoso banco de investimentos de Londres, onde os personagens principais, jovens recém-formados contratados como trainees, precisam provar que merecem uma vaga definitiva. Mas os garotos e garotas não foram apresentados com muita profundidade, assim como as relações entre eles, o que entrava o envolvimento do espectador.

Não fica claro nem o que os trabalhadores seniores fazem ali. Termos do mercado financeiro são jogados nos diálogos como se fossem parte da linguagem comum, mais um obstáculo para quem assiste.

O escritório todo cinza e lotado onde se passa a maioria das cenas também não ajuda. Isso tudo pode ser consertado nos episódios seguintes —só os dois primeiros foram vistos para essa resenha, os únicos disponíveis na HBO até a conclusão desta edição.

A exceção é a protagonista da série, Harper Stern, papel de Myha'la Herrold, jovem negra americana que chega a Londres apostando que vai conseguir um lugar na firma, ainda que tenha de mentir sobre o seu currículo.

A atriz é ultracarismática e transmite bem o choque cultural de sua personagem, menina brilhante mas não acostumada com o nível de pressão que a empresa impõe aos seus funcionários. Ela tem um mentor, talvez a única outra pessoa simpática do elenco, Eric, vivido por Ken Leung, de "Lost".

Os outros são bem menos gostáveis; Yasmin é uma menina bonita, doce e facilmente manipulável pelos colegas; Robert, um bonitão de classe média que não sabe se vestir; Gus, o outro negro do elenco principal, formado em Oxford e bem arrogante; Hari, um descendente de indianos que vira as noites trabalhando e tomando pílulas para ficar acordado.

No trabalho, os novatos se vêem convivendo com sexismo, racismo e homofobia, assim como hipocrisia e deslealdade. Fora de lá, usam quase todas as drogas disponíveis, fazem muito sexo sem compromisso e frequentam noitadas que só acabam quando nasce o dia. Essa poderia ser a parte mais divertida da série, mas quando não se tem conexão com os personagens, não faz muita diferença com quem um ou outro transa.

Criado pelos novatos Mickey Down e Konrad Kay, "Industry" teve o primeiro episódio produzido e dirigido por Lena Dunham, de "Girls", que deixou sua marca na estética das cenas íntimas, mas não fez nada pela parte que se passa dentro da Pierpont & Co.

"Industry" tem bons elementos no enredo e potencial para se transformar num drama cativante se superar esses primeiros erros. Ainda que o universo onde a história acontece possa não ser atraente para todo mundo, a série deixa evidente porque é atraente para Harper. A ver se ela está disposta a vender a alma para fazer parte dele.

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