SP-Foto vai mal de vendas, mas galeristas veem algumas vantagens na versão online

Participantes gostaram da plataforma alternativa na pandemia e visibilidade maior no longo prazo

São Paulo

Pela primeira vez em ambiente digital, a feira SP-Foto, especializada em fotografia, fechou sua semana de vendas bem avaliada por galeristas a despeito do movimento um tanto modesto. Mais de 50 galerias participaram do evento, que começou na última segunda-feira e chega ao fim à meia noite deste domingo.

Segundo galeristas, a feira não se compara em termos de vendas à SP-Arte, seu evento matriz e com público muito mais amplo que aconteceu em agosto.

“As vendas foram fracas e vendi menos de 10% do que estava disponível”, diz Karla Osório, dona da galeria que leva seu nome, em Brasília. Na SP-Arte, seu saldo foi acima de 50% de vendas, e na ArtRio, em outubro, 90%. Os valores das obras variaram entre R$ 9.000 e R$ 40 mil.

Ela, no entanto, fez questão de ressaltar que a semana foi positiva. “Independentemente das vendas, vale a pena participar, porque a plataforma online é muito boa e interativa e motiva mais visitas”, afirma.

A visibilidade do evento era o ponto mais importante para o Projeto Vênus, centro de exposições dirigido por Ricardo Sardenberg no centro de São Paulo. O espaço físico foi aberto em março deste ano, no início da pandemia, e precisou fechar. Com a reabertura com visitação limitada em outubro, Sardenberg conta que o momento é de divulgação e preparação para o retorno de fato.

“Não tinha expectativa alta com as vendas, que foram muito modestas. Mas do ponto de vista de divulgação, o balanço é positivo”, ele conta. O Projeto Vênus expôs obras de só um artista na feira, o mineiro Eustáquio Neves, que iam de R$ 14 mil a R$ 20 mil e foram produzidas entre 1999 e 2016.

Além do balanço positivo do alcance digital da feira, a necessidade de apresentar as obras a partir de um fio condutor expositivo também chamou a atenção dos galeristas.

Isso porque, ao mesmo tempo que a plataforma online aumentou o alcance das galerias, também incorporou o imediatismo da experiência digital, segundo Ian Duarte, da galeria Verve.

“No online tudo está a um clique de distância, então se perde o interesse rápido. Por isso a importância de um projeto que o cliente possa identificar e acessar os trabalhos expostos”, diz.

Segundo Duarte, a SP-Foto deu a chance de galerias jovens e menos conhecidas dividirem o espaço de forma mais democrática, “sem hierarquia entre setores e andares”. “Clientes chegam mais pelos projetos, pelas obras e isso aumenta o protagonismo dos artistas”, avalia.

A Verve exibiu obras que investigam o corpo e a ancestralidade, com obras de artistas jovens, como Francisco Hurtz, e fotógrafos consagrados, como Alair Gomes, e com valores que vão de R$ 3.000 a R$ 45 mil, caso de duas fotografias de Gomes.​

O projeto de curadoria da galeria Karla Osório, “Fotografia como Arte e Engajamento”, privilegiou artistas que tivessem uma identidade política em seus trabalhos. Partindo desse fio condutor, a galeria mostrou trabalhos que vão das revoltas de Maio de 1968, de Marcelo Bródsky, à série “Parque Nacional” criada, durante a pandemia, por Daniel Escobar.

“A escolha do projeto foi pautada por critérios curatoriais de engajamento. Ao mesmo tempo que é o perfil do cliente, eu também tento formar esse público”, diz Osório.

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