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'Cyberpunk 2077' para consoles é produto mal acabado e vira vexame

CD Projekt Red reconhece haver problemas com a versão do título recém-lançado

Na indústria de videogames, em que superlativos como “o maior”, “o mais avançado” ou até “o mais violento” são vistos quase sempre como elogios, não é difícil que desenvolvedores ultrapassem o ponto do bom-senso e acabem em exageros. O estúdio CD Projekt Red parece ter aprendido isso —da pior forma— na última semana, com o lançamento de “Cyberpunk 2077”.

O novo game da desenvolvedora da franquia “The Witcher” –cujo terceiro e último título, “Wild Hunt”, foi um estrondoso sucesso de crítica e de público— chegou ao mercado em meio a uma enorme expectativa.

O lançamento do título era previsto para 16 de abril deste ano nos consoles e computadores, mas, com a promessa de entregar um enredo com possibilidades quase infinitas de escolha para o jogador, gráficos ultrarrealistas e uma jogabilidade inovadora, não foi exatamente uma surpresa quando a desenvolvedora polonesa anunciou, em janeiro, o adiamento para 16 de setembro.

“Estamos num estágio em que o jogo está completo e é jogável, mas ainda há trabalho a ser feito”, afirmou a empresa na nota em que anunciou o adiamento, destacando que o título precisava de mais “testes, consertos e acabamento”.

“Queremos que ‘Cyberpunk 2077’ seja nosso melhor trabalho nesta geração [de consoles] e adiar o lançamento nos dará os preciosos meses de que precisamos para deixar o jogo perfeito”, concluía a mensagem.

A empresa voltaria a adiar o lançamento mais duas vezes, para 19 de novembro e, finalmente, para 10 de dezembro. Enquanto isso, demandava horas extras obrigatórias de seus funcionários. Essa prática, conhecida como “crunch”, é comum na indústria de videogames, mas o cofundador da CD Projekt Red, Marcin Iwiński, havia prometido em entrevista não fazer isso no desenvolvimento de “Cyberpunk 2077”.

A expectativa em torno do jogo, nesse meio tempo, só aumentava. Segundo a CD Projekt Red, mais de 8 milhões de cópias foram vendidas antecipadamente, gerando receita suficiente para cobrir todos os custos do desenvolvimento ainda no seu lançamento.

Os primeiros sinais de que poderia haver algo errado começaram a aparecer quando a mídia especializada recebeu cópias antecipadas do jogo para testes, mas a empresa se recusou a fornecer a versão para consoles.

As análises feitas com base na versão para PC foram majoritariamente positivas, destacando o impressionante mundo aberto de “Cybepunk 2077” e as múltiplas possibilidades que ele dava aos jogadores. No entanto, quando a versão para os consoles chegou à mão dos compradores, ficou evidente que se tratava de um produto inacabado.

Além de apresentar bugs também relatados na versão em PC, como problemas na inteligência artificial de personagens não controláveis e objetos que flutuam pelo cenário, as versões para Xbox One –testada pelo repórter– e PlayStation 4 têm problemas graves de acabamento nos gráficos –efeitos de iluminação estranhos, texturas que carregam muito devagar (quando carregam) e objetos que desaparecem ou aparecem repentinamente na tela.

As falhas no jogo fizeram o valor das ações da empresa despencar cerca de 25% na bolsa de Varsóvia neste mês, quando a CD Projekt Red divulgou em seu site um comunicado se desculpando por não ter mostrado a versão para consoles antes do lançamento e admitindo que a empresa deveria ter se dedicado mais para fazer o produto funcionar no PlayStation 4 e no Xbox One.

Além disso, afirmou que está preparando grandes atualizações em janeiro e fevereiro de 2021 para melhorar todas as versões do game e se dispôs a devolver o dinheiro de qualquer cliente que tenha ficado insatisfeito.

A nota soa para os gamers e para a indústria em geral como uma admissão da CD Projekt Red de que, desta vez, a empresa deu um passo maior que suas pernas.

A CD Projekt Red cedeu uma cópia para Xbox One de "Cyberpunk 2077" para a realização deste texto

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