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Cinema

Filme 'Amizade Maldita' pertence à vasta saga de terrores mais frouxos

Novo terror foge dos medos mais tradicionais em nome da imaginação, mas fracassa

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Amizade Maldita

  • Quando A partir de quinta (3) em cartaz
  • Elenco Sean Rogerson, Keegan Connor Tracy, Jett Klyne
  • Produção EUA, 2019
  • Direção Brandon Christensen

Se o terror se tornou, nos últimos anos, um gênero central novamente, isso se deu, em grande parte, por vivermos num mundo de terrores –naturais, sociais, étnicos, sanitários, militares etc.

Vale dizer que o terror metafísico, o medo do além estão superados. O mundo dos mortos-vivos, hoje bem forte, evoca atualmente muito mais os efeitos de certas drogas do que propriamente a hipótese de um contágio fatal entre a vida e a morte.

Dito isso, “Amizade Maldita” não investe em nenhum desses horrores mais ou menos tradicionais, a imaginação é seu terreno.

O garoto Josh tem um amigo imaginário, como muitas crianças neste mundo. O amigo se chama Z —também o nome original do filme— e é apreciado pelos pais como bom companheiro das horas de solidão do menino. Isso até que Z comece a se manifestar de forma mais agressiva, como uma entidade que encarnou no garoto.

Primeiro, sua vida escolar se torna impossível, já que ele passa a agredir os colegas. Depois, mesmo os amigos mais fiéis se afastam. É chamado o salvador de sempre –o psiquiatra, que dá uns conselhos paliativos e deixa o barco correr.

Em poucas palavras, “Amizade Maldita” suprime intermediários para instaurar o imaginário mesmo no centro do terror. Está longe de ser um mau ponto de partida. Afinal, o imaginário é o que rege, por exemplo, nossas relações religiosas —e é efetivo, seja nas cerimônias de umbanda, seja nas curas milagrosas.

Ou seja, o amigo de Josh poderia ser efetivo, desde que ajudado por uma atriz capaz de acreditar em seu papel, por uma cenografia capaz de provocar o nosso imaginário (e seus medos), por uma iluminação que pudesse nos retirar do mundo tão plano, tão normal, em que vive a família de Josh.

O fato de Z aparecer como uma figura não muito bela na parede do quarto do menino não altera muito as coisas, nem a convicção de Beth e Kevin, os pais, de que o problema de seu rebento é só passageiro.

O que vai alterar essa situação é a morte da mãe, que aparece no filme basicamente para morrer. Isso permite a Beth mergulhar em papéis há muito esquecidos, enquanto sua irmã toma conta de Josh —a irmã aparece basicamente para isso.

Cena do filme 'Amizade Maldita' - Divulgação / Imagem Filmes

O fato é que nesses papéis estará o nó de todo o problema e a explicação do mal que Z está causando. Com tudo isso, a primeira cena interessante do filme só vai acontecer por volta dos 50 minutos. E que não se espere muito depois.

Para se ter ideia da importância do imaginário no mundo contemporâneo, basta ver a importância das fake news em nossa existência cotidiana. Elas afetam nossa percepção da realidade e incidem sobre a vida social de forma direta. São um assunto digno de filmes de terror, sem dúvida, mas ainda à espera de quem as transforme num longa de primeira.

“Amizade Maldita” pertence à vasta saga de terrores frouxos.

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