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Cinema

'Os 8 Magníficos' foi marcado por saúde frágil de Domingos de Oliveira

Documentário reúne atores ilustres, como Wagner Moura e Fernanda Torres, mas resultado é ruim

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Os 8 Magníficos

  • Quando Estreia quinta, 10 de dezembro
  • Onde Nos cinemas
  • Produção Brasil, 2017
  • Direção Domingos de Oliveira

É previsível que o documentário “Os 8 Magníficos” soe como um testamento de Domingos de Oliveira. Ou despedida, já que foi feito em 2017, dois anos antes de sua morte, com o diretor preso a uma cadeira de rodas.

Foi nessas circunstâncias que ele reuniu quatro atrizes e quatro atores ilustres –Sophie Charlotte, Carolina Dieckmann, Eduardo Moscovis, Wagner Moura, Alexandre Nero, Maria Ribeiro, Mateus Solano e Fernanda Torres– para um encontro de um dia, que seria também o único dia de filmagem. Domingos faz ali a sua homenagem às pessoas que o apaixonam porque é sua profissão que o apaixona.

Mas não só. Domingos foi talvez um dos últimos sobreviventes de um espírito leve, fresco, um tanto irresponsável de um Rio de Janeiro que deixou de existir. O cinema, o teatro, a TV fazem parte disso, assim como o espírito que permitiu ao cineasta desenvolver uma espécie de filmes caseiros não raro interessantes, desafiando o hábito da grande produção pela arte, sobretudo, do texto.

Digamos que “Os 8” leva às últimas consequências esse tipo de produção. Ali estão eles e elas, numa espécie de festa, entregues a si mesmos, pois a intenção, se supõe, era mostrar os atores tal qual são, em sua diversidade. Eles são até certo ponto como os outros mortais, mais abertos ou reservados, tímidos ou espontâneos, mais frios ou mais afetivos. Há quem goste de teorizar sobre a profissão, há quem não tenha disposição para isso. Há quem consiga se expor mais, outros, menos.

Para que a conversa não caia de todo no vazio, Domingos lança vez por outra uma isca. Quase sempre não rendem nada, o que é um problema. E existe algo de artificial em tudo isso. Afinal, o diretor concebeu aquilo sem saber aonde iria chegar e, parece, sem ter pensado muito nas consequências de um encontro desse tipo. Imaginou bobagens como cada um dizer com qual daqueles colegas gostaria de se casar.

Bobagem porque rompe justamente com o pressuposto da festa –ser ator é uma atividade que aproxima as pessoas. Indicar uma proximidade maior com A ou B romperia esse pacto.

Domingos não está bem. Interfere pouco. Quando fala, é por vezes ininteligível. Contam histórias. Ora são engraçadas, ora aborrecidas. O certo é que não formam um todo. O documentário não chega a ganhar forma. O que era para ser anárquico caminha para o caótico. Chega a um ponto em que os convidados já parecem cansados com aquilo tudo.

Domingos já conseguiu melhores resultados. Não foi por culpa do elenco. Da sua saúde, talvez. Da confiança nos happenings. O fato é que não deu certo, apesar da ideia amorosa.

De tudo, existe a reter a formidável formulação de Robert Mitchum. “A profissão de ator é dura... penosa, ingrata. Muitas vezes nossa arte não é compreendida pelo público, pelos críticos... Nossa privacidade é invadida, nossa sensibilidade posta à venda numa bilheteria de cinema ou teatro. Isso sem falar dos horários, das madrugadas de filmagem... E depois a decadência, o esquecimento. Mas, enfim, é melhor do que trabalhar.” Talvez por ter sido lançada prematuramente, a dica não rendeu nem risos.

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