Primeiro Encontro de Leituras reuniu diferentes sotaques do português

Cem pessoas puderam conversar com o angolano Ondjaki sobre o romance 'Bom Dia, Camaradas'

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São Paulo

Na noite desta terça (15), pessoas do Brasil, de Portugal, de Angola, mas também falantes do português que vivem na Argentina, nos Estados Unidos, na Romênia e na Itália se reuniram virtualmente numa conversa com o escritor angolano Ondjaki.

A primeira edição do Encontro de Leituras, organizado pela Folha e pelo português Público, propôs um encontro em torno do livro "Bom Dia, Camaradas", primeiro romance de Ondjaki, lançado em Angola em 2001 e publicado no Brasil pela Companhia das Letras. O encontro reuniu cem pessoas.

O livro se passa nos anos 1980 em Luanda e é narrado por um menino na casa dos oito anos. Ali conta momentos de sua relação com os colegas de classe, a família, o cozinheiro de sua casa, o Antonio, e com seus professores cubanos, que trabalhavam no país à época da reconstrução pós-independência.

um homem negro gesticulando a mão em conversa
Ondjaki na primeira edição do Encontro de Leituras, dos jornais Folha e Público, de Portugal - Reprodução

De sua casa em Luanda, o escritor falou sobre a importância da música em seu cotidiano, e sobre como está o tempo todo a assobiar, sobre estar filmando seu pai —que combateu na guerra civil angolana— durante a pandemia e sobre escrever livros infantis. Falou também sobre utopia e política. “A história está cheia de todas as possibilidades que não aconteceram”, disse ao responder um leitor brasileiro que perguntara sobre a experiência socialista em Angola.

Também estava presente seu editor português, Zeferino Coelho, convidado do Clube de Leitura Folha de outubro. Os dois falaram sobre quando Ondjaki escreveu "O Assobiador", publicado no Brasil pela Pallas, e não sabia ao certo que tratamento dar a ele, a que gênero pertencia. Coelho contou que gostou de "como o livro soou" e decidiu publicar.

Alguns leitores contaram como se divertiram com as histórias aparentemente sem pé nem cabeça narradas pelas crianças de "Bom Dia, Camaradas" e como puderam saber mais sobre Angola por meio do romance.

"O livro faz sentido, e às vezes torna-se cômico, pelo lado verossímil, e não pelo lado inverossímil. O lado inverossímil precisa da história para poder fazer contraste, para progredir, para poder apanhar balanço”, disse o escritor. ​

O Encontro de Leituras acontecerá às segundas terças-feiras de cada mês, às 19h de Brasília, via Zoom. O evento, que busca unir, em meio à pandemia, pessoas de diferentes cidades e países, discutirá livros de memórias, romances, ensaios ou grandes reportagens. A mediação é feita pelas jornalistas Isabel Coutinho, do Público, e Úrsula Passos, da Folha.

O próximo encontro será no dia 12 de janeiro, sobre o livro "Contra Mim", o novo romance de Valter Hugo Mãe, que chega às livrarias brasileiras nesta sexta pela Biblioteca Azul, com a presença do autor português nascido em Angola. "Contra Mim", assim como o romance de Ondjaki, é um livro de memórias, desta vez da infância e adolescência.

O Clube de Leitura Folha, decicado apenas à literatura de ficção e que existe desde 2017, segue com suas reuniões, agora também virtuais, nas últimas terças-feiras de cada mês, às 19h. No dia 22, o tema serão os contos de Conceição Evaristo em "Olhos D'Água", da editora Pallas. O ID da reunião no Zoom é 88 92 37 71 003, também acessivel neste link.

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