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Saiba como a era de Aquário, que começou agora, embalou os hippies e o musical 'Hair'

'A paz guiará os planetas', diz a letra escrita por Gerome Ragni e James Rado, que estudava astrologia

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Para uma boa parte dos astrólogos, a Terra entra agora na era de Aquário. Segundo eles, um alinhamento peculiar de planetas, iniciado na segunda (21), pode fazer a humanidade entrar numa fase de cerca de 2150 anos de harmonia e solidariedade, que viria numa boa hora para espantar todas as mazelas mundiais de 2020.

Para entender a coisa não é necessário recorrer a livros de astrologia. Basta traduzir do inglês a letra de “Aquarius”, canção mais popular do musical “Hair”, ícone da contracultura nos palcos americanos nos anos 1960, transformado em um filme de sucesso por Milos Forman em 1979.

Cena do filme 'Hair' (1979), do diretor Milos Forman - Divulgação

“Quando a Lua está na sétima casa/ E Júpiter se alinha com Marte/ Então a paz guiará os planetas/ E o amor guiará as estrelas/ Este é o amanhecer da era de aquário/ Harmonia e compreensão/ Simpatia e confiança”, diz a letra escrita pelos atores James Rado e Gerome Ragni, que conceberam o musical em 1967. Rado estudava astrologia.

“Hair” estreou em outubro daquele ano no Public Theater, de Nova York, ficando em cartaz por 45 dias. Depois, passou para um palco dentro da boate Cheetah, e o grande sucesso alternativo levou a montagem para a Broadway, começando em 29 de abril de 1968 uma carreira de 1.750 apresentações.

Em 1969, após três álbuns de algum sucesso misturando blues, soul e R&B, o grupo vocal The Fifth Dimension gravou um medley das canções “Aquarius” e “Let the Sunshine In”, outra de “Hair”. O single ficou seis semanas no topo da parada americana e ganhou em 1970 o Grammy. O quarto álbum do Fifth Dimension, “Age of Aquarius”, foi o maior sucesso do grupo, na ativa até hoje.

Depois, os versos chegaram a um número muito maior de pessoas na voz da atriz e cantora americana Renn Woods. É ela a intérprete da canção logo na abertura do filme “Hair”, quando os hippies da comunidade autointitulada A Tribo cantam e dançam em um parque.

No festival de Woodstock, marco hippie em 1969, por várias vezes a plateia quebrou o silêncio entre um show e outro cantando “Aquarius/Let the Sunshine In”, em coros de dezenas de milhares de vozes. Um desses momentos, debaixo de chuva forte, está registrado no álbum duplo “Woodstock Two”, lançado em 1971.

Além de inúmeras regravações, incluindo versões de ídolos do pop dos anos 1970 como o grupo The Osmonds, duas estrelas cantaram “Aquarius”, mas sem registros em disco. Donna Summer, antes de ser rainha das discotecas e ainda usando o nome Donna Gaines, participou de uma montagem do musical na Alemanha em 1968. E a diva do cinema Raquel Welch cantou a música em um especial da TV americana, em 1969.

“Hair” inspirou outros musicais “jovens”, notadamente dois que também tiveram versões no cinema: “Jesus Cristo Superstar” (1970) e “Godspell” (1971), que chegaram às telas em 1973.

Se “Aquarius” era praticamente o mapa astral da nova era alardeada no epicentro hippie na Califórnia da segunda metade dos anos 1960, outro single era o hino de comportamento para a preparação da grande mudança. “San Francisco”, cantada por Scott McKenzie, era uma declaração de intenções desde os versos iniciais: “Se você está indo para San Francisco/ Deve usar algumas flores no cabelo”.

Foi escrita para Mckenzie por seu amigo John Phillips, líder do grupo The Mamas and the Papas, que a apresentava em shows ao lado de outras pérolas hippies, como “California Dreamin’”.

A era de Aquário se tornou um sinônimo do lado mais florido das revoluções comportamentais da contracultura nos anos 1960. E o nome é quase sempre associado à cena hippie. Por isso, “Aquarius” é o título de uma série de TV produzida em 2015 e 2016, com David Duchovny no papel principal, que mostra um lado sombrio no cenário do poder da flor.

Idolatrado por todos os geeks pela série “Arquivo X”, Duchovny interpreta em “Aquarius” um detetive de polícia da Califórnia de 1967. Ele é envolvido numa investigação que o leva ao coração do culto criado pelo maluco Charles Manson, um pesadelo sangrento que maculou o sonho hippie da era de aquário.

E, vale lembrar, “Aquarius”, filme de Kleber Mendonça, não tem relação alguma com o lance hippie-astrológico. O título é o nome do edifício onde mora a personagem de Sônia Braga, atriz que, curiosamente, trabalhou na montagem brasileira de “Hair”, em 1969.

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