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Bon Jovi fala de Covid, George Floyd e Trump em disco sobre 2020

Banda é uma das atrações da cerimônia de posse de Joe Biden, nesta quarta-feira (20)

2020

  • Onde Nas plataformas digitais
  • Autor Bon Jovi
  • Gravadora Island Records

Escalado para tocar na posse de Joe Biden, nesta quarta-feira (20), o músico Bon Jovi deve embalar a apresentação no seu álbum mais recente, “2020”, divulgado em outubro do ano passado.

Depois de ter seu lançamento adiado, em maio, por causa da pandemia de coronavírus, o disco acabou ganhando duas faixas além das programadas originalmente. Isso acabou reorganizando a lista de músicas e transformando outras duas canções em bônus. São, no total, 13 faixas.

Com um título mais que apropriado, “2020” tem cara de retrospectiva daquelas que passam na TV em dezembro. Segue uma linha literal e cronológica dos acontecimentos que marcaram o ano que passou e é voltado a tudo o que estará nos livros de história americana.

Assim como 2020, o disco homônimo também abre entusiasmado com “Limitless”, canção cheia de energia para um novo calendário que se abria. Marcada pela bateria de Tico Torres, na banda desde 1983, a música segue a linha apoteótica típica dos anos 2000, na qual fizeram história grupos como Coldplay e U2.

Na letra, a rotina de quem todos os dias fazia tudo sempre igual –desligar o despertador, lavar o rosto, escovar os dentes. Até que, ao perguntar se “há algo além do que havia antes?”, o eu-lírico é arremessado para a faixa seguinte, quando é imposta uma nova ordem mundial.

Não que, ao falar da quarentena, “Do What You Can” jogue o clima para baixo —pelo contrário, é, senão a melhor composição de “2020”, uma das com mais chances de agradar ao público, especialmente em momentos de celebração, como a posse deve trazer.

Com levada country, é um retrato otimista do isolamento social, imposto em março no mundo todo. Sugere que, quando não é possível fazer o que se faz normalmente, o ideal é se voltar para o que dá e esperar. Não à toa, ela aparece também como faixa bônus, em versão com vocais adicionais de Jennifer Nettles.

“American Reckoning” é uma das criações anexadas pelo atraso e foi inspirada no episódio de George Floyd, sufocado em maio, em Minneapolis, por um policial. A letra de protesto lembra detalhes do crime, enquanto Bon Jovi imprime gravidade à voz para pedir, no refrão, que quem o escuta “permaneça vivo”.

Quinta na sequência, “Beautiful Drug” é a primeira a rememorar o Bon Jovi clássico, especialmente nos vocais do líder da banda e também nos de apoio. Lembra até na letra uma das músicas que mais levantavam os estádios, “Bad Medicine”, de 1988.

“Story of Love” é quase uma valsa na cadência e investe numa letra delicada sobre a relação entre pais e filhos. Apoiada num belo arranjo de piano, também pode lembrar, para os fãs da banda, outro grande sucesso, “Bed of Roses”, de 1992 —só que, dessa vez, a declaração de amor é de outra natureza.

Com “Let it Rain”, sobre preconceitos, Bon Jovi prepara o público para o bloco mais crítico de “2020”. Ele abre com a introspectiva “Lower the Flag”, que lembra ataques como os ocorridos em Columbine, em 1999, e Dayton, no estado americano de Ohio, dez anos depois.

Depois, segue para “Blood in the Water”, uma ótima balada que, em entrevista à revista GQ americana, à época do lançamento, o cantor afirmou ter sido escrita mirando o "atual governo” dos Estados Unidos.

“Brothers in Arms” também segue o estilo roqueiro animado dos anos 1990. E, apesar dos bons coros e arranjos de guitarra, deve suscitar, no coração dos fãs da banda de 40 anos, um resquício de saudade de Richie Sambora, que deixou o grupo em 2013.

“Unbroken”, uma marcha que abre quase militar e se desdobra épica, homenageia os veteranos americanos vítimas de estresse pós-traumático. O álbum fecha, então, com as três faixas bônus —a segunda versão de “Do What You Can”, “Shine” e “Luv Can”.

Dá para imaginar que seja doloroso um músico abrir mão do que já estava previsto para um trabalho específico. Porém, neste caso, não teria sido perda alguma se ele as tivesse deixado de fora do set. Quando se trata do ano de 2020 e do disco “2020”, quanto mais curtos eles forem, melhor.

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