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Saiba como 'Bacurau' ainda tem chances de disputar o Oscar dois anos após estreia

Lista oficial só sai em março; caso selecionado, longa de 2019 pode repetir feito de 'Cidade de Deus'

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São Paulo

Sucesso de público e de crítica, o brasileiro "Bacurau" já percorreu uma longa estrada desde que debutou no Festival de Cannes há dois anos, quando dividiu o prêmio do júri com o francês "Os Miseráveis".

De lá para cá, ele já acumulou outros troféus e indicações a premiações importantes —a última, esta semana, ao Spirit Awards, de cinema independente— e inclusive perdeu a possibilidade de disputar a categoria de melhor filme internacional pelo Brasil no ano passado.

Isso talvez tenha deixado alguns confusos ao ler a notícia de que o longa agora está elegível ao Oscar 2021.

O filme entrou há alguns dias na Academy Screening Room, uma plataforma de acesso exclusivo aos membros da Academia que votam na premiação.

Segundo a produtora Vitrine Filmes, em anúncio feito nas redes sociais, entre as categorias que "Bacurau" pode ser indicado, destacam-se melhor filme, direção, atriz coadjuvante, ator coadjuvante e melhor roteiro original.

O comunicado ressalta que "o filme é elegível em todas as categorias para longas-metragens de ficção, exceto filme internacional".

Vale notar que a seleção está longe de significar que o longa já está na disputa —a lista oficial de indicados só será revelada em 15 de março, enquanto a cerimônia de fato só ocorre em 25 de abril.

Mas como uma coprodução entre Brasil e França falada principalmente em português pode se tornar elegível às categorias principais da maior premiação da indústria cinematográfica quase dois anos depois de estrear? Para responder a essa pergunta, é preciso ter uma noção do funcionamento das engrenagens da Academia.

André Sturm, diretor do cinema Petra Belas Artes, explica que para se candidatar às categorias principais, o longa precisa ter estreado no circuito americano. "Bacurau" chegou às salas dos Estados Unidos em 6 de março de 2020 –após o Oscar daquele ano, aliás.

"A inclusão no Academy Screening Room significa que a própria Academia escolheu o filme para concorrer às vagas", explica Sturm. Agora, o filme depende dos votos de membros da Academia para possíveis indicações.

A depender do resultado, a situação de "Bacurau" pode lembrar a de outro filme brasileiro, "Cidade de Deus". Lançado em 2002 e incensado pela crítica internacional, o longa de Fernando Meirelles e Kátia Lund foi indicado em quatro categorias do Oscar de 2004, dois anos depois de sua estreia. Eram elas direção, roteiro adaptado, direção de fotografia e edição.

Na ocasião, o filme ganhou uma força da Miramax. Vendida em 2010, a empresa do ex-produtor Harvey Weinstein junto ao irmão Bob Weinstein era uma poderosa agente de lobby no Oscar.

Quem comanda a campanha de "Bacurau" ao Oscar é a distribuidora Kino Lorber.

Por outro lado, não é incomum que longas estrangeiros disputem categorias principais e de filme internacional numa mesma edição do Oscar. Com "Parasita", grande ganhador da cerimônia do ano passado, aconteceu isso.

Outros exemplos são o mexicano "Roma", que rendeu a Alfonso Cuarón as estatuetas de direção, direção de fotografia filme internacional em 2019. E o italiano "A Vida É Bela", que faturou os troféus de melhor ator para Roberto Benigni, trilha sonora e filme internacional em 1999.

Já a escolha da produção que irá concorrer à categoria de filme internacional, que "Bacurau" perdeu no ano passado, parte de cada país.

No Brasil, a escolha é feita atualmente pela Academia Brasileira de Cinema, a ABC, que indica uma comissão formada inteiramente por profissionais do setor, sem a participação do governo federal.

Para o Oscar de 2020, a ABC assistiu a uma disputa acirrada entre "Bacurau" e "A Vida Invisível", de Karim Aïnouz. O segundo acabou levando a melhor na disputa interna. Mas a vitória em casa não garantiu ao longa uma vaga na disputa oficial.

Neste ano, o Brasil tenta uma vaga na categoria de filme internacional com "Babenco - Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou", de Bárbara Paz, também elegível a melhor documentário.

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