Descrição de chapéu Folha, 100 jornalismo

Coleção de livros da Folha revisita fotos memoráveis do jornal dos últimos 100 anos

Dez volumes trazem mais de 400 imagens captadas por alguns dos maiores nomes da fotografia brasileira

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Ciclistas participam de competição na cidade de São Paulo, em junho de 1959 Folhapress

São Paulo

Chega às bancas no próximo domingo, dia 28, o primeiro livro da Coleção 100 Anos de Fotografia - Pelas Lentes da Folha. Em dez volumes, uma história centenária é flagrada em mais de 400 imagens captadas por alguns dos maiores nomes da fotografia brasileira.

A partir de uma imagem do largo de São Bento, na capital paulista, publicada em 19 de fevereiro de 1921, na edição de estreia da Folha da Noite, fotos marcantes estão distribuídas em volumes temáticos.

O número um tem o título “São Paulo: Uma Cidade em Transformação”. É uma escolha simbólica para abrir a coleção, porque a Folha cresceu em força e relevância acompanhando o desenvolvimento da metrópole.

O acervo do jornal conta com 2,5 milhões de fotos e inclui uma parte produzida originalmente em outros jornais, como o Última Hora.

Para a coleção, no entanto, foram incluídas apenas imagens feitas por profissionais da Folha. A seleção abarca, assim, apenas cliques da própria Folha e de outros periódicos já publicados pela casa, como Folha da Noite, Folha da Manhã e Folha da Tarde.

No centenário do jornal, a coleção também cumpre um papel de comemoração. Segundo Naief Haddad, coordenador editorial da série e autor dos textos dos livros, “essa coleção é a melhor homenagem que a gente poderia fazer aos profissionais do fotojornalismo da Folha”.

São também curadoras da coleção Letícia Carvalho, gerente geral de marketing, e Ana Paula Duarte, analista de projetos. “Pela primeira vez editamos uma coleção que reúne exclusivamente o acervo da Folha. Resgatar as imagens mais icônicas produzidas ao longo dos últimos 100 anos é uma maneira de manter a história viva e acessível aos nossos leitores”, diz Carvalho.

Haddad aponta como um dos grandes desafios do trabalho, que concentrou esforços de 13 pessoas, equilibrar o valor estético com o peso histórico das imagens.

Para exemplificar essa busca, ele destaca uma fotografia de 1948, que mostra uma multidão diante da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, reunida ali para o velório do escritor Monteiro Lobato. “Tecnicamente, a imagem tem problemas”, diz Haddad. “Mas valia a pena incluir pelo peso histórico. Ainda que imperfeita, é uma foto preciosa do acervo, ainda mais agora, quando se discute tanto o legado de Monteiro Lobato.”

Algumas imagens selecionadas pelo coordenador de pesquisa Cristiano Cipriano Pombo e sua equipe —“os arqueólogos do projeto”, como define Haddad— até podem exibir apelo estético forte e nem tanta elevância histórica, mas o vasto acervo da Folha permitiu o equilíbrio entre esses dois quesitos em todos os volumes.

Thea Severino, editora de Arte da coleção, destaca o projeto gráfico de Marcio Freitas, que valoriza as imagens. “O sabor vai além das lindas fotografias. Está nas legendas informativas e nas curiosidades nos textos. O leitor não é apenas transportado visualmente pelo tempo, ele ganha também conhecimento.”

A cada domingo um novo volume chega às bancas, à venda por R$ 24,90. Cada livro vai trazer ainda um pôster, com uma fotografia especialmente icônica do tema abordado naquela semana, impresso em papel especial, para ser emoldurado ou apenas compor uma coleção.

Definitivamente, não é uma série de livros de fotografia convencional. Cada volume tem uma brincadeira do tipo “antes e depois”. O livro abre com uma fotografia antiga e se encerra com a mesma
imagem, refeita agora.

Há uma série de momentos em que o trabalho fotojornalístico ganha toques de lirismo, com cenas banais do cotidiano recebendo uma nova carga de sensibilidade pelas lentes dos fotógrafos.

O terceiro volume, “Infância: Liberdade e Fantasia”, nas bancas no dia 14 de março, concorre ao posto de mais fofo da coleção. Flagrantes de crianças em situações incomuns desafiam qualquer leitor a passar pelas páginas sem se sentir tocado pelas fotos.

Ao abordar temas como imigrantes, trabalho e comércio, os livros também oferecem uma aula visual do desenvolvimento econômico do país. E a alta temperatura da história política está bem exposta em impactantes fotos do oitavo volume, “Manifestações: Da Revolução de 32 às Diretas Já”.

O último livro da série, “Nostalgia: Memórias em Imagens”, foi pensado como uma espécie de síntese da coleção.

Haddad diz acreditar que a nostalgia permeia a série, mas que não acha que seja uma coleção refém do passado. Segundo o curador, passado e presente, história e jornalismo estão o tempo todo em diálogo.
“Você vai ver no volume sobre manifestações grandes movimentações a favor e contra Getúlio Vargas. Eram multidões que o amavam, e outras que o odiavam com igual intensidade. Quem disse que Trump ou Bolsonaro ‘inventaram’ a polarização?”

Coleção 100 Anos de Fotografia - Pelas Lentes da Folha

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