Descrição de chapéu Folha, 100 jornalismo

Obras de arte e charges de ação da Folha em defesa da democracia ganham mostra

Cartunistas e artistas plásticos de várias gerações participaram de campanha no ano passado

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Em junho passado, quando a crise política do governo Bolsonaro agravava o panorama de emergência sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus, a Folha decidiu resgatar um lema que adotou nos tempos da ditadura. “Use amarelo pelas Diretas Já”, dizia ele.

Atualizado para “use amarelo pela democracia”, o slogan serviu de mote para uma grande campanha do jornal contra o autoritarismo. Seus projetos incluíram de um ensaio fotográfico que registrava a presença da cor pelas ruas de São Paulo até um especial e um curso que dissecaram o período de 1964 a 1985, voltado principalmente para os mais jovens, que não tiveram contato direto com aqueles tempos.

Uma das frentes da campanha foi uma ação que convidou dez artistas a realizarem obras inéditas ou releituras de trabalhos antigos usando a cor amarelo. A seleção a cargo de Silas Martí, editor do Núcleo de Cultura do jornal, foi de bastiões da arte contemporânea, como Anna Maria Maiolino, Anna Bella Geiger, Claudio Tozzi e Cildo Meireles, a pontas de lança da geração atual, como Jaime Lauriano, Jonathas de Andrade, Moisés Patrício, Randolpho Lamonier, Renata Lucas e Sofia Borges.

Parte desses artistas usou símbolos pátrios típicos para falar deste Brasil em risco. Maiolino e Geiger recorreram a mapas. Meireles, que fez circular mensagens contra o regime em cédulas de dinheiro, classificados de jornais e até garrafas de Coca-Cola na ditadura, substituiu o lema da bandeira nacional pela frase “ditadura é uma merda”. Até o feijão com arroz do prato-feito teve vez, numa fotografia de Andrade.

Outros artistas recorreram a imagens menos imediatas. Foi o caso do retrato de um homem asfixiado por uma sacola plástica amarelo-canário de Jaime Lauriano. E também de uma pintura de Moisés Patrício representando o orixá Esú. Segundo Patrício, a entidade, capaz de observar passado e futuro ao mesmo tempo, simboliza a resistência contra os pensamentos antidemocráticos num momento em que essas conquistas parecem estar sendo esvaziadas.

A campanha ainda se estendeu às charges do jornal, que convocou 20 cartunistas, projeto liderado por Fernanda Giulietti, coordenadora do Núcleo de Imagem.

Além do time de peso da casa, com Laerte, Alexandra Moraes e João Montanaro, e convidados externos, caso de Venes Caitano, Manhã Ortiz e Renan Sukevicius, ilustradores e diagramadores dos bastidores da Folha, como Catarina Pignato, Jairo Malta e Silvia Rodrigues, também se muniram de pincéis e de pixels em defesa dos valores democráticos.

Nesses quadrinhos, eles abordaram desde o noticiário relacionado ao presidente Jair Bolsonaro até as contradições do racismo num regime democrático e de movimentos de raiz autoritária que dizem querer proteger o povo.

Segundo a Folha escreveu num editorial em junho, o projeto Use Amarelo pela Democracia buscou ainda “acordar os saudosistas de um mundo de fantasia, em que não haveria corrupção nem escândalos, a segurança pública seria grande, e a economia, milagrosa”.

Afinal, afirmava o texto, “na realidade o arbítrio sufocava as instituições, o pensamento livre e o direito de expressá-lo”. “A tortura era política de Estado, os adversários desapareciam, os desmandos ficavam ocultos e o crescimento econômico da década de 1970 acabou em inflação descontrolada e dívida.”

Todas as obras e uma seleção das charges da campanha agora podem ser vistas de perto numa exposição no saguão da sede Folha, na alameda Barão de Limeira, 425, no centro de São Paulo. Interessados podem agendar visitas pelo email pesquisa@folhapress.com.br.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.