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Moda

No Oscar 2021, tapete vermelho pandêmico evita gafes com ar casual

Não houve grandes manifestações de inovação, mas as estrelas reproduziram tendências da alta-costura

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São Paulo

Se as recomendações da ciência valessem algo para Hollywood, este último tapete vermelho do Oscar nem deveria ter acontecido. O distanciamento social e as regras sanitárias podiam até estar impressas no ao vivo, com cercadinhos e estrelas posicionadas longe umas das outras, mas as máscaras que muita gente esperava ver sumiram dando lugar para o baile de joias, decotes e volumes.

Como que equilibradas na corda bamba do gosto, entre emular um tempo do passado performático e transmitir alguma referência desses tempos bicudos, os artistas puxaram o freio para criar uma espécie de “festa casual” —uma que servisse à sanha da indústria da moda em voltar a expor suas roupas glamorosas mas que de alguma forma não dessem a impressão de que tudo está bem.

Não houve grandes manifestações de moda do ponto de vista da inovação, mas as estrelas reproduziram as tendências vistas nas últimas semanas de alta-costura.

Volumes e brilhos discretos encravados nas bases acetinadas deram o tom da maioria dos looks, como o branco Louis Vuitton da atriz Maria Bakalova e o preto Valentino da cantora italiana Laura Pausini.

Os stylists que vestem as celebridades parecem ter posto na balança os pesos de acessórios e as construções dos estilistas. Peças discretas nas orelhas, colares minimalistas e braceletes gráficos diminuíram o tom dos tecidos metalizados, como o dourado Valentino Couture de uma das favoritas ao Oscar de melhor atriz, Carey Mulligan.

A atriz Carey Mulligan no tapete vermelho do Oscar 2021
A atriz Carey Mulligan no tapete vermelho do Oscar 2021 - REUTERS

Composto por top mínimo e saia gigante, o conjunto foi um dos vários arroubos de proporções ampliadas deste tapete que privilegiou o monocromatismo. O vermelho Armani Privé de Amanda Seyfried, indicada ao prêmio de atriz coadjuvante por “Mank”, foi outro vestido que abriu volume na parte de baixo, produzindo um contraste à noite de cartela enxuta.

A cor da estatueta concorreu com o branco pelo posto de tom da premiação, tingindo ainda o smoking Brioni de Leslie Odom Jr., alinhavado com fios de ouro 24 quilates, e o longo cavadíssimo de Andra Day assinado por Vera Wang —que não deve ter gostado nada de ver sua criação combinada às unhas postiças gigantes usadas pela atriz. Faz parte.

A atriz Andra Day no tapete vermelho com vestido dourado
Andra Day no Oscar 2021, na Califórnia - REUTERS

Curiosamente, um dos looks mais interessantes não foi vestido por uma atriz, mas pela diretora Chloé Zhao. Num longo Hermès todo plissado construído com detalhes em macramê e no qual, de perto, era possível ver ondas prateadas costuradas na trama, ela o combinou a um par de tênis, produzindo o look que mais se aproxima da "roupa de festa" dos dias de hoje.

O vestido branco da grife Alexander McQueen usado por Viola Davis, outra favorita da noite, foi construído com vazados no tronco que conferiam alguma graça à enxurrada de decotes simples dessa premiação, que, vale dizer, foi mais grifada do que nunca.

Se nas edições passadas os nomes à sombra dos holofotes da indústria tinham alguma chance de ver suas ideias coladas nas celebridades, neste primeiro tapete vermelho pandêmico os medalhões da costura abriram as carteiras para voltar à festa mais glamorosa do mundo.

Bottega Veneta vestiu Daniel Kaluuya, Atelier Versace vestiu Colman Domingo, Chanel vestiu Margot Robbie, Christian Dior vestiu Reese Witherspoon. Os grupos de moda não pouparam esforços para fazer parecer que tudo está bem. Não houve gafes, tampouco grandes ideias. O feijão com arroz, por ora, parece bastar.

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