Descrição de chapéu Livros

Eric Carle encantou várias gerações de crianças e pais com somente 224 palavras

'Uma Lagarta Muito Comilona', livro mais conhecido do escritor, vendeu mais de 55 milhões de exemplares em todo o mundo

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Julia Carmel
The New York Times

Quando uma lagarta imaginária devora uma maçã, duas peras, três ameixas, quatro morangos, cinco laranjas, um pedaço de bolo de chocolate, um sorvete em casquinha, um picles, uma fatia de queijo suíço, outra de salame, um pedaço de torta de cereja, uma linguiça, um cupcake e uma fatia de melão, ela poderia sentir dor de barriga. Mas também poderia se tornar a estrela de um dos livros infantis mais vendidos de todos os tempos.

Eric Carle, o artista e autor que criou essa personagem em "Uma Lagarta Muito Comilona", história que encantou várias gerações de crianças e seus pais, morreu no domingo, em Northampton, nos Estados Unidos. Tinha 91 anos.

O escritor Eric Carle
O escritor Eric Carle - Reprodução

Seu filho, Rolf, afirmou que a causa foi falência dos rins.

"Uma Lagarta Muito Comilona", o livro mais conhecido de Carle, vendeu mais de 55 milhões de exemplares em todo o mundo desde 1969. Com apenas 224 palavras, foi traduzido em mais de 70 línguas. É um dos mais de 70 livros que Carle publicou, vendendo mais de 170 milhões de exemplares, segundo a editora Penguin Random House.

Em 2003, recebeu o prestigioso prêmio Laura Ingalls Wilder, atual Legado da Literatura para Crianças, da Associação Americana de Bibliotecas, que reconhece autores e ilustradores cujos livros contribuíram para a literatura infantil.

Ele começou a carreira como autor infantil quase aos 40 anos e ganhou nome perscrutando sua criança interior. "Tinha muitos sentimentos, pensamentos filosóficos aos seis anos de idade", disse ele.

"O único modo como me tornei mais velho e sábio foi que fiquei mais bem preparado. Mas aquele cérebro e a alma já estavam no ápice."

Eric Carle Jr. nasceu em 25 de junho de 1929 em Syracuse, no estado americano de Nova York, filho de alemães. Sua mãe, Johanna Öelschlager Carle, trabalhava em uma empresa familiar, e seu pai, Erich Carle, em uma fábrica.

Quando Carle tinha seis anos, sua mãe decidiu levar a família de volta à Alemanha.

O pai foi recrutado para o Exército alemão e logo se tornou prisioneiro de guerra na Rússia. Carle tinha 15 anos e evitou o recrutamento, mas foi requisitado pelo governo nazista para cavar trincheiras.

Carle estudou tipografia e artes gráficas na Academia de Belas Artes de Stuttgart e se formou em 1950. Dois anos depois, ele se mudou para Nova York, com US$ 40 no bolso. Com a ajuda do ilustrador e diretor de arte Leo Lionni, conseguiu um emprego em publicidade, como designer gráfico para o New York Times.

Livros do escritor e ilustrador Eric Carle, incluindo 'Uma Lagarta Muito Comilona' - Jim Bourg/Reuters

Sua carreira nos livros para crianças começou quando o educador e autor Bill Martin Jr. viu um anúncio que Carle havia criado e o convidou para ilustrar seu livro "Urso Castanho, Urso Castanho, o que Vês Aqui?", publicado em 1967, em Portugal. Carle escreveu e ilustrou seu segundo livro, "1, 2, 3 to the Zoo", em 1968.

Em 2019, o 50º aniversário de "Uma Lagarta Muito Comilona" foi comemorado. "Levei muito tempo [para descobrir], mas acho que é um livro de esperança", disse ele. "As crianças precisam de esperança."

Ele continuou desenhando até maio. Sua antiga ajudante, Jennifer Chanda Orozco, escreveu que mesmo nestes tempos, "quando as palavras se tornaram desajeitadas e ineficientes, era sua arte que ancorava Eric e permitia que se articulasse na linguagem que ele melhor conhecia".

Carle sempre acreditou que o feedback mais importante vinha de seus leitores. "Muitas crianças fizeram colagens em casa ou em sala de aula", escreveu. "Algumas me disseram: 'Ah, eu sei fazer isso'. Considero esse o maior elogio."

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.