Pandemia faz dançarinas de balé questionarem magreza e pode até mudar os padrões

Com a suspensão das apresentações, muitas bailarinas estão repensando sua relação com o corpo e ideia de manter a linha

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Várias mulheres com vestes de balé dançam em cima de palco

Lauren Lovette (centro) faz sua estreia com outros membros do Balé de Nova York em 21 de fevereiro de 2020 Andrea Mohin / The New York Times

Gia Kourlas
The New York Times

Como muitas bailarinas, Lauren Lovette teve que enfrentar algumas questões durante a pandemia. Mas uma sempre sobe para o topo de sua lista. O que é um “corpo de balé”? O corolário disso seria então –que aparência deve ter um corpo saudável?

“Estou trabalhando para ser mesmo uma dançarina melhor, ou estou só me forçando a passar fome para ficar mais magra e ter a linha ideal?”

No balé, o termo “linha” não se refere apenas à silhueta do corpo no palco, mas tem a ver com o delineamento harmonioso geral do corpo —a maneira pela qual, da cabeça aos pés, membros e torso criam a ilusão de uma extensão e alcance contínuos.

O peso, com sua massa e suas saliências —o que, sim, inclui os seios— tem seu papel, e pode interferir com uma linha inconsútil e de qualidade escultural.

Homem segura mulher em cima de palco ao lado de vários dançarinos
Nicole Sabella (centro) segura Billy Smith (centro) numa apresentação com o Mark Morris Dance Group, no David H. Koch Theatre, em Nova York, em 21 de novembro de 2013 - Andrea Mohin / The New York Times

Segundo Lovette, integrante do Balé de Nova York desde 2010, a pausa nas apresentações trouxe alguma clareza. “Nunca mais vou dançar com 43 quilos”, disse ela. “Não serei mais aquela pessoa.”

Desde o começo da pandemia, questões semelhantes estão circulando em minha mente. De que forma a imagem do corpo, sempre um assunto complicado para qualquer dançarina —não importa qual seja seu tamanho— pode se tornar uma fonte de força e não de agonia? Será que a pausa nas apresentações ao vivo pode servir como uma abertura para que os requisitos estéticos do balé —especialmente a magreza extrema— mudem?

O balé é uma forma de arte de elite. Certos atributos físicos são necessários —uma boa postura, acompanhada por tornozelos e pés flexíveis—, mas não existe um padrão dominante. O que importa de fato é a maneira pela qual o corpo se movimenta no espaço, com dinamismo, musicalidade e graça atlética.

O balé é subjetivo –aquilo que parece bom, aquilo que se torna uma espécie de padrão, é estabelecido pelo diretor da companhia de dança, um posto que costuma ser reservado a homens, e a homens brancos, na maioria das vezes. Muita gente acredita que seja mais do que hora de mudar essa situação.

Benjamin Millepied, ex-diretor artístico do Balé da Ópera de Paris e hoje diretor da L. A. Dance Project, uma companhia de dança contemporânea, disse que “vivemos por muito tempo com a tendência a um corpo magro" e se opõe a isso. "Quero ver dançarinos que tenham individualidade.”

Antes da pandemia, as dançarinas estavam fortalecendo seu lado atlético ao incorporar musculação ao seu regime de treino. Embora elas tenham começado a parecer menos frágeis —o que já é um ponto positivo—, a aparência geral de uma companhia de balé continuava a ser a de um conjunto de pessoas magras como Twiggy.

No momento, muitos dançarinos estão vivendo com corpos ligeiramente diferentes. Marika Molnar, fisioterapeuta e diretora de saúde e bem-estar do Balé de Nova York, disse que os dançarinos com quem trabalha parecem ótimos, agora.

“Talvez tenham engordado dois ou três quilos, mas parecem fantásticos”, disse ela. “Não sei como isso vai se traduzir no palco, e com o figurino, mas todos parecem fabulosos, agora, muito saudáveis.”

Várias imagens de mulher dançando
A bailarina Lauren Lovette em Medford em 28 de janeiro de 2021 - Jingyu Lin / The New York Times

Com o mundo das artes cênicas parado, os dançarinos tiveram quase um ano para pensar sobre o lado desconfortável e traumatizante de sua forma de arte, e da cultura que a acompanha. Protestar não é a norma no balé, mas, em outubro, uma bailarina tocou no assunto da imagem corporal.

Segundo ela, como para muitas outras pessoas, era tudo questão de tamanho. Kathryn Morgan, de 32 anos, dançarina que conta com muitos seguidores no YouTube, postou um vídeo chamado “Por que Saí do Miami City Ballet”, descrevendo a experiência que teve em sua passagem pela companhia de dança, que durou apenas uma temporada.

Morgan usa roupas tamanho dois, o equivalente a PP no Brasil, e tinha passado anos combatendo uma doença imunológica que a forçou a deixar sua posição no New York City Ballet há 11 anos. O contrato dela como solista em Miami, iniciado em maio de 2019, deveria ter sido seu retorno aos palcos.

“Eu cheguei e abri o jogo, admitindo ter aquele determinado problema de saúde”, disse ela em entrevista. “Meu corpo é assim. Jamais vou ser a menor bailarina no palco.”

Mas quando começou na companhia, seu corpo era constantemente criticado, segundo ela. Papéis eram prometidos, mas terminavam cancelados.

Ela só subiu ao palco com a companhia quatro vezes, e em três delas para um papel decididamente não clássico, como uma stripper em “Slaughter on Tenth Avenue”, de George Balanchine. Nele, a personagem dança de saltos altos, e não sapatilhas de ponta. Ela diz que, para fazer o papel, trabalhou “meio nua”. O figurino, como a profissão da personagem dispõe, é um vestido sumário.

Morgan disse que em sua opinião seu desempenho foi satisfatório —os aplausos a lembraram da sensação de ir a um show de rock. Depois dos espetáculos, no entanto, ela foi informada de que “não estava em forma”, e que seu corpo “não era aquilo" de que precisavam. Jamais houve menções específicas a seu peso.

Morgan conta que começou a regredir. Os resultados de seus exames de sangue começaram a ser tão negativos quanto no período inicial de sua doença, em Nova York. Ela começou a perder cabelos. Disse que seu médico havia comentado que não sabia em que situação ela estava, mas que deveria sair dela o mais rápido possível.

Ela concluiu seu contrato e decidiu não renovar. Segundo Morgan, uma mulher pequena pelos padrões convencionais, encolher ainda mais e ao mesmo tempo manter a saúde era simplesmente impraticável.

Quando uma bailarina é criticada por seu corpo, não se trata apenas de questões cosméticas. “Nosso corpo é nossa arte”, disse Chloe Freytag, ex-bailarina do Miami City Ballet que optou por encerrar seu contrato na metade da temporada devido a exigências de que perdesse peso.

No balé, disse Freytag, a exigência é de que o corpo seja mantido em condição atlética perfeita. “Mas uma condição extrema pode parecer diferente numa porção de corpos diferentes”, afirmou.

“Você pode ter imensa vitalidade, muita força e um corpo que realmente pareça diferente do que o da pessoa ao seu lado, e que tem vitalidade e força iguais às suas. Acho que temos a capacidade de mudar o padrão de como definimos um dançarino qualificado.”

Bailarinos não costumam falar sobre o funcionamento interno de suas companhias. Os contratos, que tendem a ser anuais, são difíceis de obter, e a concorrência é pesada.

Quando um bailarino começa numa companhia, quase sempre no final da adolescência, terá treinado por dez anos ou mais, em geral. Mas, assim que são contratados, a bolha de proteção que os envolvia nas escolas desaparece.

Fazer parte de uma companhia é sacrificado e envolve suportar pressão constante. Há sempre um dançarino mais jovem, um rosto novo, pronto a galgar as fileiras.

Você se considera sortudo caso seja chamado para um ensaio onde pode aprender um novo papel; a verdadeira vitória está em interpretar no palco. Mas a seleção de elenco, realizada pelo diretor e coreógrafo e, muitas vezes anunciada perto da data do espetáculo, pode parecer um processo misterioso e arbitrário.

E é normal que um dançarino imagine se a melhor pessoa foi mesmo escolhida para o papel. Houve favoritismo? Eu teria conseguido o papel se fosse alguns quilos mais magro?

O mundo está repleto de bailarinos magoados, tanto ativos quanto aposentados, e Morgan sabe disso. E, com sua presença no YouTube, estabelecida há muito tempo, em vídeos nos quais dá conselhos a jovens dançarinos, aulas e tutoriais para audições, ela tem como falar a respeito.

“O motivo para que as pessoas mantenham o silêncio é que elas não querem colocar seus empregos em risco e sabem que são substituíveis”, afirmou. “Eu nada tinha a perder.”

O Miami City Ballet como regra não discute sobre ex-integrantes. Mas falando em termos gerais sobre o requisito estético da magreza, Lourdes Lopez, diretora artística da companhia, disse esperar que isso mudasse. “Para mim, essa coisa da Covid-19 permitiu uma verdadeira mudança de paradigma”, disse ela. “Foi como recomeçar tudo do zero.”

Isso significa, segundo Lopez, “tudo, do tipo de corpo que vemos como ideal à cor de pele das pessoas que estejam no palco”.

Outra característica histórica constante dos corpos das bailarinas é que eles costumam ser brancos. Para as dançarinas negras, a imagem de corpo e o racismo estão inextricavelmente ligados, e há mais do que magreza em jogo. As mulheres negras, especialmente, tiveram que lidar por muito tempo com o estereótipo de que são musculosas demais, atléticas demais.

“Aceitamos que o corpo branco possa ser qualquer coisa e todas as coisas”, disse Theresa Ruth Howard, ex-bailarina que faz palestras e escreve sobre a equidade no balé. “Para uma bailarina branca, as limitações físicas —pés ruins, um pouco rígidos, voltados para dentro— não impedem que ela dance.”

Erica Lall, integrante do American Ballet Theater, recorda que, quando estudante, no Texas, aos 13 ou 14 anos, sua mãe foi informada numa reunião de que ela tinha músculos saltados demais. “Eu fiquei pesando ‘como assim?’”, disse Lall.

Ela se descreve, corretamente, como longilínea e desprovida de curvas. É naturalmente magra, tem o torso curto e pernas longas —aquilo que muita gente consideraria como um corpo ideal para o balé.

A quarentena e os protestos do Black Lives Matter no ano passado deram a ela a oportunidade de “pensar e sentir aquilo" que ela não se permitia sentir, no mundo do balé, por muito tempo, ela conta. “Eu estava evitando fortalecer os músculos frontais e traseiros das coxas, e os rotadores, porque estava preocupada em que eles se tornassem salientes demais.”

Ela decidiu se concentrar em ganhar força, e realinhou sua musculatura com exercícios Gyrotonic. “São músculos necessários”, afirmou.

No passado, academias de musculação eram tabu no balé, por causa do medo de ganhar massa. Dançarinas não eram vistas como atléticas, e sim como belas, etéreas e frágeis.

Mas as bailarinas, especialmente até a década de 1950, tinham mais curvas. A moda mudou —e a pessoa que merece boa parte da culpa é George Balanchine, coreógrafo fundador do Balé de Nova York, que exerceu influência desproporcional sobre o balé americano no pós-guerra.

Algumas pessoas acreditavam que a preferência de Balanchine fosse por dançarinas com penas longas e cabeças pequeninas. A ideia de um “corpo Balanchine” persistiu e criou uma referência para a aparência que as pessoas imaginam que uma bailarina precise ter.

Mas Balanchine coreografava para dançarinos com tipos diferentes de corpos e escolhia diferentes tipos de corpos para sua companhia. “Acho que o maior indicador de aceitabilidade, para ele, era a irreverência”, disse Elizabeth Kendall, historiadora da dança, “o que se traduzia em uma personalidade mais forte que os passos de dança”.

Em entrevista, a atual liderança do Balé de Nova York, o diretor artístico Jonathan Stafford e a diretora artística associada Wendy Whelan, disseram que o mundo da dança está avançando numa direção melhor.

"Veja o início do balé, europeu e branco”, disse Stafford. “O balé precisou de muito tempo para deixar para trás aquela imagem ‘ideal’, seja alguém alto e magro, ou alguém muito pálido. Obviamente, as companhias de balé demoraram demais a deixar para trás aquela estética.”

Stafford e Whelan representam uma mudança de geração na liderança, e os novos líderes estão avaliando uma nova postura sobre o que a cultura do balé deve ser. Whelan foi uma estrela, com uma carreira que durou 30 anos. Ambos foram apontados para seus cargos atuais em 2019, depois que a companhia foi abalada pela perda de seu veterano líder, Peter Martins, que se aposentou em meio a acusações de abusos físicos e emocionais —negados por ele— e um escândalo que envolveu troca de fotos de bailarinas da companhia entre os homens integrantes do grupo.

Millepied, que dançou no Balé de Nova York de 1995 a 2011, disse que, em seu período na companhia, era comum que os dançarinos fossem chamados de “garotos” e “garotas”, o que infelizmente não é uma raridade no balé. Às vezes, eles são chamados de “meninos” e “meninas”. Millepied considera que a prática desumaniza.

“Quando a cortina caía na companhia, nós ficávamos esperando para ver se Peter ia nos elogiar, dizer qualquer coisa, ou mesmo olhar para nós”, disse ele. “Era esse o nível de controle que existia, e nós trabalhávamos com muita intensidade, mas também havia a necessidade de ser esquelético.”

Havia muita coisa a consertar naquela cultura, e as mudanças necessárias requerem tempo e dedicação. Stafford e Whelan instituíram uma nova regra –nenhum membro da equipe pode falar com um dançarino sobre questões de corpo sem seguir protocolos que assegurem delicadeza e confidencialidade.

“Não é algo que possa ser feito de passagem”, disse Stafford. “Não pode acontecer em um espaço que talvez seja público demais. O ambiente precisa ser saudável.”

No passado, disse Whelan, as coisas “eram mais periclitantes, emocionalmente”. Stafford acrescentou que “não havia um delineamento claro de quem cuida do que, se um dançarino está enfrentando dificuldades e talvez não esteja tão saudável quanto a companhia precisa que esteja”.

Whelan disse que jamais ordenaram que perdesse peso, quando ela dançava na companhia, mas outros bailarinos contaram histórias desse tipo a ele. “Sempre acontecia de maneiras diferentes, e às vezes as pessoas ficavam muito zangadas com a maneira pela qual as coisas eram ditas”, ela afirmou. “O tópico nunca foi agradável, e provavelmente era mencionado com um pouco menos de cuidado do que seria preciso.”

Na visão de Stafford e Whelan, um corpo saudável é um corpo forte, e o corpo de balé atual tem músculos. Os ganhos emocionais e físicos da pandemia —que se traduzem em ganhos de peso de dois a três quilos para alguns bailarinos— vão persistir quando os teatros reabrirem? Há certos obstáculos, além disso nem todos se relacionam a formas arraigadas de pensar. Alguns são práticos.

“Creio que a estética do balé provavelmente voltará ao que era porque eles [os bailarinos] precisam caber nos figurinos”, disse Molnar. “Os figurinos são caros.” No balé, essa é uma preocupação séria. Há casos conhecidos de bailarinos escolhidos para papéis porque os figurinos cabem neles. “Mas não sei, de fato”, prosseguiu Molnar. “Acho que seria divertido ver se é possível manter o nível de atividade física necessária sem perder peso demais e sem aquela aparência emaciada.”

Traumas quanto ao corpo não se limitam a uma companhia de balé —ou mesmo só ao balé. Nicole Sabella é integrante do Mark Morris Dance Group, mas antes disso ela teve dificuldades para encontrar posição em uma companhia de dança porque seu corpo não se enquadrava aos padrões de magreza.

Brittany O’Connor, que agora é dançarina freelancer, foi integrante do Dresden Semperoper Ballett, no qual, com 1,7 metro de altura e 58 quilos, ela foi informada de que não era suficientemente magra. Agora, as duas orientam outras dançarinas com relação à imagem de corpo.

“O tempo de pausa foi uma batalha para mim, porque tentamos continuar minúsculas, mas não é realista”, disse O’Connor. “Ainda que a falta de apresentações nos torne infelizes, descobrimos um novo amor por nossos corpos mesmo que tenhamos ganhado alguns quilinhos.”

Lovette, por exemplo, engordou quase três quilos, e adora a nova aparência de seu corpo, mesmo que, nas palavras dela "não pareça mais uma bailarina”. Ela estava se referindo a uma parte do corpo com a qual o balé tem dificuldade de lidar –os seios. Cada bailarina tem um demônio e, no caso de Lovette, é esse. "Para mudar esse tipo de coisa em seu corpo, você precisa emagrecer muito. E eu me esforçava para isso, para ser o mais magra que pudesse. Não queria usar sutiã com bojo.”

Lovette pode não ter chegado a passar fome, mas se lembra da sensação de se recompensar ao, por exemplo, desistir de comer um pãozinho. “Ou de coisas como ‘se eu conseguir pegar aquele elevador, não vou comer um sanduíche inteiro’”, ela disse. “Só duas cenourinhas ou frutas secas.”

Em janeiro, ela falava sobre se sentir esgotada e que se preocupava por talvez não ter tomado conta de si mesma como deveria, por alguns anos. Ela jurou que seria honesta consigo mesma.

"Há certas coisas sobre as quais você precisa falar”, disse ela. “Não estou imune a erros, não estou sempre certa, com relação ao modo como eu me sentia ou como tratei meu corpo.”

Um mês depois, ela decidiu que encerraria seu contrato com o Balé de Nova York ao final da temporada que começa no quarto trimestre. Lovette só tem 29 anos. “Quero mais controle e mais poder para decidir com quem trabalho”, ela disse, no começo de março.

“Quero fazer coisas e me concentrar em realmente fazer —sem ter de me enquadrar a tudo que é necessário para ser bailarina profissional. Porque são exigências demais.”

Lovette também compreende que pode ajudar a tornar o balé melhor. Nos últimos anos, ela começou a ganhar fama como coreógrafa. Isso a põe em posição privilegiada para promover mudanças.

“Era por isso que eu queria tanto ser coreógrafa”, ela disse. “O coreógrafo tem mais poder do que qualquer outra pessoa porque somos nós que escolhemos quem está no balé. Na maior parte das organizações com que trabalho, posso escolher qualquer pessoa da companhia. Talvez alguém sugira que eu não deveria escolher tal pessoa, e sim outra. E eu posso responder que não, prefiro a pessoa que escolhi. Todas as vezes! É um grande empoderamento.”

Tradução de Paulo Migliacci

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